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Quem é DEUS?

By TJs

 

Alguns crêem que o Pai, o Filho e o Espírito Santo; todavia, juntos eles constituem um só Deus. A doutrina diz que os três são coiguais, todo-poderosos e que não foram criados, tendo existido eternamente como Divindade.

Outros, porém, dizem que a doutrina da Trindade é falsa, que o Deus Onipotente se destaca como um ser separado, eterno e todo-poderoso. Dizem que Jesus, na sua existência pré-humana era, como os anjos, uma pessoa espiritual individual, criada por Deus, e, por isso, deve ter tido um começo. Ensinam que Jesus nunca foi igual ao Deus Todo-poderoso, em sentido algum; que ele sempre esteve sujeito a Deus e ainda está. Crêem também que o espírito santo não é uma pessoa, mas sim o espírito de Deus, a sua força ativa.

Os defensores da Trindade afirmam que ela se baseia não só na tradição religiosa, mas também na Bíblia. Os seus críticos dizem que ela não é um ensino bíblico, certa fonte histórica chegando a dizer: “A origem da [Trindade] é inteiramente pagã.” — The Paganism in Our Christianity (O Paganismo no Nosso Cristianismo).

Se a Trindade é verdade, rebaixa Jesus dizermos que ele nunca foi igual a Deus, qual parte duma Divindade. Mas, se a Trindade é falsa, rebaixa o Deus Todo-poderoso chamarmos de igual a ele quem quer que seja, e, pior ainda, chamarmos Maria de “Mãe de Deus”. Se a Trindade é falsa, desonra a Deus afirmar, como faz o livro Catholicism (Catolicismo): “A menos que [as pessoas] mantenham essa Fé intacta e imaculada, sem dúvida perecerão eternamente. E a Fé católica é esta: adoramos um só Deus em Trindade.”

Portanto, há bons motivos para se querer saber a verdade a respeito da Trindade. Mas, antes de examinar a sua origem e a sua reivindicação de ser verdade, será útil definir mais especificamente essa doutrina. O que, exatamente, é a Trindade? Como é que seus apoiadores a explicam?

Esquerda: Escultura egípcia do segundo milênio (AEC). Tríade de Amon-Rá, Ramsés II e Mut. Direita: Escultura da Trindade de Jesus Cristo, o Pai, e o espírito santo, do século 14 (EC). Note: três pessoas, mas só quatro pernas.

 

Como Se Explica a Trindade?

A IGREJA Católica Romana diz: “Trindade é o termo empregado para definir a doutrina central da religião cristã . . . Assim, nos dizeres do Credo Atanasiano: ‘o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus; e, não obstante, não são três Deuses, mas um só Deus.’ Nesta Trindade . . . as Pessoas são coeternas e coiguais: todas são igualmente incriadas e onipotentes.” — The Catholic Encyclopedia (Enciclopédia Católica).

Praticamente todas as outras religiões da cristandade concordam com isso. Por exemplo, a Igreja Ortodoxa Grega também chama a Trindade de “doutrina fundamental do cristianismo”, chegando a dizer: “Cristãos são aqueles que aceitam a Cristo como Deus.” No livro Our Orthodox Christian Faith (A Nossa Ortodoxa Fé Cristã), a mesma igreja declara: “Deus é trino. . . . O Pai é totalmente Deus. O Filho é totalmente Deus. O Espírito Santo é totalmente Deus.”

Assim, a Trindade é considerada como “um só Deus em três Pessoas”. Diz-se que nenhuma delas teve princípio, que sempre existiram. Que cada qual é todo-poderosa, nenhuma maior ou menor do que as outras.

É difícil de captar esse raciocínio? Muitos crentes sinceros o consideram confuso, contrário ao raciocínio normal, diferente de tudo em sua experiência. Como, perguntam, poderia o Pai ser Deus, Jesus ser Deus e o espírito santo ser Deus, mas, ao mesmo tempo, não existirem três deuses mas apenas um só Deus?

 

“Além da Compreensão da Razão Humana”

ESSA confusão é generalizada. The Encyclopedia Americana (Enciclopédia Americana) diz que a doutrina da Trindade é tida como estando “além da compreensão da razão humana”.

Muitos que aceitam a Trindade encaram-na da mesma maneira. O monsenhor Eugene Clark disse: “Deus é um só, e Deus é três. Visto que não existe nada igual a isso na criação, não podemos entendê-la, mas apenas aceitá-la.” O cardeal John O’Connor declarou: “Sabemos que é um mistério muito profundo, que ainda nem começamos a entender.” E o papa João Paulo II fala do “insondável mistério de Deus, a Trindade”.

Assim, A Dictionary of Religious Knowledge (Dicionário do Conhecimento Religioso) diz: “Quanto a precisamente o que é essa doutrina, ou exatamente como deve ser explicada, os trinitaristas ainda não chegaram a um acordo.”

Podemos entender, pois, por que a New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica) observa: “Há poucos instrutores da teologia trinitária nos seminários católico-romanos que numa ocasião ou noutra não se atormentaram com a pergunta: ‘Mas, como é que se pode pregar a Trindade?’ E, se a pergunta é sintomática da confusão da parte dos estudantes, talvez não seja menos sintomática de similar confusão da parte de seus mestres.”

Pode-se constatar a veracidade dessa observação por ir a uma biblioteca e examinar livros que apóiam a Trindade. Escreveram-se inúmeras páginas na tentativa de explicá-la. Todavia, depois de passar a duras penas pelo labirinto de confusos termos teológicos e explicações, o investigador ainda não sai satisfeito.

Sobre isso, o jesuíta Joseph Bracken diz em seu livro What Are They Saying About the Trinity? (O Que Dizem Sobre a Trindade?): “Os sacerdotes que, com muito esforço aprenderam . . . a Trindade em seus anos de seminário, hesitam por natureza a apresentá-la a seus paroquianos do púlpito, até mesmo no Domingo da Santíssima Trindade. . . . Por que incomodar pessoas com algo que, afinal, de qualquer maneira não entenderiam corretamente?” Ele diz também: “A Trindade é um assunto de crença formal, mas pouco ou nenhum [efeito] tem sobre a cotidiana vida cristã e adoração.” Não obstante, é “a doutrina central” das igrejas!

O teólogo católico Hans Küng diz em seu livro Christianity and the World Religion (O Cristianismo e as Religiões do Mundo) que a Trindade é uma das razões pelas quais as igrejas têm sido incapazes de fazer algum progresso significativo junto aos povos não-cristãos. Ele diz: “Até mesmo bem informados muçulmanos simplesmente não conseguem entender, e os judeus até hoje deixaram de compreender, a idéia da Trindade. . . . As distinções feitas pela doutrina da Trindade entre um só Deus e três hipóstases não satisfazem os muçulmanos, que ficam confusos, em vez de esclarecidos, por termos teológicos derivados do siríaco, do grego e do latim. Os muçulmanos a consideram nada mais do que um jogo de palavras. . . . Por que deveria alguém querer acrescentar à noção da unicidade e singularidade de Deus algo que é capaz apenas de diluir ou anular essa unicidade e singularidade?”

 

“Não é Deus de Confusão”

COMO foi possível que se desenvolvesse tal doutrina confusa? A Enciclopédia Católica afirma: “Um dogma tão misterioso pressupõe uma revelação Divina.” Os peritos católicos Karl Rahner e Herbert Vorgrimler dizem em seu Theological Dictionary (Dicionário Teológico): “A Trindade é um mistério . . . no verdadeiro sentido da palavra . . . , que não se poderia conhecer sem uma revelação, e, mesmo após a revelação, não é possível que se torne plenamente compreensível.”

Contudo, afirmar que, sendo a Trindade um mistério tão confuso, ela deve ter-se originado de revelação divina, cria um outro grande problema. Por quê? Porque a própria revelação divina não permite tal conceito sobre Deus: “Deus não é Deus de confusão.” — 1 Coríntios 14:33, Centro Bíblico Católico (CBC).

Em vista dessa declaração, seria Deus responsável por uma doutrina tão confusa a respeito de si mesmo que nem mesmo peritos em hebraico, grego e latim podem realmente explicá-la?

Ademais, precisa a pessoa ser teóloga para ‘conhecer o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem ele enviou’? (João 17:3, BJ) Se assim fosse, por que tão poucos dos bem instruídos líderes religiosos judaicos reconheceram a Jesus como o Messias? Os Seus fiéis discípulos eram, em vez disso, humildes lavradores, pescadores, cobradores de impostos, donas-de-casa. Tais pessoas comuns tinham tanta certeza do que Jesus lhes ensinava a respeito de Deus que podiam ensinar isso a outros, e estavam até mesmo dispostas a morrer por suas crenças. — Mateus 15:1-9; 21:23-32, 43; 23:13-36; João 7:45-49; Atos 4:13.

Os discípulos de Jesus não eram os líderes religiosos, mas sim pessoas dentre o humilde povo comum.

 

É Claramente Um Ensino Bíblico?

SE A Trindade fosse verdade, devia ser clara e coerentemente apresentada na Bíblia. Por quê? Porque, como afirmaram os apóstolos, a Bíblia é a revelação que Deus fez de si mesmo à humanidade. E, visto que temos de conhecer a Deus para poder adorá-lo aceitavelmente, a Bíblia deve ser clara em nos dizer quem exatamente ele é.

Os crentes do primeiro século aceitavam as Escrituras como a autêntica revelação de Deus. Era a base para as suas crenças, a autoridade final. Por exemplo, quando o apóstolo Paulo pregou a pessoas da cidade de Beréia, elas ‘receberam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim’. — Atos 17:10, 11.

O que é que destacados homens de Deus daquele tempo usavam como autoridade? Atos 17:2, 3 diz: “Segundo o costume de Paulo, ele . . . raciocinou com eles à base das Escrituras, explicando e provando com referências [das Escrituras].”

O próprio Jesus deu o exemplo em usar as Escrituras como base para seu ensino, dizendo freqüentemente: “Está escrito.” “Interpretou-lhes em todas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo.” — Mateus 4:4, 7; Lucas 24:27.

Portanto, Jesus, Paulo e os crentes do primeiro século usavam as Escrituras como base de seu ensino. Sabiam que “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra”. — 2 Timóteo 3:16, 17; veja também 1 Coríntios 4:6; 1 Tessalonicenses 2:13; 2 Pedro 1:20, 21.

Visto que a Bíblia pode “endireitar as coisas”, ela deve claramente revelar informações a respeito de um assunto tão fundamental como se diz que a Trindade é. Mas, dizem os próprios teólogos e historiadores que a Trindade é claramente um ensino bíblico?

 

A “Trindade” na Bíblia?

DIZ certa publicação protestante: “A palavra ‘trindade’ não pode ser encontrada na Bíblia . . . não encontrou lugar formal na teologia da Igreja senão já no quarto século.” (O Novo Dicionário da Bíblia) E certa autorizada fonte católica diz que a Trindade “não é . . . direta e linearmente [a] palavra de Deus”. — Nova Enciclopédia Católica.

A Enciclopédia Católica diz também: “Na Escritura ainda não existe um termo único através do qual as Três Pessoas Divinas sejam classificadas juntas. A palavra tr«aV [tríJas] (da qual se traduz a palavra latina trinitas) é pela primeira vez encontrada em Teófilo, de Antioquia, por volta de 180 A.D. . . . Pouco depois aparece na sua forma latina trinitas, em Tertuliano.”

Contudo, isso em si não prova que o próprio Tertuliano ensinasse a Trindade. A obra católica Trinitas A Theological Encyclopedia of the Holy Trinity (Trinitas — Enciclopédia Teológica da Santíssima Trindade), por exemplo, diz que algumas das palavras de Tertuliano foram mais tarde usadas por outros para descrever a Trindade. Daí, faz o alerta: “Mas, não se podem tirar conclusões apressadas a respeito do uso, pois ele não aplica essas suas palavras à teologia trinitarista.”

 

O Testemunho das Escrituras Hebraicas

AO PASSO que a palavra “Trindade” não aparece na Bíblia, será que esta pelo menos ensina claramente a idéia da Trindade? Por exemplo, o que revelam as Escrituras Hebraicas (o “Velho Testamento”)?

The Encyclopedia of Religion (Enciclopédia de Religião) admite: “Os teólogos hoje concordam que a Bíblia Hebraica não contém uma doutrina da Trindade.” E a Nova Enciclopédia Católica também diz: “A doutrina da Santíssima Trindade não é ensinada no V[elho] T[estamento].”

Similarmente, em seu livro The Triune God (O Deus Trino), o jesuíta Edmund Fortman admite: “O Velho Testamento . . . nada nos fala explicitamente, ou através de necessária dedução, a respeito de um Deus Trino que seja Pai, Filho e Espírito Santo. . . . Não evidência de que qualquer escritor sacro sequer suspeitasse da existência de uma [Trindade] na Divindade. . . . Até mesmo enxergar no [“Velho Testamento”] sugestões ou prefigurações, ou ‘sinais velados’ da trindade de pessoas, significa ir além das palavras e da intenção dos escritores sacros.” — O grifo é nosso.

Um exame das próprias Escrituras Hebraicas confirmará esses comentários. Assim, não existe ensinamento claro da Trindade nos primeiros 39 livros da Bíblia, que compõem o cânon legítimo das inspiradas Escrituras Hebraicas.

 

O Testemunho das Escrituras Gregas

SERÁ, então, que as Escrituras Gregas Cristãs (o “Novo Testamento”) falam claramente de uma Trindade?

A Enciclopédia de Religião diz: “Os teólogos concordam que o Novo Testamento também não contém uma explícita doutrina da Trindade.”

O jesuíta Fortman declara: “Os escritores do Novo Testamento . . . não nos deram nenhuma doutrina formal ou formulada da Trindade, nenhum ensino explícito de que em um só Deus há três pessoas divinas coiguais. . . . Em parte alguma encontramos alguma doutrina trinitária de três diferentes personagens de vida e atividade divinas na mesma Divindade.”

The New Encyclopædia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) observa: “Nem a palavra Trindade, nem a doutrina explícita constam no Novo Testamento.”

Bernhard Lohse diz em A Short History of Christian Doctrine (Breve História da Doutrina Cristã): “No que tange ao Novo Testamento, não se encontra nele uma real doutrina da Trindade.”

O The New International Dictionary of New Testament Theology (Novo Dicionário Internacional da Teologia do Novo Testamento) diz similarmente: “O N[ovo] T[estamento] não contém a produzida doutrina da Trindade. ‘Não existe na Bíblia uma declaração expressa de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam de igual essência’, [disse o teólogo protestante Karl Barth].”

O professor da Universidade de Yale (EUA), E. Washburn Hopkins, afirmou: “Jesus e Paulo aparentemente desconheciam a doutrina da trindade; . . . nada dizem a seu respeito.” — Origin and Evolution of Religion (Origem e Evolução da Religião).

O historiador Arthur Weigall diz: “Jesus Cristo nunca mencionou tal fenômeno, e, em parte alguma do Novo Testamento aparece a palavra ‘Trindade’. A idéia foi adotada pela Igreja somente trezentos anos depois da morte de nosso Senhor.” — O Paganismo no Nosso Cristianismo.

Assim, nem os 39 livros das Escrituras Hebraicas, tampouco o cânon de 27 livros inspirados das Escrituras Gregas Cristãs, provêem um claro ensino da Trindade.

 

Os Cristãos Primitivos a Ensinavam?

ENSINARAM os cristãos primitivos a Trindade? Note os seguintes comentários, de historiadores e teólogos:

“O cristianismo primitivo não tinha uma doutrina explícita da Trindade, da forma como foi depois elaborada nos credos.” — Novo Dicionário Internacional da Teologia do Novo Testamento.

“Os cristãos primitivos, porém, não pensaram de início aplicar a idéia da [Trindade] à sua própria fé. Prestavam as suas devoções a Deus, o Pai, e a Jesus Cristo, o Filho de Deus, e reconheciam o . . . Espírito Santo; mas não se imaginava que esses três fossem uma autêntica Trindade, coigual e unida em Um.” — O Paganismo no Nosso Cristianismo.

“De início, a fé cristã não era trinitarista . . . Não era assim nas eras apostólica e pós-apostólica, como se reflete no N[ovo T[estamento] e em outros primitivos escritos cristãos.” — Encyclopædia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética).

“A formulação de ‘um só Deus em três Pessoas’ não foi solidamente estabelecida, de certo não plenamente assimilada na vida cristã e na sua profissão de fé, antes do fim do 4.° século. . . . Entre os Pais Apostólicos, não havia nada, nem mesmo remotamente, que se aproximasse de tal mentalidade ou perspectiva.” — Nova Enciclopédia Católica.

 

O Que os Pais Pré-Nicéia Ensinaram

OS PAIS Pré-Nicéia são reconhecidos como tendo sido destacados instrutores religiosos dos primeiros séculos após o nascimento de Cristo. O que eles ensinaram é de interesse.

Justino, o Mártir, falecido por volta de 165 EC, chamou o pré-humano Jesus de um anjo criado que “não é o mesmo que Deus, que fez todas as coisas”. Ele disse que Jesus era inferior a Deus e “nunca fez nada exceto o que o Criador . . . queria que ele fizesse e dissesse”.

Irineu, falecido por volta de 200 EC, disse que o pré-humano Jesus tivera uma existência distinta de Deus e que era inferior a este. Ele mostrou que Jesus não é igual ao “Um só verdadeiro e único Deus”, que “é supremo sobre todos, à parte de quem não há outro”.

Clemente de Alexandria, falecido por volta de 215 EC, chamou Deus de “o incriado e imperecível Deus e único Deus verdadeiro”. Disse que o Filho “vem logo depois do único Pai onipotente”, mas não é igual a ele.

Tertuliano, falecido por volta de 230 EC, ensinou a supremacia de Deus. Disse ele: “O Pai é diferente do Filho (outra pessoa), uma vez que é maior; assim como quem gera é diferente de quem é gerado; quem envia, diferente de quem é enviado.” Ele disse também: “Houve tempo em que o Filho não existia. . . . Antes de todas as coisas virem a existir, Deus estava sozinho.”

Hipólito, falecido por volta de 235 EC, disse que Deus é “o Deus uno, o primeiro e o Único, o Fazedor e Senhor de tudo”, que “nada tinha de coevo [contemporâneo] com ele . . . Mas ele era Um Só, sozinho; que, querendo-o, trouxe à existência o que não existia antes”, como o pré-humano Jesus, que foi criado.

Orígenes, falecido por volta de 250 EC, disse que “o Pai e o Filho são duas substâncias . . . duas coisas quanto à sua essência”, e que “comparado com o Pai, [o Filho] é uma luz pequenina”.

Resumindo a evidência histórica, Alvan Lamson diz em The Church of the First Three Centuries (A Igreja dos Primeiros Três Séculos): “A moderna popular doutrina da Trindade . . . não deriva apoio da linguagem de Justino [o Mártir]: e esta observação pode-se estender a todos os Pais anteriores ao [credo de] Nicéia; isto é, a todos os escritores cristãos por três séculos posteriores ao nascimento de Cristo. Eles de fato falam do Pai, Filho, e . . . Espírito santo, mas não como coiguais, não como uma só essência numérica, não como Três em Um, em qualquer sentido hoje aceito pelos trinitaristas. A verdade é exatamente o oposto.”

Assim, o testemunho da Bíblia e da história deixa claro que a Trindade era desconhecida durante os tempos bíblicos e por vários séculos depois.

“Não há evidência de que qualquer escritor sacro sequer suspeitasse da existência de uma [Trindade] na Divindade.” —  O Deus Trino.

 

Como Se Desenvolveu a Doutrina da Trindade?

NESTE ponto você talvez se pergunte: ‘Se a Trindade não é um ensinamento bíblico, como é que veio a tornar-se uma doutrina da cristandade?’ Muitos acham que ela foi formulada no Concílio de Nicéia, em 325 EC.

Mas, isso não é totalmente correto. O Concílio de Nicéia realmente afirmou que Cristo era da mesma substância que Deus, o que estabeleceu a base para posterior teologia trinitarista. Mas esse Concílio não estabeleceu a Trindade, pois não houve nele menção do espírito santo como a terceira pessoa de uma Divindade trina.

 

O Papel de Constantino em Nicéia

POR muitos anos havia muita oposição, por motivos bíblicos, contra a emergente idéia de que Jesus era Deus. Para tentar resolver a disputa, o imperador romano Constantino convocou todos os bispos a Nicéia. Cerca de 300, uma fração do total, realmente compareceram.

Constantino não era cristão. Supostamente, mais tarde na vida ele se converteu, mas só foi batizado quando estava para morrer. Sobre ele, Henry Chadwick diz em The Early Church (A Igreja Primitiva): “Constantino, como seu pai, adorava o Sol Invicto; . . . a sua conversão não deve ser interpretada como tendo sido uma íntima experiência de graça . . . Era uma questão militar. A sua compreensão da doutrina cristã nunca foi muito clara, mas ele estava certo de que a vitória nas batalhas dependia da dádiva do Deus dos cristãos.”

Que papel desempenhou esse imperador não batizado no Concílio de Nicéia? A Enciclopédia Britânica diz: “O próprio Constantino presidiu, ativamente orientando as discussões, e pessoalmente propôs . . . o preceito crucial, que expressa a relação de Cristo para com Deus no credo instituído pelo concílio, ‘de uma só substância com o Pai’ . . . Intimidados diante do imperador, os bispos, com apenas duas exceções, assinaram o credo, muitos dos quais bem contra à sua inclinação pessoal.”

Assim, o papel de Constantino foi decisivo. Depois de dois meses de furiosos debates religiosos, esse político pagão interveio e decidiu em favor dos que diziam que Jesus era Deus. Mas, por quê? Certamente não por causa de alguma convicção bíblica. “Constantino basicamente não tinha entendimento algum das perguntas que se faziam em teologia grega”, diz Breve História da Doutrina Cristã. Mas, o que ele deveras entendia era que a divisão religiosa representava uma ameaça ao seu império, e o seu desejo era solidificar o seu domínio.

Nenhum dos bispos em Nicéia promoveu uma Trindade, porém. Eles decidiram apenas a natureza de Jesus, mas não o papel do espírito santo. Se a Trindade fosse uma clara verdade bíblica, não a teriam proposto naquele tempo?

 

Desenvolvimento Adicional

DEPOIS de Nicéia, os debates sobre o assunto continuaram por décadas. Os que criam que Jesus não era igual a Deus até mesmo recuperaram temporariamente o favor. Mais tarde, porém, o Imperador Teodósio decidiu contra eles. Ele estabeleceu o credo do Concílio de Nicéia como padrão para o seu domínio e convocou o Concílio de Constantinopla, em 381 EC, para esclarecer os preceitos.

Esse concílio concordou em colocar o espírito santo no mesmo nível que Deus e Cristo. Pela primeira vez, a Trindade da cristandade passou a ser enfocada.

Todavia, mesmo após o Concílio de Constantinopla, a Trindade não se tornou um credo amplamente aceito. Muitos se lhe opuseram e, assim, trouxeram sobre si violenta perseguição. Foi apenas em séculos posteriores que a Trindade foi formulada em credos específicos. A Enciclopédia Americana diz: “O pleno desenvolvimento do trinitarismo ocorreu no Ocidente, no escolasticismo da Idade Média, quando se adotou uma explicação em termos de filosofia e psicologia.”

 

O Credo Atanasiano

A TRINDADE foi mais plenamente definida no Credo Atanasiano. Atanásio foi um clérigo que apoiou Constantino em Nicéia. O credo que leva seu nome declara: “Adoramos um só Deus em Trindade . . . O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus; e, no entanto, não são três deuses, mas um só Deus.”

Não obstante, bem informados peritos concordam que não foi Atanásio quem elaborou esse credo. A Nova Enciclopédia Britânica comenta: “O credo era desconhecido à Igreja Oriental até o século 12. Desde o século 17, os peritos em geral têm concordado que o Credo Atanasiano não foi escrito por Atanásio (falecido em 373) mas que, provavelmente, foi elaborado no sul da França durante o quinto século. . . . O credo parece ter tido influência primariamente no sul da França e na Espanha no 6.° e 7.° séculos. Foi usado na liturgia da igreja na Alemanha no 9.° século e um pouco mais tarde em Roma.”

Portanto, levou séculos desde o tempo de Cristo para que a Trindade viesse a ser plenamente aceita na cristandade. E, em todo esse processo, o que foi que guiou as decisões? Foi a Palavra de Deus, ou foram considerações clericais e políticas? Em Origem e Evolução da Religião, E. W. Hopkins responde: “A definição ortodoxa final da trindade era em grande parte uma questão de política eclesial.”

 

A Apostasia Foi Predita

ESSA desabonadora história da Trindade se ajusta ao que Jesus e seus apóstolos predisseram que viria depois de seus dias. Eles disseram que viria uma apostasia, um desvio, um abandono da adoração verdadeira até a volta de Cristo, quando então a adoração verdadeira seria restaurada, antes do dia em que Deus destruiria este sistema de coisas.

Sobre tal “dia”, o apóstolo Paulo disse: “Não virá a menos que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem que é contra a lei.” (2 Tessalonicenses 2:3, 7) Mais tarde, ele predisse: “Depois de minha partida, introduzir-se-ão entre vós lobos vorazes que não pouparão o rebanho. Mesmo do meio de vós surgirão alguns falando coisas pervertidas, para arrastarem atrás de si os discípulos.” (Atos 20:29, 30, BJ) Outros discípulos de Jesus também escreveram a respeito dessa apostasia com a sua classe do clero ‘contra a lei’. — Veja, por exemplo, 2 Pedro 2:1; 1 João 4:1-3; Judas 3, 4.

Paulo também escreveu: “Pois virá um tempo em que alguns não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, segundo os seus próprios desejos, como que sentindo comichão nos ouvidos, se rodearão de mestres. Desviarão os seus ouvidos da verdade, orientando-os para as fábulas.” — 2 Timóteo 4:3, 4, BJ.

O próprio Jesus explicou o que estaria por trás desse desvio da adoração pura. Ele disse que lançara boas sementes, mas que o inimigo, Satanás, semearia por cima o joio. Assim, junto com as primeiras lâminas de trigo, apareceu também o joio. Portanto, era de esperar um desvio do cristianismo puro até a colheita, quando então Cristo corrigiria as coisas. (Mateus 13:24-43) A Enciclopédia Americana comenta: “O trinitarismo do quarto século de forma alguma refletiu com exatidão o primitivo ensino cristão sobre a natureza de Deus; foi, ao contrário, um desvio deste ensinamento.” Onde, então, originou-se tal desvio? — 1 Timóteo 1:6.

 

O Que o Influenciou

POR todo o mundo antigo, remontando a Babilônia, a adoração de deuses pagãos agrupados em três, ou tríades, era comum. Esta influência era também prevalecente no Egito, na Grécia, e em Roma nos séculos antes, durante e depois de Cristo. E após a morte dos apóstolos, tais crenças pagãs passaram a invadir o cristianismo.

O historiador Will Durant observou: “O cristianismo não destruiu o paganismo; ele o adotou. . . . Do Egito vieram as idéias de uma trindade divina.” E no livro Egyptian Religion (Religião Egípcia), Siegfried Morenz diz: “A trindade era uma das principais preocupações dos teólogos egípcios . . . Três deuses são combinados e tratados como se fossem um único ser, a quem se dirige no singular. Deste modo, a força espiritual da religião egípcia mostra ter um vínculo direto com a teologia cristã.”

Assim, em Alexandria, no Egito, os eclesiásticos da última parte do terceiro e o início do quarto século, tais como Atanásio, refletiram essa influência ao formularem idéias que levaram à Trindade. A própria influência deles se alastrou, de modo que Morenz considera “a teologia alexandrina como o intermediário entre a herança religiosa egípcia e o cristianismo”.

No prefácio do livro History of Christianity (História do Cristianismo), de Edward Gibbon, lemos: “Se o paganismo foi conquistado pelo cristianismo, é igualmente verdade que o cristianismo foi corrompido pelo paganismo. O puro deísmo dos primeiros cristãos . . . foi mudado, pela Igreja de Roma, para o incompreensível dogma da trindade. Muitos dos dogmas pagãos, inventados pelos egípcios e idealizados por Platão, foram retidos como sendo dignos de crença.”

O Dicionário do Conhecimento Religioso menciona que muitos dizem que a Trindade “é a corrupção emprestada de religiões pagãs e enxertada na fé cristã”. E O Paganismo no Nosso Cristianismo declara: “A origem da [Trindade] é inteiramente pagã.”

É por isso que na Enciclopédia de Religião e Ética, James Hastings escreveu: “Na religião indiana, p. ex., temos o grupo trinitário de Brama, Xiva e Vixenu; e na religião egípcia, com o grupo trinitário de Osíris, Ísis e Hórus . . . Tampouco é apenas em religiões históricas que encontramos Deus sendo considerado como uma Trindade. Vem-nos à mente em especial o conceito neoplatônico da Suprema e Derradeira Realidade”, que é “representada triadicamente”. O que tem a haver com a Trindade o filósofo grego Platão?

 

Platonismo

PLATÃO, segundo se pensa, viveu de 428 a 347 antes de Cristo. Embora não ensinasse a Trindade na sua forma atual, as suas filosofias pavimentaram o caminho para ela. Mais tarde, movimentos filosóficos que incluíam crenças triádicas floresceram, e estas eram influenciadas pelas idéias de Platão a respeito de Deus e da natureza.

A obra francesa Nouveau Dictionnaire Universel (Novo Dicionário Universal) diz sobre a influência de Platão: “A trindade platônica, que em si é meramente um rearranjo de trindades mais antigas, que remontam aos povos anteriores, parece ser a trindade filosófica racional de atributos que deram origem às três hipóstases ou pessoas divinas ensinadas pelas igrejas cristãs. . . . O conceito deste filósofo grego sobre a trindade divina . . . pode ser encontrada em todas as religiões [pagãs] antigas.”

A The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog) mostra a influência dessa filosofia grega: “As doutrinas do Logos e da Trindade receberam a sua forma de Pais Gregos, que . . . foram muito influenciados, direta ou indiretamente, pela filosofia platônica . . . Que dessa fonte se infiltraram erros e corrupções na Igreja não pode ser negado.”

A Igreja dos Primeiros Três Séculos diz: “A doutrina da Trindade foi formada de maneira gradual e comparativamente tardia; . . . teve a sua origem numa fonte inteiramente estranha à das Escrituras Judaicas e Cristãs; . . . cresceu, e foi enxertada no cristianismo, pelas mãos de Pais platônicos.”

Por volta do fim do terceiro século EC, o “cristianismo” e as novas filosofias platônicas tornaram-se inseparavelmente unidas. Como declara Adolf Harnack em Outlines of the History of Dogma (Linhas Gerais da História de Dogmas), a doutrina da igreja ficou “firmemente enraizada no solo do helenismo [pensamento grego pagão]. Deste modo tornou-se um mistério para a grande maioria dos cristãos.”

A igreja afirmava que as suas novas doutrinas se baseavam na Bíblia. Mas Harnack diz: “Na realidade legitimava em seu meio a especulação helênica, os conceitos e costumes supersticiosos de cultos misteriosos pagãos.”

No livro A Statement of Reasons (Declaração de Razões), Andrews Norton diz sobre a Trindade: “Podemos traçar a história dessa doutrina e descobrir a sua origem, não na revelação cristã, mas sim na filosofia platônica . . . A Trindade não é uma doutrina de Cristo e de seus Apóstolos, mas sim uma ficção da escola de posteriores platonistas.”

Assim, no quarto século EC, a apostasia predita por Jesus e por seus apóstolos veio a florescer plenamente. O desenvolvimento da Trindade era apenas uma evidência disso. As igrejas apóstatas também começaram a abraçar outras idéias pagãs, como o inferno de fogo, a imortalidade da alma e a idolatria. Espiritualmente falando, a cristandade havia entrado na sua predita era obscura, dominada por uma crescente classe clerical, o “homem que é contra a lei”. — 2 Tessalonicenses 2:3, 7.

 

Por Que os Profetas de Deus Não a Ensinaram?

POR QUE, por milhares de anos, nenhum dos profetas de Deus ensinou Seu povo a respeito da Trindade? No mínimo, não usaria Jesus a sua habilidade como Grande Instrutor para tornar a Trindade clara a seus seguidores? Inspiraria Deus centenas de páginas de Escritura, e, ainda assim, nada usaria dessa instrução para ensinar a Trindade se esta realmente fosse a “doutrina central” da fé?

Devem os cristãos crer que séculos depois de Cristo, e depois de ter inspirado a escrita da Bíblia, Deus apoiaria a formulação de uma doutrina que era desconhecida a seus servos por milhares de anos, uma doutrina que é um ‘mistério insondável’, “além da compreensão da razão humana”, que admitidamente teve um fundo pagão e era “em grande parte uma questão de política eclesial”?

O testemunho da história é claro: O ensino da Trindade é um desvio da verdade, uma apostasia.

O trinitarismo do quarto século foi um desvio do primitivo ensino cristão.’ — Enciclopédia Americana.

“Constantino basicamente não tinha entendimento algum das perguntas que se faziam em teologia grega.” — Breve História da Doutrina Cristã.

1. Egito. Tríade de Hórus, Osíris e Ísis, 2.° milênio AEC.

2. Babilônia. Tríade de Istar, Sin, Xamaxe, 2.° milênio AEC.

3. Palmira. Tríade do deus-lua, Senhor dos Céus, deus-sol, c. 1.° século EC.

4. Índia. Divindade trina hindu, c. 7.° século EC.

5. Kampuchea. Divindade trina budista, c. século 12 EC.

6. Noruega. Trindade (Pai, Filho, espírito santo), c. século 13 EC.

7. França. Trindade, c. século 14 EC.

8. Itália. Trindade, c. século 15 EC.

9. Alemanha. Trindade, c. século 19 EC.

10. Alemanha. Trindade, século 20 EC.

 

“A Tríade dos Grandes Deuses”

Muitos séculos antes do tempo de Cristo havia tríades, ou trindades, de deuses na antiga Babilônia e Assíria. A “Enciclopédia Larousse de Mitologia”, francesa, fala de uma dessas tríades naquela região da Mesopotâmia: “O universo era dividido em três regiões, cada qual se tornando o domínio de um deus. A parte de Anu era o céu. A terra foi dada a Enlil. Ea tornou-se governante das águas. Juntos constituíam a tríade dos Grandes Deuses.”

 

Trindade Hindu

O livro “O Simbolismo de Deuses e Rituais Hindus” (em inglês) diz a respeito de uma trindade hindu que existia séculos antes de Cristo: “Siva é um dos deuses da Trindade. Diz-se que ele é o deus da destruição. Os outros dois deuses são Brama, o deus da criação, e Vixenu, o deus da preservação. . . . Para indicar que esses três processos são um só e o mesmo, os três deuses são combinados numa forma única.” — Publicado por A. Parthasarathy, Bombaim.

 

O Que Diz a Bíblia Sobre Deus e Jesus?

SE ALGUÉM lesse a Bíblia de capa a capa sem nenhuma idéia preconcebida a respeito de uma Trindade, chegaria ele a tal conceito por si mesmo? De modo algum.

O que se torna bem claro para um leitor imparcial é que somente Deus é o Todo-poderoso, o Criador, separado e distinto de qualquer outra pessoa, e que Jesus, mesmo na sua existência pré-humana, era e é também uma pessoa separada e distinta, um ser criado, subordinado a Deus.

 

Deus É Um, Não Três

ESSE ensino bíblico de que Deus é um só é chamado de monoteísmo. E L. L. Paine, professor de história eclesiástica, indica que o monoteísmo em sua mais pura forma não permite uma Trindade: “O Antigo Testamento é estritamente monoteísta. Deus é um ser pessoal, único. A idéia de que ali se encontra uma trindade . . . é totalmente infundada.”

Houve algum desvio do monoteísmo depois que Jesus veio à terra? Paine responde: “Neste ponto não existe descontinuidade entre o Antigo Testamento e o Novo. A tradição monoteísta continua. Jesus era judeu, educado por pais judeus nas escrituras do Antigo Testamento. O ensino dele era judaico até o âmago; um novo evangelho, sim, mas não uma nova teologia. . . . E ele aceitou como crença sua o grande texto do monoteísmo judaico: ‘Ouve, Ó Israel, o Senhor, nosso Deus é um só Deus.’”

Estas palavras se acham em Deuteronômio 6:4. A tradução católica A Bíblia de Jerusalém (BJ), diz ali: “Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh!” Na gramática desse versículo, a palavra “único” não tem modificativos para o plural para sugerir que signifique outra coisa senão um só indivíduo.

O cristão apóstolo Paulo tampouco indicou alguma mudança na natureza de Deus, mesmo depois de Jesus ter vindo à terra. Ele escreveu: “Deus é apenas um.” — Gálatas 3:20; veja também 1 Coríntios 8:4-6.

Milhares de vezes, por toda a Bíblia, fala-se de Deus como sendo uma única pessoa. Quando ele fala, é como indivíduo indiviso. A Bíblia não podia ser mais clara nisso. Como Deus diz: “Eu sou Jeová. Este é meu nome; e a minha própria glória não darei a outrem.” (Isaías 42:8) “Eu sou Iahweh, teu Deus . . . Não terás outros deuses diante de mim.” (O grifo é nosso.) — Êxodo 20:2, 3, BJ.

Por que todos os escritores bíblicos inspirados por Deus falariam Dele como sendo uma pessoa única se ele fosse realmente três pessoas? A que objetivo isso serviria, senão desencaminhar as pessoas? Certamente, se Deus fosse composto de três pessoas, ele teria feito com que os escritores bíblicos deixassem isso rigorosamente claro, para que não houvesse dúvida a respeito. Pelo menos os escritores das Escrituras Gregas Cristãs, que tiveram contato pessoal com o próprio Filho de Deus, teriam feito isso. Mas não fizeram.

Em vez disso, o que os escritores bíblicos realmente deixaram rigorosamente claro é que Deus é uma só Pessoa — um Ser ímpar, indiviso, sem igual: “Eu sou Jeová, e não há outro. Além de mim não há Deus.” (Isaías 45:5) “Tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.” — Salmo 83:18.

 

Não Um Deus Pluralizado

JESUS chamou a Deus de “o único Deus verdadeiro”. (João 17:3) Jamais referiu-se ele a Deus como uma deidade composta de pessoas pluralizadas. É por isso que na Bíblia ninguém senão Jeová é chamado de Todo-poderoso. Se assim não fosse, isso anularia o sentido da palavra “todo-poderoso”. Nem Jesus e tampouco o espírito santo é alguma vez assim chamado, pois somente Jeová é supremo. Em Gênesis 17:1 ele declara: “Eu sou o Deus Todo-poderoso.” E Êxodo 18:11 diz: “Jeová é maior do que todos os demais deuses.”

Nas Escrituras Hebraicas, a palavra ´elóhJah (deus) tem duas formas de plural, a saber, ´eloJhím (deuses) e ´eloJhéh (deuses de). Estas formas de plural geralmente se referem a Jeová, casos em que são traduzidas no singular por “Deus”. Indicam tais formas pluralizadas a existência de uma Trindade? Não, não indicam. Em A Dictionary of the Bible (Dicionário da Bíblia), William Smith diz: “A fantasiosa idéia de que [´eloJhím] se refere à trindade de pessoas na Divindade dificilmente encontra agora entre os peritos alguém que a apóie. Trata-se daquilo que os gramáticos chamam de plural de majestade, ou denota a plenitude da força divina, a soma dos poderes exibidos por Deus.”

A The American Journal of Semitic Languages and Literatures (Revista Americana de Línguas e Literatura Semítica) diz sobre ´eloJhím: “É quase que invariavelmente construída com um predicado verbal singular, e tem atributo adjetival singular.” Ilustrando, o título ´eloJhím aparece 35 vezes isoladamente no relato da criação, e em todos os casos o verbo que descreve o que Deus disse e fez está no singular. (Gênesis 1:1–2:4) Assim, essa publicação conclui: “[´EloJhím] deve antes ser explicado como sendo um plural intensivo, denotando grandeza e majestade.”

´EloJhím não significa “pessoas”, mas sim “deuses”. Portanto, aqueles que argumentam que essa palavra subentende uma Trindade fazem de si mesmos politeístas, adoradores de mais de um Deus. Por quê? Porque significaria que haveria três deuses na Trindade. No entanto, quase todos os defensores da Trindade rejeitam o conceito de que a Trindade se componha de três deuses separados.

A Bíblia também usa as palavras 'eloJhím e 'eloJhéh ao se referir a um sem-número de falsos deuses ídolos. (Êxodo 12:12; 20:23) Mas, outras vezes pode referir-se simplesmente a um único deus falso, como quando os filisteus se referiram a “Dagom, seu deus [´eloJhéh]”. (Juízes 16:23, 24) Baal é chamado de um “deus [´eloJhím]”. (1 Reis 18:27) Além disso, o termo é usado para humanos. (Salmo 82:1, 6) A Moisés se disse que ele devia servir como “Deus [´eloJhím]” para Arão e para Faraó. — Êxodo 4:16; 7:1.

Obviamente, o emprego dos títulos ´eloJhím e ´eloJhéh para deuses falsos, e até para humanos, não significava que cada um deles fosse uma pluralidade de deuses; do mesmo modo, aplicar ´eloJhím ou ´eloJhéh a Jeová não significa que ele seja mais do que uma só pessoa, em especial quando levamos em conta o testemunho do restante da Bíblia sobre esse assunto.

 

Jesus É Uma Criação à Parte

ENQUANTO esteve na terra, Jesus era humano, embora perfeito, pois fora Deus quem transferira a força de vida de Jesus para o ventre de Maria. (Mateus 1:18-25) Mas, não foi assim o início de Jesus. Ele mesmo declarou que ‘descera do céu’. (João 3:13) Assim, era apenas natural que ele mais tarde dissesse a seus seguidores: “E quando virdes o Filho do Homem [Jesus] subir aonde estava antes?” — João 6:62, BJ.

Assim, Jesus existia no céu antes de vir à terra. Mas, existia ele em forma de uma das pessoas componentes de uma Divindade todo-poderosa, eterna e trina? Não, pois a Bíblia diz claramente que na sua existência pré-humana, Jesus era um ser espiritual criado, do mesmo modo como os anjos são seres espirituais criados por Deus. Nem os anjos e tampouco Jesus existiam antes de serem criados.

Jesus, na sua existência pré-humana, era “o Primogênito de toda criatura”. (Colossenses 1:15, BJ) Era “o princípio da criação de Deus”. (Revelação [Apocalipse] 3:14, Bíblia Vozes [BV]) “Princípio” [grego: arJkhé] não pode corretamente ser interpretado para significar que Jesus era o ‘principiador’ da criação de Deus. Em seus escritos bíblicos, João usa diversas formas da palavra grega arJkhé mais de 20 vezes, e estas sempre têm o significado comum de “princípio”. Sim, Jesus foi criado por Deus como o princípio das criações invisíveis Deste.

Note quão de perto essas referências à origem de Jesus se correlacionam com expressões feitas pela “Sabedoria” figurativa no livro bíblico de Provérbios: “Iahweh me criou, primícias de sua obra, antes de seus feitos mais antigos. Antes que as montanhas fossem implantadas, antes das colinas, eu fui gerada; ainda não havia feito a terra e a erva, nem os primeiros elementos do mundo.” (Provérbios 8:12, 22, 25, 26, BJ) Ao passo que o termo “Sabedoria” é usado para personificar aquele que Deus criou, a maioria dos peritos concorda que se trata realmente de uma figura de linguagem que se refere a Jesus na sua condição de criatura espiritual anterior à sua existência qual humano.

Como “Sabedoria” em sua existência pré-humana, Jesus diz adicionalmente que “estava junto com ele [Deus] como o mestre-de-obras”. (Provérbios 8:30, BJ) Em harmonia com esse papel de mestre-de-obras, Colossenses 1:16 diz de Jesus que “por meio dele, Deus criou tudo, no céu e na terra”. — A Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH).

Assim, foi por meio desse mestre-de-obras, seu sócio minoritário, por assim dizer, que o Deus Todo-poderoso criou todas as outras coisas. A Bíblia resume o assunto da seguinte maneira: “Para nós, contudo, há só um Deus, o Pai, de quem tiveram o ser todas as coisas . . . e só um Senhor Jesus Cristo, por quem todas as coisas (foram feitas).” (O grifo é nosso.) — 1 Coríntios 8:6, So.

Sem dúvida foi a esse mestre-de-obras que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem.” (Gênesis 1:26) Alguns afirmam que “façamos” e “nossa” nessa expressão indicam uma Trindade. Mas, se você dissesse: ‘Façamos algo para nós’, ninguém normalmente entenderia que isso subentendesse que várias pessoas estivessem combinadas como uma só dentro de sua pessoa. Você simplesmente estaria querendo dizer que duas ou mais pessoas trabalhariam juntas em algum projeto. Assim, também, quando Deus disse “façamos” e “nossa”, ele estava simplesmente falando a outra pessoa, à sua primeira criação espiritual, o mestre-de-obras, o pré-humano Jesus.

 

Poderia Deus Ser Tentado?

EM MATEUS 4:1, fala-se de Jesus como sendo “tentado pelo Diabo”. Depois de mostrar a Jesus “todos os reinos do mundo e a glória deles”, Satanás disse: “Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração.” (Mateus 4:8, 9) Satanás tentava induzir Jesus a ser desleal a Deus.

Mas, que teste de lealdade seria esse se Jesus fosse Deus? Poderia Deus rebelar-se contra si mesmo? Não, mas os anjos e os humanos poderiam rebelar-se contra Deus, como, de fato, alguns fizeram. A tentação de Jesus faria sentido apenas se ele fosse, não Deus, mas uma pessoa à parte que tivesse o seu próprio livre-arbítrio, alguém que pudesse ser desleal se assim o desejasse, como no caso de um anjo ou de um humano.

Por outro lado, é inconcebível que Deus pudesse pecar e ser desleal a si mesmo. “Perfeita é a sua atuação . . . Deus de fidelidade, . . . justo e reto é ele.” (Deuteronômio 32:4) Assim, se Jesus tivesse sido Deus, não poderia ter sido tentado. — Tiago 1:13.

Não sendo Deus, Jesus poderia ter sido desleal. Mas, ele permaneceu fiel, dizendo: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” — Mateus 4:10.

 

Qual Foi o Valor do Resgate?

UMA das principais razões de Jesus ter vindo à terra também tem a ver diretamente com a Trindade. A Bíblia diz: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos.” — 1 Timóteo 2:5, 6.

Jesus, nada mais e nada menos do que um humano perfeito, tornou-se um resgate que compensou exatamente o que Adão perdera — o direito à vida humana perfeita na terra. Assim, Jesus podia corretamente ser chamado “o último Adão” pelo apóstolo Paulo, que disse no mesmo contexto: “Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.” (1 Coríntios 15:22, 45) A perfeita vida humana de Jesus foi o “resgate correspondente” exigido pela justiça divina — nada mais, nada menos. Um princípio básico, mesmo de justiça humana, é que o preço pago deve ser equivalente ao erro cometido.

Se Jesus, no entanto, fosse parte de uma Divindade, o preço de resgate teria sido infinitamente superior ao que a Lei do próprio Deus exigia. (Êxodo 21:23-25; Levítico 24:19-21) Foi apenas um humano perfeito, Adão, quem pecou no Éden, não Deus. Assim, o resgate, para estar realmente em harmonia com a justiça de Deus, tinha de ser estritamente um equivalente — um humano perfeito, “o último Adão”. Assim, quando Deus enviou Jesus à terra como resgate, ele fez com que Jesus se tornasse o que satisfaria a justiça, não uma encarnação, não um deus-homem, mas um homem perfeito, “menor que os anjos”. (Hebreus 2:9; compare com o Salmo 8:5, 6.) Como poderia uma parte de uma todo-poderosa Divindade — o Pai, o Filho ou o espírito santo — alguma vez ser menor do que anjos?

 

Em Que Sentido É o “Filho Unigênito”?

A BÍBLIA chama Jesus de “Filho unigênito” de Deus. (João 1:14; 3:16, 18; 1 João 4:9) Os trinitaristas dizem que, visto que Deus é eterno, o Filho de Deus também é eterno. Mas, como pode uma pessoa ser filho e ao mesmo tempo ter a mesma idade de seu pai?

Os trinitaristas afirmam que no caso de Jesus, “unigênito” não é o mesmo que a definição de dicionário para “gerar”, que é “procriar como pai”. (Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary [Nono Novo Dicionário Colegial de Webster]) Dizem que no caso de Jesus significa “o sentido de relacionamento não originado”, uma espécie de relação de filho único sem o ato de gerar. (Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words [Dicionário Expositivo de Palavras do Antigo e do Novo Testamento, de Vine]) Soa-lhe lógico isso? Pode um homem ser pai de um filho sem tê-lo gerado?

Ademais, por que usa a Bíblia a mesmíssima palavra grega para “unigênito” (como Vine admite sem explicação alguma) para descrever a relação entre Isaque e Abraão? Hebreus 11:17 fala de Isaque como “unigênito” de Abraão. Não pode haver dúvida de que no caso de Isaque, ele era unigênito no sentido normal, não igual ao seu pai em tempo de existência ou em cargo.

A palavra grega básica para “unigênito” usada para Jesus e Isaque é moJnoJgeJnés, de Jnos, que significa “único” e JnoJmai, um radical que significa “gerar”, “tornar-se (vir à existência)”, diz a Exhaustive Concordance (Concordância Exaustiva), de Strong. Assim, moJnoJgeJnés é definido como: “Nascido único, gerado único, i.e., filho único.” — A Greek and English Lexicon of the New Testament (Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento), de E. Robinson.

O Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento), editado por Gerhard Kittel, diz: “[MoJnoJgeJnés] significa ‘de descendência única’, i.e., sem irmãos ou irmãs.” Este livro diz também que em João 1:18; 3:16, 18 e 1 João 4:9, “a relação de Jesus não é simplesmente comparada com a relação de um filho único com seu pai. É a relação do unigênito com o Pai”.

De modo que a vida de Jesus, o Unigênito, teve um início. E o Deus Todo-poderoso pode corretamente ser chamado de seu Genitor, ou Pai, no mesmo sentido que um pai terrestre, como Abraão, gera um filho. (Hebreus 11:17) Assim, quando a Bíblia fala de Deus como “Pai” de Jesus, significa exatamente o que diz — que são dois personagens distintos. Deus é o superior. Jesus o inferior — em tempo de existência, cargo, poder e conhecimento.

Quando se leva em conta que Jesus não era o único filho espiritual de Deus criado no céu, torna-se evidente por que o termo “unigênito” foi usado no seu caso. Um sem-número de outros seres espirituais criados, anjos, também são chamados de “filhos de Deus”, no mesmo sentido que Adão era, porque a sua força de vida se originou de Jeová Deus, a Fonte, ou Origem, da vida. (Jó 38:7; Salmo 36:9; Lucas 3:38) Mas estes foram todos criados através do “unigênito”, que foi o único gerado diretamente por Deus. — Colossenses 1:15-17.

 

Era Jesus Considerado Deus?

AO PASSO que na Bíblia Jesus muitas vezes é chamado de Filho de Deus, ninguém no primeiro século jamais imaginou que ele fosse Deus Filho. Mesmo os demônios, que ‘crêem que há um só Deus’, sabiam de sua própria experiência no domínio espiritual que Jesus não era Deus. Assim, corretamente, eles dirigiram-se a Jesus como uma pessoa à parte, o “Filho de Deus”. (Tiago 2:19; Mateus 8:29) E quando Jesus morreu, os soldados romanos pagãos que estavam por perto sabiam o suficiente para dizer que aquilo que haviam ouvido de Seus seguidores devia estar correto, não que Jesus era Deus, mas que “certamente este era o Filho de Deus”. — Mateus 27:54.

Assim, a frase “Filho de Deus” se refere a Jesus como um ser à parte, criado, não como componente duma Trindade. Como Filho de Deus, ele não podia ser o próprio Deus, pois João 1:18 diz: “Ninguém jamais viu a Deus.” — So.

Os discípulos encaravam a Jesus como o “um só mediador entre Deus e homens”, não o próprio Deus. (1 Timóteo 2:5) Visto que por definição mediador é alguém à parte dos que precisam de mediação, seria incoerente Jesus ser a mesma pessoa que uma ou outra das partes que estivesse tentando reconciliar. Isso seria simular ser algo que ele não é.

A Bíblia é clara e coerente a respeito da relação entre Deus e Jesus. Apenas Jeová Deus é Todo-poderoso. Ele criou o pré-humano Jesus diretamente. Assim, Jesus teve um começo, e jamais poderia ser coigual a Deus em poder e eternidade.

O nome de Deus é traduzido por “Iahweh” ou “Javé” em algumas traduções, e por “Jeová” em outras.

Tendo sido criado por Deus, Jesus ocupa uma posição secundária em tempo de existência, poder e conhecimento.

Jesus disse que ele teve uma existência pré-humana, tendo sido criado por Deus como o princípio das criações invisíveis Deste.

 

É Deus Sempre Superior a Jesus?

JESUS nunca afirmou ser Deus. Tudo o que ele disse a respeito de si mesmo indica que ele não se considerava igual a Deus em nenhum sentido — em poder, em conhecimento, em idade.

Em todo o período de sua existência, seja no céu, seja na terra, a sua fala e a sua conduta refletem subordinação a Deus. Deus é sempre o superior, Jesus o menor, criado por Deus.

 

Jesus É Distinto de Deus

REPETIDAS vezes Jesus mostrou que ele era uma criatura à parte de Deus e que tinha um Deus acima de si, um Deus a quem adorava, um Deus a quem chamava de “Pai”. Em oração a Deus, isto é, o Pai, Jesus disse: “De ti, o único Deus verdadeiro.” (João 17:3) Em João 20:17 ele disse a Maria Madalena: “Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.” (Soares [So]) Em 2 Coríntios 1:3 o apóstolo Paulo confirma essa relação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” Visto que Jesus tinha um Deus, seu Pai, ele não podia ao mesmo tempo ser esse Deus.

O apóstolo Paulo não tinha reservas quanto a falar de Jesus e de Deus como pessoas distintas uma da outra: “Para nós, contudo, existe um só Deus, o Pai . . . e um só Senhor, Jesus Cristo.” (1 Coríntios 8:6, BJ) O apóstolo mostra essa distinção ao usar a expressão “diante de Deus, de Cristo Jesus e dos anjos eleitos”. (1 Timóteo 5:21, BV) Assim como Paulo fala de Jesus e dos anjos como sendo distintos uns dos outros no céu, assim também o são Jesus e Deus.

As palavras de Jesus em João 8:17, 18 também são significativas. Ele diz: “Na vossa própria Lei está escrito: ‘O testemunho de dois homens é verdadeiro.’ Eu sou um que dá testemunho de mim mesmo, e o Pai que me enviou dá testemunho de mim.” Jesus mostra aqui que ele e o Pai, isto é, o Deus Todo-poderoso, têm de ser duas pessoas distintas, pois, senão, como haveria realmente duas testemunhas?

Jesus mostrou adicionalmente que ele era um ser à parte de Deus por dizer: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.” (Marcos 10:18, BJ) Assim, Jesus dizia que ninguém é tão bom como Deus, nem o próprio Jesus. Deus é bom dum modo que o distingue de Jesus.

 

Servo Submisso de Deus

REPETIDAS vezes Jesus fez declarações assim: “Não pode o Filho fazer nada por si mesmo se não vir o Pai fazê-lo.” (João 5:19, Missionários Capuchinhos [MC]) “Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 6:38) “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16) Não é aquele que envia superior ao que é enviado?

Essa relação fica clara na ilustração de Jesus a respeito de um vinhedo. Ele assemelhou Deus, seu Pai, ao dono do vinhedo, que viajou para o exterior e arrendou o vinhedo a lavradores, que representavam o clero judaico. Quando o dono do vinhedo mais tarde enviou um escravo para obter alguns frutos do vinhedo, os lavradores espancaram o escravo e o despacharam de mãos vazias. Daí o dono enviou outro escravo, e depois um terceiro, ambos os quais receberam o mesmo tratamento. Por fim, o dono disse: “Enviarei o meu filho [Jesus], o amado. É provável que respeitem a este.” Mas, os lavradores corruptos disseram: “‘Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança se torne nossa.’ Com isso lançaram-no fora do vinhedo e o mataram.” (Lucas 20:9-16) Jesus ilustrou assim a sua própria posição como alguém que fora enviado por Deus para fazer a vontade deste, assim como um pai envia um filho submisso.

Os seguidores de Jesus sempre o encararam como servo submisso de Deus, não como igual a Deus. Eles oraram a Deus a respeito de “teu santo servo Jesus, a quem ungiste . . . para se operarem curas, milagres e prodígios em nome do teu santo servo Jesus”. — Atos 4:23, 27, 30, MC.

 

Deus É Sempre Superior

BEM no início do ministério de Jesus, quando este saiu da água batismal, a voz de Deus do céu disse: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mateus 3:16, 17) Dizia Deus que ele mesmo era seu próprio filho, que ele aprovara a si mesmo, que enviara a si mesmo? Não, Deus, o Criador, dizia que, como superior, estava aprovando o inferior, seu Filho Jesus, para a obra à frente.

Jesus indicou que seu Pai é superior a ele ao dizer: “O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres.” (Lucas 4:18) Ungir é o ato de conferir autoridade, ou uma incumbência, da parte de um superior a alguém que ainda não tenha tal autoridade. Aqui Deus é claramente o superior, pois ungiu a Jesus, dando-lhe autoridade que este não tinha antes.

Jesus deixou claro a superioridade de seu Pai quando a mãe de dois discípulos lhe pediu que seus filhos se sentassem, um à direita de Jesus, e outro à sua esquerda, quando este fosse empossado no Reino. Jesus respondeu: “Sentar à minha direita e à minha esquerda, não cabe a mim concedê-lo; mas é para aqueles aos quais meu Pai o preparou”, isto é, Deus. (Mateus 20:23, BJ) Se Jesus fosse o Deus Todo-poderoso, seria de sua alçada conceder tais posições. Mas, Jesus não as podia conceder, pois isso cabia a Deus, e Jesus não era Deus.

As próprias orações de Jesus constituem um poderoso exemplo de sua posição inferior. Pouco antes de morrer, Jesus mostrou quem era seu superior, por orar: “Pai, se tu quiseres, remove de mim este copo. Não obstante, ocorra, não a minha vontade, mas a tua.” (Lucas 22:42) A quem orava ele? A uma parte de si mesmo? Não, ele orava a alguém inteiramente separado, seu Pai, Deus, cuja vontade era superior e poderia ser diferente da sua própria, sendo Ele o Único capaz de ‘remover este copo’.

Daí, à beira da morte, Jesus clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Marcos 15:34, BJ) A quem clamava Jesus? A si mesmo, ou a uma parte de si mesmo? Certamente, o brado “Deus meu”, não partia de alguém que considerava a si mesmo como sendo Deus. E, se Jesus fosse Deus, então, por quem teria sido ele abandonado? Por si próprio? Isto não faria sentido. Jesus disse também: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” (Lucas 23:46) Se Jesus fosse Deus, por que razão devia ele confiar seu espírito ao Pai?

Depois de morrer, Jesus ficou no túmulo por partes de três dias. Se ele fosse Deus, Habacuque 1:12 estaria errado ao dizer: “Ó meu Deus, meu Santo, tu não morres.” Mas a Bíblia diz que Jesus deveras morreu e ficou inconsciente no túmulo. E quem ressuscitou a Jesus? Se ele estivesse realmente morto, não poderia ressuscitar a si mesmo. Por outro lado, se não estivesse realmente morto, a sua pseudomorte não teria pago o preço de resgate pelo pecado de Adão. Mas, ele deveras pagou esse preço plenamente, por meio de sua morte real. Portanto, ‘Deus ressuscitou [a Jesus] por afrouxar as ânsias da morte’. (Atos 2:24) O superior, o Deus Todo-poderoso, levantou o menor, seu servo Jesus, da morte.

Será que a capacidade de Jesus de realizar milagres, tais como ressuscitar pessoas, indica que ele era Deus? Ora, os apóstolos e os profetas Elias e Eliseu também tinham esse poder, mas isso não fazia com que fossem mais do que homens. Deus deu o poder de realizar milagres aos profetas, a Jesus e aos apóstolos, a fim de mostrar que Ele os apoiava. Mas isso não tornou nenhum deles parte duma Divindade pluralizada.

 

O Conhecimento de Jesus Era Limitado

AO PROFERIR a sua profecia a respeito do fim deste sistema de coisas, Jesus declarou: “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu nem o Filho mas somente o Pai.” (Marcos 13:32, BV) Tivesse Jesus sido a parte igual do Filho numa Divindade, teria sabido o que o Pai sabia. Mas Jesus não sabia, pois não era igual a Deus.

Similarmente, em Hebreus 5:8 lemos que Jesus “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. Podemos imaginar Deus precisar aprender algo? Não, mas Jesus precisava, pois ele não sabia tudo o que Deus sabia. E ele tinha de aprender algo que Deus jamais precisaria aprender — a obediência. Deus jamais precisa obedecer a alguém.

Uma diferença entre o que Deus sabe e o que Cristo sabe também existia quando Jesus foi ressuscitado para o céu a fim de estar com Deus. Note as primeiras palavras no último livro da Bíblia: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu.” (Revelação [Apocalipse] 1:1, MC) Se o próprio Jesus fosse parte duma Divindade, teria sido necessário dar-lhe uma revelação oriunda de outra parte da Divindade — Deus? Por certo ele teria sabido tudo a respeito dessa revelação, pois Deus sabia. Mas Jesus não sabia, pois não era Deus.

 

Jesus Continua Subordinado

NA SUA existência pré-humana, e também quando esteve na terra, Jesus estava subordinado a Deus. Após a sua ressurreição, ele continuou a estar numa posição subordinada, secundária.

Falando sobre a ressurreição de Jesus, Pedro e aqueles que o acompanhavam disseram ao Sinédrio judaico: “Deus enalteceu a este [Jesus] . . . para a sua direita.” (Atos 5:31) Paulo disse: “Deus o enalteceu a uma posição superior.” (Filipenses 2:9) Se Jesus tivesse sido Deus, como poderia Jesus ter sido enaltecido, isto é, erguido a uma posição superior a que ele tinha antes? Ele já teria sido uma parte enaltecida da Trindade. Se, antes de seu enaltecimento, Jesus já tivesse sido igual a Deus, enaltecê-lo ainda mais o teria feito superior a Deus.

Paulo disse também que Cristo entrou “no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus a nosso favor”. (Hebreus 9:24, BJ) Se você comparecesse à presença de outra pessoa, como poderia você ser aquela mesma pessoa? Não poderia ser. Você teria de ser uma pessoa diferente e à parte.

Similarmente, pouco antes de ser morto por apedrejamento, o mártir Estêvão “fitou os olhos no céu e avistou a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus”. (Atos 7:55) Claramente, ele viu duas pessoas distintas — mas nenhum espírito santo, nenhuma Divindade trina.

No relato de Revelação 4:8 a Þ-Ü5:7, mostra-se Deus sentado no seu trono celestial, mas Jesus não. Este tem de se aproximar de Deus a fim de apanhar o rolo da Sua mão direita. Isto mostra que no céu Jesus não é Deus, mas é distinto dele.

Em harmonia com o precedente, o Bulletin of the John Rylands Library (Boletim da Biblioteca John Rylands), de Manchester, Inglaterra, diz: “Na sua vida celestial pós-ressurreição Jesus é representado como retendo uma individualidade pessoal em todo pormenor tão distinto e separado da pessoa de Deus, como tinha na sua vida na terra como o terreno Jesus. Ao lado de Deus, e comparado com Deus, ele aparece, deveras, como ainda outro ser celestial na corte celestial de Deus, assim como os anjos são — embora, como Filho de Deus, pertença a uma categoria diferente e ocupe uma posição bem acima da deles.” — Compare com Filipenses 2:11.

O Boletim diz também: “O que, porém, se diz a respeito de sua vida e funções qual Cristo celestial não significa nem sugere que na sua condição divina ele se encontre no mesmo nível do próprio Deus e seja plenamente Deus. Ao contrário, no quadro que o Novo Testamento apresenta de sua pessoa e de seu ministério celestiais, observamos um personagem tanto à parte de Deus como subordinado a ele.”

No futuro eterno no céu, Jesus continuará a ser uma pessoa à parte de Deus, um subordinado servo Seu. A Bíblia expressa isso do seguinte modo: “Depois será o fim, quando [Jesus, no céu] tiver entregado o reino a Deus e ao Pai . . . Então ainda o mesmo Filho estará sujeito àquele que sujeitou a ele todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todas as coisas.” — 1 Coríntios 15:24, 28, So.

 

Jesus Nunca Afirmou Ser Deus

O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28, So.

O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. Isto está sendo reconhecido por um crescente número de peritos. Como diz o Boletim da Rylands: “Deve-se encarar o fato de que a pesquisa do Novo Testamento ao longo dos, digamos, últimos trinta ou quarenta anos tem levado um crescente número de renomados peritos do Novo Testamento à conclusão de que Jesus . . . certamente nunca creu ser ele mesmo Deus.”

O Boletim disse também a respeito dos cristãos do primeiro século: “Quando, pois, eles atribuíram [a Jesus] títulos honoríficos tais como Cristo, Filho do homem, Filho de Deus e Senhor, estes eram maneiras de dizer, não que ele era Deus, mas sim que ele fez a obra de Deus.”

Assim, até mesmo alguns peritos religiosos admitem que o conceito de Jesus ser Deus é inteiramente contrário ao testemunho da Bíblia. Ali, Deus é sempre o superior, e Jesus é o servo subordinado.

‘A pesquisa do Novo Testamento têm levado um crescente número de peritos à conclusão de que Jesus certamente nunca creu ser ele mesmo Deus.’ — Boletim da Biblioteca John Rylands.

Jesus disse aos judeus: “Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” — João 6:38.

Quando Jesus clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” com certeza não cria ser ele mesmo Deus.

 

O Espírito Santo A Força Ativa de Deus

SEGUNDO a doutrina da Trindade, o espírito santo é a terceira pessoa de uma Divindade, igual ao Pai e ao Filho. Como diz o livro A Nossa Ortodoxa Cristã: “O Espírito Santo é totalmente Deus.”

Nas Escrituras Hebraicas, a palavra mais freqüentemente usada para “espírito” é Jahh, que significa “fôlego; vento; espírito”. Nas Escrituras Gregas, a palavra é pneúJma, com significado similar. Indicam estas palavras que o espírito santo é parte duma Trindade?

 

Uma Força Ativa

O USO que a Bíblia faz de “espírito santo” indica que se trata duma força controlada que Jeová Deus usa para realizar uma variedade de propósitos. Até certo ponto, pode ser comparada com a eletricidade, uma força que pode ser adaptada para realizar grande variedade de operações.

Em Gênesis 1:2 a Bíblia declara que a “força ativa de Deus [“espírito” (hebraico: Jahh)] movia-se por cima da superfície das águas”. Aqui, o espírito de Deus era sua força ativa, trabalhando para moldar a terra.

Deus usa seu espírito para esclarecer os que o servem. Davi orou: “Ensina-me a fazer a tua vontade, porque tu és o meu Deus. Teu espírito [Jahh] é bom; guie-me ele na terra da retidão.” (Salmo 143:10) Quando 70 homens capazes foram nomeados para ajudar a Moisés, Deus lhe disse: “Terei de tirar um pouco do espírito [Jahh] que há sobre ti e colocá-lo sobre eles.” — Números 11:17.

As profecias bíblicas foram registradas quando homens de Deus foram “movidos por espírito santo [no grego, de pneúJma]”. (2 Pedro 1:20, 21) Neste sentido a Bíblia foi “inspirada por Deus”, sendo que a palavra grega para isso é TheJóJpneuJstos, que significa “soprado por Deus”. (2 Timóteo 3:16) E o espírito santo guiou certas pessoas a terem visões ou sonhos proféticos. — 2 Samuel 23:2; Joel 2:28, 29; Lucas 1:67; Atos 1:16; 2:32, 33.

O espírito santo impeliu Jesus a ir ao deserto depois de seu batismo. (Marcos 1:12) O espírito era como fogo dentro dos servos de Deus, fazendo com que ficassem energizados por essa força. E isso os habilitou a falar destemida e corajosamente. — Miquéias 3:8; Atos 7:55-60; 18:25; Romanos 12:11; 1 Tessalonicenses 5:19.

Por meio de seu espírito, Deus executa seus julgamentos em homens e em nações (Isaías 30:27, 28; 59:18, 19) E o espírito de Deus pode alcançar toda parte, agindo quer a favor quer contra as pessoas. — Salmo 139:7-12.

 

“Poder Além do Normal”

O ESPÍRITO de Deus pode também suprir “poder além do normal” aos que servem a Deus. (2 Coríntios 4:7) Isto os habilita a suportar provações da fé ou fazer coisas que, de outra forma, não conseguiriam.

Por exemplo, sobre Sansão, Juízes 14:6 relata: “O espírito de Iahweh veio sobre ele e, sem nada ter nas mãos, despedaçou-o [o leão].” (BJ) Será que uma pessoa divina realmente ‘veio’ sobre Sansão, ou se apossou dele, manipulando seu corpo para fazer o que ele fez? Não, foi realmente “o Espírito do Deus Eterno que fez Sansão ficar forte”. — BLH.

A Bíblia diz que, quando Jesus foi batizado, desceu sobre ele espírito santo na aparência de uma pomba, não em forma humana. (Marcos 1:10) Esta força ativa de Deus capacitou Jesus a curar os doentes e a levantar os mortos. Como Lucas 5:17 diz: “E ele [Jesus] tinha um poder do Senhor [Deus] para operar curas.” — BJ.

O espírito de Deus também deu poderes aos discípulos de Jesus para fazerem coisas milagrosas. Atos 2:1-4 relata que os discípulos estavam reunidos em Pentecostes quando “repentinamente, ocorreu do céu um ruído, bem semelhante ao duma forte brisa impetuosa, . . . e todos eles ficaram cheios de espírito santo e principiaram a falar em línguas diferentes, assim como o espírito lhes concedia fazer pronunciação”.

Assim, o espírito santo deu a Jesus e a outros servos de Deus o poder para fazer o que seres humanos normalmente não podem fazer.

 

Não É Uma Pessoa

MAS, não há textos bíblicos que falam do espírito santo em termos pessoais? Sim, mas note o que o teólogo católico Edmund Fortman diz sobre isso em O Deus Trino: “Embora esse espírito seja amiúde descrito em termos pessoais, parece bem claro que os escritores sagrados [das Escrituras Hebraicas] jamais conceberam ou apresentaram este espírito como sendo uma pessoa distinta.”

Nas Escrituras não é incomum que algo seja personificado. Diz-se que a sabedoria tem filhos. (Lucas 7:35) O pecado e a morte são chamados de reis. (Romanos 5:14, 21) Em Gênesis 4:7, A The New English Bible (Nova Bíblia em Inglês [NE]) diz: “O pecado é um demônio de tocaia na porta”, personificando o pecado como espírito iníquo de tocaia nos passos de Caim. Mas, naturalmente, o pecado não é uma pessoa espiritual; personificar o espírito santo tampouco o torna uma pessoa espiritual.

Similarmente, em 1 João 5:6-8 (BLH) não apenas o espírito mas também “a água e o sangue” são mencionados como sendo “testemunhas”. Mas, a água e o sangue obviamente não são pessoas, e tampouco o espírito santo é uma pessoa.

Em harmonia com isso, há o uso comum que a Bíblia faz de “espírito santo” de modo impessoal, como, por exemplo, colocando-o num paralelo com água e fogo. (Mateus 3:11; Marcos 1:8) Insta-se às pessoas a ficarem cheias de espírito santo, em vez de de vinho. (Efésios 5:18) Fala-se delas como estando cheias de espírito santo do mesmo modo como estão cheias de qualidades como sabedoria, fé e alegria. (Atos 6:3; 11:24; 13:52) E, em 2 Coríntios 6:6, o espírito santo é incluído entre várias outras qualidades. Tais expressões não seriam tão comuns se o espírito santo fosse realmente uma pessoa.

Além do mais, ao passo que alguns textos bíblicos dizem que o espírito fala, outros textos mostram que isso era realmente feito através de seres humanos ou de anjos. (Mateus 10:19, 20; Atos 4:24, 25; 28:25; Hebreus 2:2) A ação do espírito nestes casos é comparável à de ondas de rádio que transmitem mensagens entre pessoas distantes uma da outra.

Em Mateus 28:19 faz-se referência ao “nome . . . do espírito santo”. Mas, a palavra “nome” nem sempre significa um nome pessoal, quer em grego quer em português. Quando falamos “em nome da lei”, não nos referimos a uma pessoa. Referimo-nos ao que a lei representa, sua autoridade. O Word Pictures in the New Testament (Quadros Verbais no Novo Testamento), de Robertson, diz: “O uso de nome (onoma) aqui é comum na Septuaginta e nos papiros para poder ou autoridade.” Assim, o batismo ‘em nome do espírito santo’ reconhece a autoridade do espírito, que é de Deus, e que opera pela vontade divina.

 

O “Ajudador”

JESUS falou do espírito santo como sendo “ajudador” e disse que este ensinaria, guiaria e falaria. (João 14:16, 26; 16:13) A palavra grega que ele usou para ajudador (paJJkleJtos) está no gênero masculino. Assim, quando Jesus se referiu ao que o ajudador iria fazer, ele usou pronomes no masculino. (João 16:7, 8) Por outro lado, quando se usa a palavra grega neutra para espírito (pneúJma), emprega-se apropriadamente um pronome neutro (por exemplo, “it” em inglês).

A maioria dos tradutores trinitaristas oculta este fato, como admite a New American Bible (Nova Bíblia Americana), católica, a respeito de João 14:17: “A palavra grega para ‘Espírito’ é neutra, e, ao passo que usamos pronomes pessoais em inglês (‘ele’, ‘seu’, ‘lhe’), a maioria dos MSS [manuscritos] gregos empregam ‘it’ [pronome neutro].”

Assim, quando a Bíblia usa pronomes masculinos em conexão com paJJkleJtos em João 16:7, 8, isto se harmoniza com regras de gramática, e não expressa uma doutrina.

 

Não É Parte Duma Trindade

VÁRIAS fontes reconhecem que a Bíblia não apóia a idéia de que o espírito santo seja a terceira pessoa duma Trindade. Por exemplo:

Enciclopédia Católica: “Em lugar algum do Velho Testamento encontramos indicação clara da existência duma Terceira Pessoa.”

Teólogo católico Fortman: “Os judeus jamais consideraram o espírito como sendo uma pessoa; tampouco existe evidência sólida de que qualquer escritor do Velho Testamento tivesse tido tal conceito. . . . O Espírito Santo é usualmente apresentado nos Sinópticos [Evangelhos] e em Atos como força ou poder divino.”

A Nova Enciclopédia Católica: “O V[elho] T[estamento] claramente não considera o espírito de Deus como pessoa . . . O espírito de Deus é simplesmente o poder de Deus. Se, às vezes, é representado como sendo distinto de Deus, é porque o fôlego de Yahweh age exteriormente.” Diz também: “A maioria dos textos do N[ovo] T[estamento] revelam o espírito de Deus como sendo algo, não alguém; isto se vê especialmente no paralelismo entre o espírito e o poder de Deus.” — O grifo é nosso.

A Catholic Dictionary (Dicionário Católico): “Como um todo, o Novo Testamento, bem como o Antigo, fala do espírito como sendo energia ou poder divino.”

Assim, nem os judeus e tampouco os cristãos primitivos encaravam o espírito santo como parte duma Trindade. Esse ensino surgiu séculos mais tarde. Como diz o Dicionário Católico: “A Terceira Pessoa foi asseverada num Concílio de Alexandria, em 362 . . . e finalmente pelo Concílio de Constantinopla, de 381” — cerca de três séculos e meio depois que os discípulos ficaram cheios de espírito santo em Pentecostes!

Não, o espírito santo não é uma pessoa, e tampouco parte duma Trindade. O espírito santo é a força ativa de Deus que ele usa para realizar a sua vontade. Não é igual a Deus, mas está sempre à sua disposição e subordinado a Ele.

“Como um todo, o Novo Testamento, bem como o Antigo, fala do espírito como sendo energia ou poder divino.” — Dicionário Católico.

Certa ocasião, o espírito santo apareceu em forma de pomba. Noutra, em forma de línguas de fogo — nunca em forma de pessoa.

 

Que Dizer Dos “Textos Que Provam” a Trindade?

AFIRMA-SE que alguns textos bíblicos fornecem prova em favor da Trindade. Contudo, ao ler tais textos, devemos ter em mente que a evidência bíblica e histórica não apóia a Trindade.

Qualquer referência bíblica apresentada como prova precisa ser entendida dentro do contexto do coerente ensino da Bíblia inteira. Muitíssimas vezes o verdadeiro significado de textos assim é esclarecido pelo contexto dos versículos circundantes.

Três em Um

A Nova Enciclopédia Católica apresenta três de tais “textos que provam”, mas também admite: “A doutrina da Santíssima Trindade não é ensinada no A[ntigo] T[estamento]. No N[ovo] T[estamento], a mais antiga evidência se encontra nas epístolas paulinas, especialmente 2 Cor 13.13 [versículo 14 em algumas Bíblias], e 1 Cor 12.4-6. Nos Evangelhos, a evidência da Trindade se encontra explicitamente apenas na fórmula batismal de Mt 28.19.”

Nesses versículos, as três “pessoas” são alistadas do seguinte modo em A Bíblia de Jerusalém. A Segunda aos Coríntios 13:13 (14) põe os três juntos da seguinte maneira: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” A Primeira aos Coríntios 12:4-6 diz: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos.” E Mateus 28:19 reza: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Dizem esses versículos que Deus, Cristo e o espírito santo constituem uma Divindade Trina, que os três são iguais em substância, poder e eternidade? Não, não dizem, assim como o fato de alistar três pessoas, como fulano, sicrano e beltrano não significa que sejam três em um.

Esse tipo de referência, admite a Cyclopedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature (Ciclopédia de Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica), de McClintock e Strong, “apenas prova que existem os três personagens mencionados, . . . mas não prova, em si mesmo, que todos os três pertençam necessariamente à natureza divina, e possuam igual honra divina”.

NOTA No Tempo Do Fim: Independentemente das interpretações dadas à este texto (Mat 28:19)  ficamos com as mais recentes descobertas - confirmada pela BJ em nota de rodapé - que afirmam que este texto é apócrifo, introduzido nas Sagradas Letras no ano de 196 EC por Euzébio!!! Isto esplicaria o porque de não termos nenhum batismo realizado segundo esta fórmula, no NT.

Embora apóie a Trindade, essa fonte diz sobre 2 Coríntios 13:13 (14): “Não podemos com justiça inferir que elas possuíam igual autoridade, ou a mesma natureza.” E sobre Mateus 28:18-20 diz: “Este texto, contudo, tomado isoladamente, não prova decisivamente nem a personalidade dos três personagens mencionados, nem a sua igualdade ou divindade.”

Quando Jesus foi batizado, Deus, Jesus e o espírito santo também foram mencionados no mesmo contexto. Jesus “viu o espírito de Deus descendo sobre ele como pomba”. (Mateus 3:16) Isto, porém, não diz que os três sejam um. Abraão, Isaque e Jacó são mencionados juntos numerosas vezes, mas isso não os torna um. Pedro, Tiago e João são mencionados juntos, o que tampouco os torna um. Ademais, o espírito de Deus desceu sobre Jesus por ocasião de seu batismo, indicando que Jesus não fora ungido com o espírito até aquele momento. Sendo assim, como poderia ele ser parte duma Trindade em que sempre fosse um com o espírito santo?

Outra referência que fala dos três juntos se encontra em algumas traduções bíblicas mais antigas, em 1 João 5:7. Os peritos reconhecem, porém, que estas palavras não se encontravam originalmente na Bíblia, mas foram adicionadas muito mais tarde. A maioria das traduções modernas corretamente omite a parte espúria desse versículo.

Outros “textos que provam” dizem respeito apenas à relação entre dois — o Pai e Jesus. Consideremos alguns deles.

 

“Eu e o Pai Somos Um”

ESTE texto, em João 10:30, é muitas vezes citado para apoiar a Trindade, embora não se mencione ali uma terceira pessoa. Mas o próprio Jesus mostrou o que quis dizer por ser “um” com o Pai. Em João 17:21, 22, ele orou a Deus em favor de seus discípulos, dizendo: “Que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, para que eles também estejam em união conosco, . . . a fim de que sejam um, assim como nós somos um.” Estava Jesus orando para que todos os seus discípulos se tornassem uma única pessoa? Não, Jesus obviamente orava para que fossem unidos em pensamento e em propósito, como ele e Deus eram. — Veja também 1 Coríntios 1:10.

Em 1 Coríntios 3:6, 8, Paulo diz: “Eu plantei, Apolo regou . . . Quem planta e quem rega é um só.” Paulo não queria dizer que ele e Apolo eram duas pessoas em uma; ele quis dizer que eles estavam unidos em propósito. A palavra grega que Paulo usou ali para “um” (hen) é neutra, literalmente “uma só (coisa)”, indicando unicidade de cooperação. É a mesma palavra que Jesus usou em João 10:30 para descrever a sua relação com o seu Pai. É também a mesma palavra usada por Jesus em João 17:21, 22. Assim, quando ele usou a palavra “um” (hen) nestes casos, ele falava a respeito de união de pensamento e de propósito.

A respeito de João 10:30, João Calvino (que era trinitarista) disse no livro Commentary on the Gospel According to John (Comentário do Evangelho Segundo João): “Os antigos usaram mal essa passagem para provar que Cristo é . . . da mesma essência que o Pai. Pois Cristo não argumenta a respeito da unidade em substância, mas sim a respeito do estado de concordância dele com o Pai.”

No próprio contexto dos versículos depois de João 10:30, Jesus enfaticamente argumentou que as suas palavras não eram uma afirmação de que ele era Deus. Ele perguntou aos judeus que erroneamente tiraram essa conclusão e queriam apedrejá-lo: “Como dizeis de quem o Pai santificou e enviou ao mundo: ‘Blasfemas!’ porque eu disse: ‘Sou Filho de Deus’?” (João 10:31-36, BV) Não, Jesus não afirmou que ele era Deus, mas sim o Filho de Deus.

 

“Fazendo-se Igual a Deus”?

OUTRO texto apresentado em apoio da Trindade é João 5:18. Diz que os judeus (como em João 10:31-36) queriam matar Jesus porque “também chamava a Deus de seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”.

Mas, quem disse que Jesus estava fazendo-se igual a Deus? Não foi Jesus. Ele se defendeu contra essa falsa acusação logo no versículo seguinte (ÞJoão 5:Ü19): “Retomando a palavra, Jesus lhes disse: ‘ . . . o Filho, por si mesmo, nada pode fazer mas só aquilo que vê o Pai fazer.’” — BJ.

Com isso, Jesus mostrou aos judeus que ele não era igual a Deus e que, por conseguinte, não podia agir por iniciativa própria. Podemos imaginar alguém igual ao Deus Todo-poderoso dizer que, “por si mesmo, nada pode fazer”? (Compare com Daniel 4:34, 35.) É curioso que o contexto tanto de João 5:18 como de ÞJoãoÜ 10:30 mostra que Jesus se defendeu contra acusações falsas de judeus que, como os trinitaristas, estavam tirando falsas conclusões!

 

“Igual a Deus”?

EM FILIPENSES 2:6 a católica Douay Version (Versão Douay [Dy]), de 1609, diz a respeito de Jesus: “O qual, sendo em forma de Deus, achou não ser roubo ser igual a Deus.” A King James Version (Versão Rei Jaime [KJ]), de 1611, diz basicamente o mesmo. Várias traduções similares ainda são usadas por alguns para apoiar a idéia de que Jesus era igual a Deus. Mas, note como outras versões traduziram esse versículo:

1869: “o qual, sendo em forma de Deus, não achou que ter igualdade com Deus fosse algo de que devesse apossar-se.” The New Testament, de G. R. Noyes.

1965: “Ele — realmente de natureza divina! — nunca se fez, com auto-confiança, igual a Deus.” Das Neue Testament, edição revisada, de Friedrich Pfäfflin.

1968: “o qual, embora sendo em forma de Deus, não achou que ser igual a Deus fosse algo do que gananciosamente se apoderar.” La Bibbia Concordata.

1973: “Ele sempre teve a mesma natureza de Deus, mas não tentou ser, pela força, igual a Deus.” A Bíblia na Linguagem de Hoje.

1985: “O qual, sendo em forma de Deus, não achou que a igualdade com Deus fosse algo do que se apossar.” The New Jerusalem Bible.

1986: “o qual, embora existisse em forma de Deus, não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus.” Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

Contudo, alguns afirmam que até mesmo essas traduções mais exatas significam que (1) Jesus já tinha igualdade, mas não desejava retê-la, ou que (2) ele não necessitava usurpar a igualdade porque já a tinha.

Sobre isso, Ralph Martin, em The Epistle of Paul to the Philippians (A Epístola de Paulo aos Filipenses), diz a respeito do grego original: “É questionável, porém, se o sentido do verbo pode desviar de seu sentido real de ‘usurpar’, ‘arrebatar violentamente’, para o de ‘reter com firmeza’.” The Expositor’s Greek Testament (Testamento Grego do Expositor) diz também: “Não encontramos passagem alguma em que Ärp©zw [harJJzo] ou qualquer um de seus derivativos tenha o sentido de ‘conservar a posse’, ‘reter’. Parece invariavelmente significar ‘usurpar’, ‘arrebatar violentamente’. Assim, não é permissível desviar o verdadeiro sentido de ‘apossar-se de’ para o sentido totalmente diferente de ‘reter’.”

Do acima fica evidente que os tradutores de versões como a Douay e a Rei Jaime violam as regras para apoiar objetivos trinitaristas. Longe de dizer que Jesus achava ser apropriado ser igual a Deus, o grego, em Filipenses 2:6, ao ser lido objetivamente, mostra justamente o contrário, isto é, que Jesus não achava que isso era apropriado.

O contexto dos versículos circundantes (ÞFilipenses 2Ü 3-5, 7, 8, Dy) esclarece como o ÞFilipenses 2 versículo 6 deve ser entendido. Instou-se aos filipenses: “Em humildade, que cada um considere os outros melhores do que a si mesmo.” Daí, Paulo usa Cristo como notável exemplo dessa atitude: “Exista em vós esta mente, que também existia em Cristo Jesus.” Que “mente”? ‘Achar não ser roubo ser igual a Deus’? Não, isso seria exatamente o contrário do argumento que estava sendo apresentado! Ao contrário, Jesus, que ‘reputava a Deus como sendo melhor do que ele’, jamais ‘se apossaria da igualdade com Deus’, mas, em vez disso, “humilhou-se, tornando-se obediente até a morte”.

Por certo, não se poderia dizer isso a respeito de uma parte do Deus Todo-poderoso. Falava-se a respeito de Jesus Cristo, que ilustrou com perfeição o argumento de Paulo ali — a saber, a importância da humildade e da obediência àquele que é o Superior e Criador, Jeová Deus.

 

“Eu Sou”

EM JOÃO 8:58, várias traduções, como A Bíblia de Jerusalém, apresentam Jesus como dizendo: “Antes que Abraão existisse, EU SOU.” Ensinava Jesus ali, como afirmam os trinitaristas, que ele era conhecido pelo título “Eu Sou”? E, como afirmam, significa isso que ele era o Jeová das Escrituras Hebraicas, visto que a versão Almeida (Al) diz em Êxodo 3:14: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU”?

Em Êxodo 3:14 (Al) a expressão “EU SOU” é usada como título para Deus, para indicar que ele realmente existia e que cumpriria o que prometera. O The Pentateuch and Haftorahs (O Pentateuco e as Haftorás), editado pelo Dr. J. H. Hertz, diz sobre essa expressão: “Para os israelitas em cativeiro, o significado seria ‘Embora Ele ainda não tenha demonstrado Seu poder para convosco, Ele assim o fará; Ele é eterno e certamente vos redimirá.’ A maioria dos [tradutores] modernos segue Rashi [comentarista francês da Bíblia e do Talmude] ao traduzir [Êxodo 3:14] ‘Eu serei o que eu serei’.”

A expressão em João 8:58 é muito diferente daquela usada em Êxodo 3:14. Jesus não a usou como nome ou título, mas sim como maneira de explicar a sua existência pré-humana. Assim, note como outras traduções bíblicas vertem João 8:58:

1869: “Desde antes de Abraão existir, eu tenho existido.” The New Testament, de G. R. Noyes.

1935: “Eu já existia antes de Abraão nascer!” The Bible—An American Translation, de J. M. P. Smith e E. J. Goodspeed.

1965: “Antes de Abraão ter nascido, eu já era aquele que eu sou.” Das Neue Testament, de Jörg Zink.

1978: “Antes de Abraão nascer, já eu era aquele que sou.” O Novo Testamento, Interconfessional.

1986: “Antes de Abraão vir à existência, eu tenho sido.” Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

Assim, a verdadeira idéia do grego usado aqui é que o “primogênito” de Deus, Jesus, que foi criado, já existia muito antes de Abraão nascer. — Colossenses 1:15; Provérbios 8:22, 23, 30; Revelação (Apocalipse) 3:14.

De novo, o contexto mostra que esse é o entendimento correto. Nessa ocasião, os judeus queriam apedrejar a Jesus por este ter afirmado ‘ter visto a Abraão’, ainda que, como disseram, ele ainda não tivesse 50 anos de idade. (Versículo 57 Þde João 8Ü) A resposta natural de Jesus seria dizer a verdade a respeito de sua idade. Assim, ele disse, com naturalidade, que “antes de Abraão nascer, já eu era aquele que sou.” — O Novo Testamento, Interconfessional.

 

“A Palavra Era Deus”

EM JOÃO 1:1, a versão Almeida diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Os trinitaristas afirmam que isso significa que “o Verbo” [ou, “a Palavra”] (grego: ho Jgos) que veio à terra como Jesus Cristo era o próprio Deus Todo-poderoso.

Note, porém, que novamente neste caso o contexto estabelece a base para o entendimento correto. Até mesmo a versão Almeida diz: “O Verbo estava com Deus.” (O grifo é nosso.) Alguém que está “com” outra pessoa não pode ser ao mesmo tempo aquela outra pessoa. De acordo com isso, a Journal of Biblical Literature (Revista de Literatura Bíblica), editada pelo jesuíta Joseph A. Fitzmyer, observa que se a última parte de João 1:1 fosse interpretada como significando “o” Deus, isso “contradiria a expressão anterior” que diz que a Palavra [ou, o Verbo] estava com Deus.

Note, também, como outras versões traduziram esta parte do versículo:

1808: “e a palavra era um deus.” The New Testament in an Improved Version, Upon the Basis of Archbishop Newcome’s New Translation: With a Corrected Text.

1864: “e um deus era a palavra.” The Emphatic Diaglott, versão interlinear, de Benjamin Wilson.

1928: “e a Palavra era um ser divino.” La Bible du Centenaire, L’Evangile selon Jean, de Maurice Goguel.

1935: “e a Palavra era divina.” The Bible—An American Translation, de J. M. P. Smith e E. J. Goodspeed.

1946: “e a Palavra era de espécie divina.” Das Neue Testament, de Ludwig Thimme.

1950: “e a Palavra era [um] deus.” Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs.

1958: “E a Palavra era um Deus.” The New Testament, de James L. Tomanek.

1975: “e um deus (ou: da espécie divina) era a Palavra.” Das Evangelium nach Johannes, de Siegfried Schulz.

1978: “e da sorte semelhante a Deus era o Logos.” Das Evangelium nach Johannes, de Johannes Schneider.

Em João 1:1 ocorre duas vezes o substantivo grego the·ós (deus). A primeira ocorrência se refere ao Deus Todo-poderoso, com quem a Palavra estava (“e a Palavra [Jgos] estava com Deus [uma forma de theJós]”). Este primeiro theJós é precedido pela palavra ton (o), uma forma do artigo definido grego que aponta para uma identidade distinta, neste caso o Deus Todo-poderoso (“e a Palavra estava com o Deus”).

Por outro lado, não existe artigo antes do segundo theJós, em João 1:1. Assim, uma tradução literal seria “e deus era a Palavra”. Todavia, temos visto que muitas versões traduzem este segundo theJós (um substantivo predicativo) como “divino”, “semelhante a Deus”, ou “um deus”. Com que autoridade fazem isso?

A língua grega coiné tinha artigo definido (“o”), mas não tinha artigo indefinido (“um”). Assim, quando um substantivo predicativo não é precedido por artigo definido, pode ser indefinido, dependendo do contexto.

A Revista de Literatura Bíblica diz que expressões “com um predicativo anartro [sem artigo] precedendo ao verbo, têm primariamente sentido qualificativo”. Como diz a Revista, isto indica que o Jgos pode ser assemelhado a um deus. Diz também a respeito de João 1:1: “A força qualitativa do predicado se destaca tanto que o substantivo [theJós] não pode ser considerado como determinativo.”

Assim, João 1:1 destaca a qualidade da Palavra, que ela era “divina”, “semelhante a deus”, “um deus”, mas não o Deus Todo-poderoso. Isto se harmoniza com o restante da Bíblia, que mostra que Jesus, ali chamado de “a Palavra” em seu papel de Porta-voz de Deus, era um subordinado obediente enviado à terra por seu Superior, o Deus Todo-poderoso.

Há muitos outros versículos bíblicos nos quais quase todos os tradutores em outras línguas coerentemente inserem o artigo “um” ao traduzirem sentenças gregas com a mesma estrutura. Por exemplo, em Marcos 6:49, quando os discípulos viram Jesus andar sobre a água, a versão Almeida, atualizada (ALA), diz: “Pensaram tratar-se de um fantasma.” No grego coiné não existe “um” antes de fantasma. Mas, quase todas as traduções em outras línguas acrescentam “um” para que a tradução se ajuste ao contexto. Do mesmo modo, visto que João 1:1 mostra que a Palavra estava com “Deus”, a Palavra não podia ser Deus, mas sim “um deus”, ou “divina”.

Joseph Henry Thayer, teólogo e perito que trabalhou na American Standard Version (Versão Padrão Americana), diz simplesmente: “O Logos era divino, não o próprio Ser divino.” E o jesuíta John L. McKenzie escreveu em seu Dictionary of the Bible (Dicionário da Bíblia): “Jo 1:1 deve rigorosamente ser traduzido . . . ‘a palavra era um ser divino’.”

 

Violando Uma Regra?

ALGUNS afirmam, porém, que tais traduções violam uma regra da gramática do grego coiné publicada pelo perito em grego E. C. Colwell, em 1933. Ele afirmou que em grego o substantivo predicativo “tem o artigo [definido] quando segue ao verbo; não tem o artigo [definido] quando precede ao verbo”. Com isso ele quis dizer que um substantivo predicativo que precede o verbo deve ser entendido como se tivesse o artigo definido (“o”) na frente dele. Em João 1:1 o segundo substantivo (theJós), o predicado, precede o verbo — “e [theJós] era a Palavra”. Assim, afirmou Colwell, João 1:1 deve rezar “e [o] Deus era a Palavra”.

Mas, considere apenas dois exemplos encontrados em João 8:44. Ali Jesus disse a respeito do Diabo: “Esse foi um homicida” e ele “é um mentiroso”. Assim como em João 1:1, os substantivos predicativos (“homicida” e “mentiroso”) precedem os verbos (“foi” e “é”) no grego. Não existe artigo indefinido na frente desses substantivos porque não havia artigo indefinido no grego coiné. Mas a maioria das traduções insere a palavra “um” [expressa ou subentendida] porque a gramática grega e o contexto o exigem. — Veja também Marcos 11:32; João 4:19; 6:70; 9:17; 10:1; 12:6.

Colwell teve de reconhecer isso a respeito do substantivo predicativo, pois ele disse: “É indefinido [“um”] nessa colocação apenas quando o contexto o exige.” Assim, ele mesmo admite que quando o contexto o exige, os tradutores podem inserir um artigo indefinido na frente do substantivo nesse tipo de construção de frase.

Exige o contexto um artigo indefinido [expresso ou subentendido] em João 1:1? Sim, pois o testemunho da inteira Bíblia é que Jesus não é o Deus Todo-poderoso. Assim, não a questionável regra gramatical de Colwell, mas sim o contexto deve guiar o tradutor nestes casos. E, o fato de que muitas traduções [em outras línguas] inserem o artigo indefinido “um” em João 1:1 e em outros lugares, torna evidente que muitos peritos discordam com tal regra artificial, como também o faz a Palavra de Deus.

 

Não Conflito

SERÁ que dizer que Jesus Cristo é “um deus” se conflita com o ensino bíblico de que existe um único Deus? Não, pois às vezes a Bíblia emprega esse termo para referir-se a criaturas poderosas. O Salmo 8:5 diz: “Também passaste a fazê-lo [o homem] um pouco menor que os semelhantes a Deus [hebraico: 'eloJhím]”, isto é, anjos. Na defesa de Jesus contra a acusação dos judeus, de que ele afirmava ser Deus, ele notou que a Lei “chama de deuses aqueles aos quais a palavra de Deus foi dirigida”, isto é, a juízes humanos. (João 10:34, 35, BJ; Salmo 82:1-6) Até mesmo Satanás é chamado de “o deus deste sistema de coisas”, em 2 Coríntios 4:4.

Jesus tem uma posição bem superior à de anjos, homens imperfeitos, ou Satanás. Visto que estes são chamados de “deuses”, poderosos, certamente Jesus pode ser e é “um deus”. Por causa de sua posição ímpar em relação a Jeová, Jesus é um “Deus Poderoso”. — João 1:1; Isaías 9:6.

Mas, não indica “Deus Poderoso”, com iniciais maiúsculas, que Jesus é em algum sentido igual a Jeová Deus? De modo algum. Isaías meramente profetizou que esse seria um dos quatro nomes pelos quais Jesus seria chamado, e na língua portuguesa tais nomes são escritos com iniciais maiúsculas. Ainda assim, embora Jesus fosse chamado de “Poderoso”, pode haver apenas um só “Todo-poderoso”. Chamar a Jeová Deus de “Todo-poderoso” pouco significaria se não existissem outros que também são chamados de deuses, que, no entanto, ocupam uma posição inferior.

O Boletim da Biblioteca John Rylands, da Inglaterra, diz que, segundo o teólogo católico Karl Rahner, ao passo que theJós é usado em textos como João 1:1 com referência a Cristo, “em nenhum desses exemplos ‘theos’ é usado de tal modo que identifique Jesus com aquele que em todas as outras partes no Novo Testamento aparece como ‘ho Theos’, isto é, o Deus Supremo”. E o Boletim acrescenta: “Se os escritores do Novo Testamento criam que fosse vital que o fiel devesse confessar a Jesus como ‘Deus’, será que a quase total ausência de justamente essa forma de confissão no Novo Testamento é explicável?”

Mas, que dizer da exclamação do apóstolo Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”, feita a Jesus, em João 20:28? Para Tomé, Jesus era como “um deus”, especialmente nas circunstâncias miraculosas que provocaram essa sua exclamação. Alguns peritos sugerem que Tomé talvez estivesse simplesmente fazendo uma exclamação emocional de assombro, falando a Jesus, mas dirigindo-se a Deus. Seja como for, Tomé não pensava que Jesus fosse o Deus Todo-poderoso, pois ele e todos os outros apóstolos sabiam que Jesus jamais afirmou ser Deus, mas ensinou que apenas Jeová é “o único Deus verdadeiro”. — João 17:3.

De novo, o contexto ajuda-nos a entender isso. Alguns dias antes, o ressuscitado Jesus havia dito a Maria Madalena que dissesse aos discípulos: “Eu ascendo para junto de meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus.” (João 20:17) Apesar de que Jesus já tivesse sido ressuscitado como poderoso espírito, Jeová ainda era seu Deus. E Jesus continuou a referir-se a Ele como tal, mesmo no último livro da Bíblia, depois que foi glorificado. — Revelação 1:5, 6; 3:2, 12.

Apenas três versículos depois da exclamação de Tomé, em João 20:31, a Bíblia esclarece adicionalmente o assunto, dizendo: “Estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”, não o Deus Todo-poderoso. E a Bíblia quer dizer “Filho” em sentido literal, como no caso de um pai e seu filho, não como uma misteriosa parte duma Divindade Trina.

 

Precisa Harmonizar-se com a Bíblia

AFIRMA-SE que vários outros textos bíblicos apóiam a Trindade. Mas, estes são similares aos considerados acima, no sentido de que, quando examinados cuidadosamente, não oferecem apoio real algum. Tais textos apenas ilustram que, ao se considerar algum pretenso apoio à Trindade, deve-se perguntar: Harmoniza-se a interpretação com o coerente ensino da Bíblia inteira — de que apenas Jeová Deus é Supremo? Se não, a interpretação deve estar errada.

Também temos de ter em mente que nem mesmo um único dos “textos que provam” a Trindade dizem que Deus, Jesus e o espírito santo são um em alguma Divindade misteriosa. Nenhum texto em qualquer parte na Bíblia diz que os três têm a mesma substância, poder e eternidade. A Bíblia é coerente em revelar o Deus Todo-poderoso, Jeová, como único Supremo, Jesus como seu Filho criado, e o espírito santo como a força ativa de Deus.

Os antigos usaram mal [João 10:30] para provar que Cristo é . . . da mesma essência que o Pai.” — Comentário do Evangelho Segundo João, de João Calvino.

Alguém que está “com” outra pessoa não pode ao mesmo tempo ser aquela outra pessoa.

“O Logos era divino, não o próprio Ser divino.” — Joseph Henry Thayer, perito bíblico.

Jesus orou a Deus para que seus discípulos fossem ‘todos um’, assim como ele e seu Pai ‘são um’.

Jesus mostrou aos judeus que ele não era igual a Deus por dizer que ‘nada podia fazer por si mesmo, mas apenas o que via o Pai fazer’.

Visto que a Bíblia chama humanos, anjos, e até mesmo Satanás de “deus[es]”, ou poderoso[s], o superior Jesus no céu pode corretamente ser chamado de “deus”.

 

Adore a Deus Segundo os Termos Dele

JESUS disse em oração a Deus: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) Que tipo de conhecimento? A “vontade [de Deus] é que toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade”. (1 Timóteo 2:4) A The Amplified Bible (A Bíblia Ampliada) traduz assim a última frase: “Conheçam precisa e corretamente a Verdade [divina].”

Portanto, Deus deseja que conheçamos a ele e a seus propósitos com exatidão, em conformidade com a verdade divina. E a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, é a fonte dessa verdade. (João 17:17; 2 Timóteo 3:16, 17) Quando as pessoas aprendem com exatidão o que a Bíblia diz sobre Deus, evitam ser iguais àqueles mencionados em Romanos 10:2, 3, que ‘tinham zelo de Deus, mas não segundo o conhecimento exato’. Ou como os samaritanos, a quem Jesus disse: “Adorais o que não conheceis.” — João 4:22.

Por conseguinte, se desejarmos a aprovação de Deus, temos de perguntar a nós mesmos: O que Deus diz a respeito de si mesmo? Como ele deseja ser adorado? Quais são os seus propósitos, e como devemo-nos enquadrar neles? O conhecimento exato da verdade nos dá as respostas corretas a essas perguntas. Daí podemos adorar a Deus segundo os seus termos.

 

Uma Desonra a Deus

“HONRAREI os que me honrarem”, disse Deus. (1 Samuel 2:30) Será que honra a Deus chamar a alguém de Seu igual? Honra a ele chamar Maria de “mãe de Deus” e “Mediadora . . . entre o Criador e Suas criaturas”, como faz a Nova Enciclopédia Católica? Não, idéias assim insultam a Deus. Não existe alguém que lhe seja igual; tampouco teve ele uma mãe carnal, visto que Jesus não era Deus. E não existe “Mediadora”, pois Deus designou apenas “um só mediador entre Deus e homens”, Jesus. — 1 Timóteo 2:5; 1 João 2:1, 2.

Sem dúvida, a doutrina da Trindade confundiu e diluiu o entendimento das pessoas a respeito da verdadeira posição de Deus. Ela impede que as pessoas conheçam com exatidão o Soberano Universal, Jeová Deus, e o adorem segundo os Seus termos. Como disse o teólogo Hans Küng: “Por que deveria alguém querer acrescentar algo à noção da unicidade e da imparidade de Deus que possa apenas diluir ou anular tal unicidade e imparidade?” Mas é justamente isso o que a crença na Trindade tem feito.

Os que crêem na Trindade não estão ‘retendo Deus com um conhecimento exato’. (Romanos 1:28) Esse versículo também diz: “Deus entregou-os a um estado mental reprovado, para fazerem as coisas que não são próprias.” Os versículos 29 a Þ-Ü31 Þde Rom. 1Ü alistam algumas das coisas ‘impróprias’, como ‘assassínio, rixa, ser pérfido nos acordos, não ter afeição natural, ser desapiedado’. Justamente tais coisas têm sido praticadas por religiões que aceitam a Trindade.

Por exemplo, os trinitaristas não raro perseguiram, e até mesmo mataram, os que rejeitavam a doutrina da Trindade. E foram até mesmo mais além. Eles têm matado co-trinitaristas em tempos de guerra. O que poderia ser mais ‘impróprio’ do que católicos matarem católicos, ortodoxos matarem ortodoxos e protestantes matarem protestantes — tudo em nome do mesmo Deus trino?

Todavia, Jesus disse claramente: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) A Palavra de Deus vai mais além, dizendo: “Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não está praticando a justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama seu irmão.” Ela compara os que matam seus irmãos espirituais a “Caim, que se originou do iníquo [Satanás] e que matou a seu irmão”. — 1 João 3:10-12.

Assim, o ensino de confusas doutrinas a respeito de Deus tem levado a ações que violam as Suas leis. Deveras, o que tem acontecido em toda a cristandade é aquilo que disse o teólogo dinamarquês Søren Kierkegaard: “A cristandade acabou com o cristianismo sem se aperceber disso.”

A condição espiritual da cristandade ajusta-se ao que escreveu o apóstolo Paulo: “Eles declaram publicamente que conhecem a Deus, mas repudiam-no pelas suas obras, porque são detestáveis, e desobedientes, e não aprovados para qualquer sorte de boa obra.” — Tito 1:16.

Em breve, quando Deus acabar com o atual sistema de coisas, a cristandade trinitarista será chamada às contas. E ela será julgada adversamente por causa de suas ações e doutrinas que desonram a Deus. — Mateus 24:14, 34; 25:31-34, 41, 46; Revelação (Apocalipse) 17:1-6, 16; 18:1-8, 20, 24; 19:17-21.

 

Rejeite a Trindade

NÃO pode haver transigência para com as verdades de Deus. Assim, adorar a Deus segundo os Seus próprios termos significa rejeitar a doutrina da Trindade. Ela contradiz o que os profetas, Jesus, os apóstolos e os cristãos primitivos criam e ensinavam. Contradiz o que Deus diz sobre si mesmo em sua própria Palavra inspirada. Assim, ele aconselha: “Reconheçam que só eu sou Deus, que não há nenhum outro como eu.” — Isaías 46:9, BLH.

Não serve aos interesses de Deus fazê-lo parecer confuso e misterioso. Ao contrário, quanto mais confusas as pessoas ficam a respeito de Deus e de Seus propósitos, melhor é para o Adversário de Deus, Satanás, o Diabo, o ‘deus deste mundo’. É ele quem promove tais doutrinas falsas para ‘cegar a mente dos incrédulos’. (2 Coríntios 4:4) E a doutrina da Trindade serve também aos interesses de clérigos que querem manter o seu domínio sobre o povo, pois fazem parecer que somente os teólogos podem entendê-la. — Veja João 8:44.

O conhecimento exato sobre Deus traz grande alívio. Liberta-nos de ensinamentos que se conflitam com a Palavra de Deus e de organizações que apostataram. Como disse Jesus: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” — João 8:32.

Por honrar a Deus qual supremo, e por adorá-lo segundo os Seus termos, podemos evitar receber o julgamento que ele em breve executará contra a cristandade apóstata. Em vez disso, podemos aguardar o favor de Deus quando este sistema acabar: “O mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” — 1 João 2:17.

Esta escultura de séculos de existência, na França, representa a coroação da “virgem” Maria pela Trindade. A crença na Trindade levou à veneração de Maria como “Mãe de Deus”.

 

Viva Para Sempre no Paraíso na Terra

Deus promete vida eterna para os que o honram. “Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre”, garante-nos a Sua Palavra. — Salmo 37:29.

Todavia, para estar entre os “justos”, você precisa fazer mais do que apenas informar-se sobre o ensino da Trindade. É necessário progredir em conhecimento sobre Deus, e o livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra o ajudará neste respeito. Ele não somente responde à pergunta vital: Quem É Deus?, como também explica por que Deus tem permitido a iniqüidade, o que acontece na morte, como o Reino de Deus fará desta terra um paraíso, e o que se deve fazer para viver ali para sempre.

As suas 256 páginas, de tamanho grande, estão repletas de mais de 150 ilustrações didáticas, a maioria delas em belas cores.

Desejo conhecer melhor a Bíblia. Gostaria de ser visitado por uma Testemunha de Jeová, sem compromisso. O dia da semana mais conveniente para isso é ____________________________  às ____________ horas.

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