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A Purificação do Santuário!

INTERPRETANDO ALGUNS CAPÍTULOS DE DANIEL

Um texto fora do contexto gera um pretexto”.

As porções históricas e proféticas de Daniel nos levam a um tempo em que os reinos de Judá e Israel não mais existiam. Seus habitantes, ou foram mortos, ou foram levados cativos para Babilônia. Quanto aos reis, os três últimos (Jeoiaquim, Joaquim e Zedequias) viviam no cativeiro babilônico. O santuário, por sua vez, fora destruído e seus utensílios transportados para a capital do império de Nabucodonosor.

Assim viviam Daniel e seus amigos: um povo sem reino (II Reis 25:21), sem rei (II Reis 25:6 e 7) e sem santuário (II Reis 25:8 e 9). Até os sacerdotes Seraías e Sofonias tinham sido assassinados (II Reis 25:18 e 21). Eis a suma da calamidade feita por Esdras.

Esdras 9:7 -Desde os dias de nossos pais até hoje, estamos em grande culpa e, por causa das nossas iniqüidades, fomos entregues, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes, nas mãos dos reis de outras terras e sujeitos à espada, ao cativeiro, ao roubo e à ignomínia, como hoje se vê”.

É por isso que o tema central de Daniel é restauração.

ü       Daniel 2 aborda a restauração do reino.

ü       Daniel 7 trata da restauração do rei.

ü       Os capítulos 8 e 9 revelam a restauração do santuário e do sacerdócio contínuo.

I. A restauração do reino

Não estou falando do retorno dos israelitas à terra de Canaã predito pelo profeta Jeremias (Daniel 9:2; Jeremias 29:10; 25:8-12), e cumprido por Ciro (II Crônicas 36:22 e 23; Esdras 1:1-3). Refiro-me à restauração do reino eterno de Cristo nesta terra, à restauração do jardim do Éden.

Uma leitura sem pressa do sonho de Nabucodonosor (Daniel 2) revela preciosas verdades:

          Cabeça de ouro: Babilônia (Nabucodonosor).

          Peito e braços de prata: Média e a Pérsia (Ciro).

          Ventre e quadris de bronze: Grécia (Alexandre).

          Pernas de ferro: Império romano (César).

          Pés em parte de ferro e em parte de barro: Um reino dividido.

          Pedra: o reino eterno de Cristo.

O que aprendi durante o estudo semanal da lição da escola sabatina – quarto trimestre de 2004 – sobre o livro de Daniel?

A) Primeira lição: Todos os reinos humanos são transitórios (Daniel 2:37-40); somente o reino eterno de Cristo é eterno (Daniel 2:44).

Ou seja, Nabucodonosor, Ciro, Alexandre – o grande e César seguiram o caminho de todos os reis.

Isaías 14:18 -Todos os reis das nações, sim, todos eles, jazem com honra, cada um, no seu túmulo”.

Esses mortais, outrora glorificados, passaram. Seus impérios perderam a imponência. E depois do minuto de fama, juntamente com José Sarney, Itamar Franco e FHC se tornaram meros personagens transitórios dessa fabulosa história da humanidade. John Kennedy, Jimmy Carter, Ronald Reagan, George Bush e Bill Clinton também cumpriram seus papéis.

Olhando retrospectivamente, o Dr. Siegfried J. Schwantes afirma que “os impérios que ocuparam sucessivamente o palco da história e deixaram sua marca, não passam de etapas preliminares que precedem o estabelecimento do reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo” – O que nos ensina o livro de Daniel, Revista Adventista, abril/1984, página 39.

Nabucodonosor fez de conta que não entendeu a interpretação. Rejeitou a opinião de Deus, mandou confeccionar uma estátua toda de ouro (Daniel três) e buscou adoradores de suas idéias. No entanto, sua fornalha ardente não queimou apenas os capangas do rei (Daniel 3:20-22); queimou também sua língua e o obrigou a confessar:

Daniel 4:2 e 3 -  “Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo. Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O seu reino é reino sempiterno, e o seu domínio, de geração em geração”.

B) Segunda lição: Existe um controle celestial nas eleições dos governantes ou administradores transitórios dos reinos humanos.

Antes de revelar o sonho de Nabucodonosor, Daniel revelou quem era o seu Deus.

Daniel 2:21 -  “É ele quem muda os tempos e as estações, remove reis e estabelece reis...”.

Que ousadia! O recado divino não deixava margem para uma segunda interpretação: “Deus é o eleitor que decide as eleições”.

Antes que alguém levante objeções à Bíblia, proponho a análise de alguns casos citados na palavra de Deus.

Caso nº 1: Nabucodonosor. 

Daniel 2:37 e 38 - “Tu, ó rei, és rei de reis, a quem o Deus do céu tem dado o reino, o poder, a força e a glória; e em cujas mãos ele entregou os filhos dos homens, onde quer que habitem, os animais do campo, e as aves do céu, e te fez reinar sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro”.

Nabucodonosor era tão somente um servo do Deus Altíssimo (Jeremias 25:9).

Caso nº 2: Ciro, rei da Pérsia.

II Crônicas 36:23; Esdras 1:2 - O Senhor o Deus do céu me deu todos os reinos da terra...”.

Daniel (Daniel 1:21; 6:28), com certeza, estudou a Bíblia com Ciro. Quase dois séculos antes, Deus mencionara o seu nome e lhe dera uma tarefa (Isaías 44:28; 45:1-3 e 13). Incontinenti, cumpriu a orientação divina, porque entendia que Deus o pusera tão somente como um pastor ou líder temporário na administração do reino persa (Isaías 44:28).

Caso nº 3: Cristo e Pilatos.

João 19:10 e 11 - Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem”.

Com quem está a verdade? Com Pilatos ou com Jesus?

A verdade ao lado da qual Cristo se posicionou é a de que Deus o Pai elegeu mesmo até aquele que consentiu na crucifixão de Cristo.

Caso nº 4: Paulo e as autoridades.

Romanos 13:1 -Não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”.

Romanos 13:6 -São ministros de Deus”, assim como um pastor.

Romanos 13:2 - Aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus”.

Quer um endosso mais claro do que este? Paulo também comunga das opiniões anteriores. Ou seja, primeiro acontece uma eleição divina. Depois, a segunda eleição se dá pelo voto popular.

Caso nº 5: Outra vez Nabucodonosor.

Nabucodonosor não concordava com essa interpretação até o final do capítulo quatro de Daniel. “Se o reino eterno de Cristo será estabelecido sem o auxílio de mãos, os reinos transitórios dos homens podem ser edificados sem o auxílio divino”, dizia ele.  Esse equívoco foi corrigido através do sonho da árvore.

Daniel 4:18 -... a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles. Isto vi eu, rei Nabucodonosor, em sonhos”.

Daniel explicou que Deus pode conceder o reino até para um Zapatero, para um torneiro mecânico e etc. Sua explicação, porém, não mudou o modo de pensar do rei de Babilônia. Então, o que se segue é a previsão de uma desgraça.

Daniel 4:25 -... passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer”.

Passaram-se doze meses, Nabucodonosor ainda não convertera a essa verdade. Estufou o peito e pronunciou o engano do seu coração.

Daniel 4:30 -Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para a glória da minha majestade?”.

Uma voz do céu declarou a sentença divina:

Daniel 4:31 e 32 -A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino... até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer”.

Pastou sete anos e, finalmente, confessou o que não queria admitir:

Daniel 4:34 e 35 -Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército dos céus e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”.

Ele opera com os eleitores da terra, seja eles do exército dos filhos de Deus ou não, e nenhum apaixonado pelo partido A, B ou C tem o direito de dizer: “Este candidato não, Senhor!”. Se Deus humilhou o orgulhoso Nabucodonosor e, logo após, restituiu a sua grandeza, a majestade e o resplendor (Daniel 4:36 e 37), quanto mais eleger um ex-torneiro mecânico para Presidência da República.

Caso nº 6: Belsazar.

Belsazar não foi instruído pelos seus antecessores. Isto forçou Daniel a ensiná-lo desde o bê-á-bá.

Daniel 5:18-21 -Ó rei! Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor, teu pai, o reino e grandeza, glória e majestade... porém o seu coração se elevou... foi derribado do seu trono real, e passou dele a glória... até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens e a quem quer constitui sobre ele”.

E a sua opinião? É coincidente com a verdade bíblica? Ou você acha que tem uma idéia mais racional do que a do autor da Bíblia?

Crente que concorda com a palavra de Deus aceita o resultado de um escrutínio como sendo a vontade divina. Com isto também não quero dizer que Deus seja cúmplice na compra de votos, na propaganda enganosa e etc. Deus estabeleceu um outro ministro que atua como vingador dos que burlam a lei: o magistrado (Romanos 13:3 e 4). Quer dizer que Deus elegeu Collor e o Lula? Sim! Todavia, a autoridade a eles delegada por Deus não é uma carta branca para se cometer asneiras antes e após as eleições. O STF pode cassá-los.

C) Terceira lição: As superpotências são destronadas por reinos inferiores.

Daniel 2:39 -Depois de ti, se levantará um reino inferior ao teu...”.

Isto nos revela a fragilidade dos governos humanos. “A profecia delineou o levantamento e queda dos grandes impérios mundiais – Babilônia, Média-Pérsia, Grécia e Roma. Com cada um destes, assim como com nações de menos poder, tem-se repetido a história. Cada qual teve seu período de prova, e cada qual fracassou; esmaeceu sua glória, passou-se-lhe o poder e o lugar foi ocupado por outra nação” – Educação, página 177.

Quem crê num político se apresentando no horário eleitoral gratuito como o salvador da pátria ainda não entendeu a mensagem da Bíblia.

II Timóteo 3:13 -Os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganado”.

Preste atenção na estátua. Os metais menos nobres ficam na parte inferior; sua base é de barro, é frágil. Os reinos humanos também não possuem fundamentos sólidos. Isso me lembra o calcanhar de Aquiles, aquele da mitologia grega que só tinha uma parte do corpo vulnerável – os calcanhares. Toda uma fachada impecável escondendo, porém, defeitos imperdoáveis em seus fundamentos. São representantes do povo eleitos por Deus, mas que na execução de seu plano de governo menosprezam a vontade do Pai que está nos céus.

D) Quarta lição: O que difere os reinos humanos transitórios e o reino eterno da Pedra ou de Cristo? É a sua forma e regime de governo.

O profeta Isaías assim descreve a administração divina:

Isaías 33:22 -Porque o Senhor é o nosso juiz; o Senhor é o nosso legislador; o Senhor é o nosso rei; Ele nos salvará”.

O poder executivo, o poder legislativo e o poder judiciário estão nas mãos de Deus. Isto se chama Teocracia.

Dirá você: “Mas isto é uma ditadura! O Tribunal de Contas da União, a Comissão de Constituição e Justiça dos legisladores e o Controle do Judiciário não podem se concentrar nas mãos da mesma pessoa. Essa monarquia absolutista não coaduna com seres racionais”.

Não sacuda as algemas, nem proclame sua independência de Deus sem antes meditar na transição da Teocracia para a Monarquia em Israel.

I Samuel 8:5 e 6 -Dá-nos um rei”.

Qual foi a resposta divina para tal petição?

I Samuel 8:7 -Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele”.

Quando Deus é o rei, sua Constituição (Os dez mandamentos) e Leis Complementares (Leis civis, Leis de saúde, Leis eclesiásticas) precisam ser obedecidas nos mínimos detalhes. Isto é o que revela o salmista.

Salmo 119:4 -Tu ordenastes os teus mandamentos para que os cumpramos à risca”.

Muitos numa atitude de rebelião ao governo celestial se incluem entre os que dizem:

Lucas 19:14 -Não queremos que este reine sobre nós”.

Estes, na instalação do reino eterno da Pedra, serão tratados como inimigos.

Lucas 19:27 - Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença”.

No rol de inimigos da Teocracia e das Leis de Deus, citamos Satanás como cabeça da lista. Eis um dos principais argumentos usados na rebelião de Lúcifer no céu: “Começou a insinuar dúvidas com respeito às leis que governavam os seres celestiais, dando a entender que, conquanto pudessem as leis ser necessárias para os habitantes dos mundos, não necessitavam de tais restrições os anjos, mais elevados por natureza, pois que sua sabedoria era um guia suficiente... e prometeu àqueles que entrassem para suas fileiras um governo novo e melhor, sob o qual todos gozariam liberdade” (Patriarcas e Profetas, páginas 17,18 e 22).

Os comunistas também acusaram a Deus e as religiões de serem o ópio da sociedade. Essa “ditadura dos pobres” faliu. Caiu o muro da vergonha em Berlim e com ele ruíram as máscaras! Revelou-se um mundo oriental pobre e com um atraso tecnológico descomunal. O capitalismo democrático também não é flor que se cheire. Absorveu princípios do comunismo, dando origem à social-democracia, entretanto, são poucos os que recebem um tratamento cinco estrelas. Diferenças são vistas do básico – os que passam fome – ao mais sofisticado – a exclusão digital. E os excluídos desse progresso científico e tecnológico ISO 9000 são testemunhas das mazelas morais de um governo que exclui a Deus do seu dia a dia. Absurdos maiores ainda virão. Muito em breve, legisladores se atreverão a estabelecer leis contrárias à Constituição Divina.

Não posso deixar de fazer referência àqueles que fizeram mudanças nas leis de Deus e daqueles que insistem em colocar o Velho Testamento no index dos livros proibidos a pretexto de não obedecer a toda lei divina. Eles até concordam que matar é pecado, que roubar vai contra os princípios do reino de Deus, mas não aceitam todos os mandamentos da lei de Deus. Apregoam que o sábado foi dado para judeus, e até se esquecem de que o Velho Testamento foi inspirado por Deus.

E) Quinta lição: O reino eterno de Cristo será restabelecido sem o auxílio de mãos humanas.

Houve um tempo em que Israel era o centro das atenções da terra. Nações pagãs tremiam diante das conquistas divinas. Os testemunhos de Raabe (Josué 2:9-11) e dos Gibeonitas (Josué 9:9-11) exemplificam as reações dos povos diante das proezas do Supremo Administrador do Universo. Quem não queria ter um governante assim? Israel não quis (I Samuel 8:5-7)! A glória da Teocracia foi trocada por monarcas que menosprezavam a Deus. Os fracassos de Israel e das nações que se revezaram na liderança do universo são manchetes em todo Velho Testamento. As profecias de Daniel e Apocalipse põem em evidência a importância de Babilônia, da Medo-Pérsia, da Grécia, da Roma dos Césares, das Nações da Europa, da Roma papal, dos EUA e, de novo, da Roma papal que reviverá. Entretanto, sem auxílio de mãos humanas (Lamentações 4:6; Daniel 2:34, 35 e 45; 8:25), esses frágeis reinos serão substituídos pelo reino eterno de Cristo. Este reino não será “implantado pela revolução ou pela violência, como se Deus dependesse do auxílio de homens bem intencionados, que quisessem dar um empurrão ao processo histórico, demasiado lento a seu ver... De modo sobrenatural, inesperado, Deus, o Soberano do Universo, intervirá neste planeta para pôr fim à tragédia do pecado e suas conseqüências nefandas, e implantar seu reino eterno” – O que nos ensina o livro de Daniel, Revista Adventista, abril/1984, página 39.

Para os que tremem de medo, apavorados com a possibilidade de uma guerra nuclear, com superpotências despejando bombas atômicas em todos os lugares, eis mais um recado divino: A volta de Jesus se dará em um mundo onde as pessoas estarão tão ocupadas com as suas agendas repletas de compromissos inadiáveis que nem se aperceberão dessa hora (Mateus 24:37 -39). Aliás, o Criador dos átomos nunca ocupou um horário na agenda deles. Será mais um dia de comes e bebes, de compras e vendas e de descaso com o reino eterno de Cristo. Mais um cliente em potencial precisará ser atendido. O preço do metro quadrado aqui na terra dará retorno imediato quando comparado ao reino dos céus. O aumento do patrimônio com plantações e edificações estará na ordem do dia dos que se casam e se dão em casamento (Lucas 17:26-30), mas não possuem tempo disponível para se interessar pela vinda de Cristo. Será na agitação de um dia útil de trabalho que o Senhor retornará, e os escombros daquele dia serão devido a um terremoto e não a uma guerra nuclear.

F) E o reino da pedra?

I Coríntios 10:3 - E a pedra era Cristo”.

Efésios 2:20 -Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”.

I Pedro 2:7 e 8 - Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”.

Mateus 21:44 - Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó”.

Amém! Vem, Senhor Jesus!

 

II. A restauração do rei.

Não estou falando da recondução de um israelita, como Zorobabel, ao trono agora inexistente. Refiro-me à seguinte verdade: “A coroa removida de Israel passou sucessivamente para os reinos de Babilônia, Média-Pérsia, Grécia e Roma. Diz Deus: ‘E ela não será mais, até que venha Aquele a quem pertence de direito, e a ele a darei’ (Ezequiel 21:27) – Educação, página 179.

Uma leitura sem pressa do capítulo sete de Daniel também nos deparamos com os reis ou reinos humanos que se levantarão na terra (Daniel 7:17 e 23). É uma releitura de Daniel dois.

·         A Babilônia de ouro agora é um leão alado (Daniel 7:4).

·         A Medo-Pérsia de prata é simbolizada pelo urso com três costelas na boca (Daniel 7:5).

·         A Grécia de bronze é vista como um leopardo de quatro cabeças (Daniel 7:6).

·         Roma de bronze por sua vez é representada pelo animal terrível e espantoso, que tinha dez chifres – equivalente aos pés em parte de ferro e em parte de barro – e um chifre pequeno (Daniel 7:7 e 8).

O capítulo sete também fala de Cristo. Aqui, a figura da Pedra é substituída pelo Filho do Homem. Ele é visto dirigindo-se ao Tribunal presidido pelo Pai, o Ancião de Dias (Daniel 7:13).

Daniel 7:14 - Foi-lhe dado o domínio, e a glória, e o reino, para que povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído”.

Em Daniel sete, Cristo já entra na visão para ser entronizado. Familiarizemo-nos com a profecia em discussão.

A princípio, Daniel viu o nosso dia a dia aqui na terra. Viu quatro animais (Daniel 7:17 e 23) representando os reis ou reinos humanos “que se levantarão da terra” (Daniel 7:17 e 23).

Em seguida, Daniel viu as cenas de um julgamento no Tribunal do céu (Daniel 7:9 e 10).  Daniel viu o Juiz: o Ancião de Dias. Viu as testemunhas: os milhares de anjos que serviam ao Ancião de Dias (ver também Apocalipse 5:11). Viu a abertura dos processos ou prontuários de cada réu.

Daniel 7:10 -Assentou-se o tribunal, e se abriram os livros”.

Entretanto, cadê os réus? Que decisões foram ali tomadas? Que reis ou reinos foram condenados ou absolvidos? Quatro julgamentos estavam na pauta daquela sessão.

Primeira decisão: Esse juízo preliminar condenou o animal terrível e espantoso à morte. Só assim, o chifre pequeno cessou de proferir blasfêmias (Daniel 7:11).  Mas essa ferida mortal será curada.

Segunda decisão: Nesse juízo preliminar, os outros animais também são condenados e perdem “o domínio; todavia, foi-lhes dada prolongação de vida por um prazo e um tempo” (Daniel 7:12).

Na visão da estátua, quando a pedra acerta os frágeis fundamentos de barro, é-nos dito que dos reinos humanos “não se viram mais vestígios” (Daniel 2:34 e 35). Isto se dá, porque no capítulo dois a chegada da pedra ou do reino eterno de Cristo é a abrupta segunda vinda de Jesus. Já no capítulo sete encontramos detalhes do que acontecerá antes da instalação definitiva do reino eterno: os santos terão que enfrentar perseguições dos reinos humanos (Daniel 7:21) e terão que encarar o tribunal.

Terceira decisão: Nesse juízo preliminar, o Supremo Tribunal Celestial fez algumas doações a Jesus.

Daniel 7:13 e 14 - Eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado o domínio, e a glória, e o reino, para que povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído”.

Não confunda esta vinda ao Ancião de Dias com a segunda vinda de Cristo à terra, para o reencontro com seu povo:

Mateus 24:30 -Verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (ver também Apocalipse 1:7).

Aquela vinda ao Ancião de Dias é a mesma mencionada por Jesus no Evangelho de Lucas.

Lucas 19:12 -Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar”.

O Dr. Siegfried J. Schwantes assim comenta essa situação: “Este reino Lhe é adjudicado como seu de direito pelo tribunal divino. De modo que antes de tomar posse ‘de facto’, Cristo já recebeu o reino ‘de jure”, para usar duas expressões da terminologia forênsica” – Daniel sete, Revista Adventista, Maio/1984, página 39. Ele já recebeu o reino das mãos do Ancião de Dias, mas só depois se assentará no trono de Davi, seu pai. Atualmente, Cristo já recebeu o reino das mãos do Pai, e na segunda vinda a esta terra restabelecerá a Teocracia sobre o Israel de Deus. Confira essa mesma verdade na promessa de Gabriel a Maria.

Lucas 1:31-33 -Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu Pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”.

Quarta decisão: Quem não estiver atento, terá a impressão de que já se pode dar por encerrada a sessão do tribunal, de que não há mais nada a se julgar. Nos versos treze e quatorze, porém, somos informados de que o reino é entregue ao rei Jesus Cristo, ao Filho do Homem (Daniel 7:13 e 14). Já no verso dezoito, o intérprete da profecia nos diz que “os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade” (Daniel 7:18).

Afinal, de quem é o reino? O reino eterno é do Filho do Homem, ou é dos santos do Altíssimo?

O Apocalipse explica o que aparenta ser uma contradição bíblica.

Apocalipse 3:21 -Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono”.

 Depois de receber o reino do Pai, Cristo compartilhará seu trono com os santos. Ele não reinará sozinho! Os que participarem da primeira ressurreição “serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos” (Apocalipse 20:6).

Como se mede a importância de um reino? Pelo número de súditos. “Na multidão do povo está a glória do rei, mas, na falta de povo, a ruína do príncipe” (Provérbios 14:28). Povos de todas as nações e homens de todas as línguas servirão ao Filho do Homem.

Como “nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! entrará no reino do céu, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21), este tribunal precisa decidir quem está fazendo a vontade do Pai que está no céu; o tribunal precisa decidir quem será co-herdeiro com Cristo:

Romanos 8:17 -Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo...”.

Como todos os que dizem Salvador, Salvador, acham que estão fazendo a vontade do Pai que está nos céu, Jesus está analisando cada caso para ver quem, de fato, o tinha como Salvador e Senhor.

Lucas 6:46 - Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos mando?”.

Como todos os que dizem Senhor, Senhor, usam a Bíblia para provar que a sua religião é a verdadeira, recorro à clareza do Apocalipse para definir quem serão os co-herdeiros com Cristo. Os santos são aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).  Aqueles que fazem a vontade do Pai não tropeçam na Pedra. Entretanto, Pedro nos diz que os que rejeitam a Pedra angular também são desobedientes à Palavra de Deus:

I Pedro 2:7 e 8 - Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”.

Essa investigação preliminar que se faz no intervalo entre a vinda de Cristo ao Ancião de Dias e a vinda de Cristo à terra, pela segunda vez, é que nós, os adventistas, chamamos de juízo investigativo.

De onde nós tiramos isso?

Da Bíblia, e dos tribunais humanos.

No Éden, notamos um Deus que sabe tudo atento às respostas de Adão. O pecado contaminou o jardim, e Deus desceu para fazer sua investigação particular.

Pela maneira como Deus lidou com o primeiro pecado, emerge um padrão de procedimento judicial. Primeiro vem a investigação: Onde estás?’; ‘Quem te fez saber?’; ‘Comeste da árvore?’; ‘Que é isto que fizeste?’ (Gênesis 3:9-13). Só depois dessa investigação é anunciado o veredicto (versos 14-19)”  - Daniel – Lição da escola sabatina dos adultos, edição do professor, quarto trimestre/2004, página 89. Essa sentença é sucedida pela execução da pena. Até hoje as serpentes rastejam, as mulheres têm filhos com dores de parto, os homens ganham o pão de cada dia com muito estresse ou fadiga, e todos já nascemos condenados à morte.

Pouco tempo depois, Deus desceu novamente. Desta vez, o pecador era Caim. Ouça a investigação: “Por que andas irado?”; “Por que descaiu o teu semblante?”; “Onde está Abel, teu irmão?”; “Que fizeste?” (Gênesis 4:6, 9 e 10). Porque um Deus onisciente precisa fazer uma investigação?

Primeiro... parece que ele pediu contas dos transgressores, e o processo de investigação destaca na consciência dos transgressores a pecaminosidade das suas ações.

Segundo, é importante manter no contexto a idéia do grande conflito. Não estamos sozinhos no universo; toda questão do pecado, do mal e da rebelião envolve mais do que seres humanos. Outros seres inteligentes, não oniscientes (como é o Senhor) estão observando (I Coríntios 4:9). Tendo isso em mente, podemos entender melhor a necessidade de uma investigação aberta antes do juízo” - Daniel – Lição da escola sabatina dos adultos, edição do professor, quarto trimestre/2004, página 89. As decisões divinas são transparentes. Executar uma sentença – castigo ou absolvição – somente será possível após a apresentação de provas colhidas na investigação.

O julgamento no tribunal celestial não difere dos julgamentos nos tribunais humanos. Consigo identificar pelo menos três fases para se completar um julgamento aqui na terra. Tomemos como exemplo do julgamento de um réu acusado de homicídio.

a) Existe uma fase de investigação, essencial para não se cometer injustiças. O inquérito investigativo começa com poucas folhas. Na medida em que testemunhas são ouvidas, o crime seja reconstituído e haja acareações o processo se avoluma com provas a favor ou contra o réu. Nenhum juiz se atreve a marcar uma data para julgamento no plenário sem antes investigar detalhadamente o caso.

b) Existe uma fase pública na sala de julgamento, onde o juiz e o júri popular ouvem as testemunhas, o advogado de defesa, o promotor. Uma sentença é lavrada e lida publicamente para todos os presentes.

c) Existe uma fase de execução da sentença, onde mandados de prisão são expedidos e os réus recolhidos a uma carceragem pública para cumprimento da pena estabelecida no tribunal.

Por que tanta cautela? Por que tantos depoimentos repetitivos? Para não se cometer injustiças. O caso do teólogo Dietrich Bonhoeffer é emblemático. Foi enforcado acusado de traição nos dias finais da segunda guerra mundial; porém, em 1996, quase cinqüenta anos depois, descobriu-se que ele era inocente. A investigação foi mal feita.

A teologia bíblica diz que “todos compareceremos perante o tribunal de Deus” (Romanos 14:10).

Mateus 25:31 e 32 -  “... E todas as nações serão reunidas em sua presença”.

Os que tiverem a Jesus como Advogado de defesa ouvirão do Filho do Homem:

Mateus 25:34 -Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”.

Os que não tiverem a Jesus como seu Advogado de defesa serão condenados (Lucas 12:47 e 48), mas terão a oportunidade de autodefesa perante o Juiz. Ouça o que os evangélicos e católicos dirão na sala de julgamento tentando justificar a si próprios.

Mateus 7:22 e 23 - Falarão de suas atividades religiosas. Senhor! Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Mateus 25:11 e 12 -  Pedirão uma segunda chance. “Senhor! Senhor! Abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço”.

Lucas 13:25-28 -  Outros pedirão uma segunda chance e falarão de seu ativismo religioso. “Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniqüidades. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora”.

Mateus 25:41-45 - Por não conhecerem a Jesus terão dúvidas quanto aos encontros com o mestre. “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque... E eles lhes perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer”.

Nessa fase ficaremos cara a cara com o Juiz no tribunal. Isto mesmo! Será um julgamento de vivos. Qual é a finalidade dessa fase? Enoque explica:

Judas 14 e 15 - ”Veio o Senhor entre suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticaram e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele”.

Demasiado tarde prostrarão e reconhecerão que só Jesus é o Senhor, e não somente Salvador (Filipenses 2:9-11; Apocalipse 15:3 e 4; Romanos 14:11; Isaías 45:23 e 24; Salmos 86:9).

Essa acareação se dará pouco antes da fase de execução, que será o lago de fogo e enxofre ou a segunda morte (Apocalipse 20:14 e 15). Quem não tiver o nome inscrito no livro da vida morrerá pela segunda vez, ou seja, vivos serão executados.

Antes, porém, destas fases (presencial e executiva), acontecem duas outras.

Uma fase num tribunal onde “os mortos foram julgados” está revelada em Apocalipse 20:11-13. Fala do Juiz, dos réus, dos livros e do critério de julgamento: de acordo com as suas obras (versos 12 e 13). Ou não sabeis que os santos que tiverem o privilégio de reinar com Cristo durante o milênio (Apocalipse 20:4 e 6) julgarão até mesmo os anjos caídos?

I Coríntios 6:2 e 3 - “Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida”!

Perceberam que os anjos que pecaram no céu, até hoje, esperam o momento do julgamento (II Pedro 2:4; Judas 6). Pedro também diz que o Senhor conserva, “sob castigo, os injustos para o dia do Juízo” (II Pedro 2:9).

A outra fase é a do juízo investigativo. Uma pesquisa detalhada nos livros celestiais será feita de cada pessoa que um dia declarou publicamente que Jesus era o seu Salvador pessoal. Todos os cristãos, de todos os tempos, vivos e mortos, terão seus prontuários vasculhados para ver se, de fato, fizeram de Jesus o Senhor de suas vidas ou se eram falsos professos. Esta fase acontecerá entre a vinda de Jesus ao ancião de Dias e a segunda vinda de Cristo à terra e começa pela casa ou santuário de Deus (I Pedro 4:17; Ezequiel 9:6). Daí, a advertência do Apocalipse 14:6 e 7 ser dirigida aos vivos:

Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo...”.para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada naç

Já vimos que Daniel atribui ao juízo preliminar pelo menos quatro importantes decisões. O Apocalipse, também, não abona a idéia de um juízo preliminar que envolva apenas os que um dia disseram acreditar em Cristo. Quatro textos do Apocalipse melhoram a nossa compreensão, de um juízo preliminar, antes da segunda vinda de Cristo a esta terra. Percebam as decisões tomadas contra os que perseguem os santos do Altíssimo e as execuções cumpridas.

Primeiro texto: É o quinto selo.

...Os que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam clamam por justiça e vingança. Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Apocalipse 6:10). Até quando? Ainda não chegou o tempo de julgamento dos ímpios (Apocalipse 6:11)!

Segundo texto: É a sétima trombeta.

As vozes no céu comemoram a vinda de Cristo ao Ancião de Dias. Cristo recebe o reino de jure (de direito), e em resposta à pergunta “até quando?” começa o julgamento. Os servos do Altíssimo serão declarados co-herdeiros e os que guerreiam contra os santos serão condenados. O reino do mundo se tornou do nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos... Graças te damos, Senhor Deus, Todo Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar. Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra” (Apocalipse 11:15-18). Até quando? Chegou o dia do julgamento dos ímpios.

Terceiro texto: Estamos na terceira praga.

Aqui já aconteceu o julgamento. Os que pelejaram contra os santos, já foram condenados e estão recebendo a recompensa. Tu és justo, tu que és e que era, o Santo, pois julgaste estas coisas; porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sangue lhes tens dado a beber; são dignos disso” (Apocalipse 16: 5 e 6). Até quando? O julgamento dos ímpios já aconteceu! E até explica o motivo da condenação: derramaram o sangue dos santos.

Quarto texto: São os preparativos para as bodas do Cordeiro.

Ouça o louvor de uma numerosa multidão enaltece a vingança e a justiça restabelecidas.  Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos, porquanto julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos” (Apocalipse 19:2 e 3). Cristo só volta no final do capítulo dezenove, mas cada caso já estará decidido. A fase de acareação no tribunal só acontecerá após o milênio e será apenas para bater o martelo e para autodefesa.

Sempre que estudo a Bíblia com alguém, quando chego a esse ponto gosto de recapitular pelo menos três verdades.

- No reino eterno, todos os santos continuarão a servir e obedecer ao Altíssimo (Daniel 7:14 e 27). Se aqui na terra eles já se deleitavam em fazer a vontade do Pai que está no céu, muito mais morando nas cercanias do trono de Deus.

- A terra ainda será governada somente pelo povo de Deus. Seremos cidadãos de primeira classe; ocuparemos cargos no primeiro escalão. Antes, porém, das glórias do reino eterno, os santos terão uma avaliação pelo Supremo Tribunal Celestial (Daniel 7:18, 22 e 27).

- Antes do tribunal, os santos terão que provar a fidelidade e amor a Deus sendo perseguidos, sendo, muitas vezes, vencidos pelo chifre pequeno. O chifre pequeno ao mudar a lei de Deus (Daniel 7:25) inicia uma guerra contra os santos que tem até data marcada para acabar. “Adventistas gostam de marcar datas!”, dirá você. Jesus lhe diz que sempre que alguém marcar uma data para a segunda volta de Jesus, desconfie do falso profeta: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mateus 24:36). Mais adiante, no livro de Atos, Jesus repete a dose: “Não vos compete conhecer os tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (Atos 1:7).

Entretanto, o livro de Daniel nos informa que existe data marcada para o início do juízo investigativo. Num primeiro momento, Daniel diz que o chifre pequeno “fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles”. E aí ressurge a pergunta: Até quando? “Até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino” (Daniel 7:21 e 22). O intérprete da visão que estava próximo a Daniel complementa que “os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo” (Daniel 7:25). Até quando? Até que se passem esses três tempos e meio. Depois dessa data marcada, o que acontecerá? “Mas, depois, se assentará o tribunal...” (Daniel 7:26) para condenar os perseguidores e dar o reino aos santos do Altíssimo.

O próximo tópico ampliará os detalhes dessa profecia.

III. A restauração do santuário e do sacerdote

Não me refiro à recondução de Josué (Ageu 1:1, 12, 14; 2:2 e 3; Esdras 3:2; Isaías 45:13) ao cargo de sacerdote, na ocasião do retorno do povo de Deus do cativeiro em Babilônia. Refiro-me à restauração das funções sacerdotais de Cristo no santuário celestial.

Que papéis de destaque assume o Filho do Homem em todo o Novo Testamento?

§         O Filho do Homem é o réu que sofre a pena do pecado em Marcos 10:45: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.

§         O Filho do Homem é o Advogado de defesa que intercede pelo pecador diante do Pai em I Timóteo 2:5: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”.

§         O Filho do Homem é o Juiz que estabelece a pena do pecado em João 5:22: E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o julgamento”.

A linguagem do Velho Testamento premia os seus pesquisadores com uma nova visão das verdades neotestamentárias. Daí, a razão do termo evangelho eterno (Apocalipse 14:6); ou seja, as mesmas boas novas foram pregadas a Adão, Enoque, Noé, Abraão, João Batista, Pedro, Paulo, João e a nós do século XXI. Diz-nos Paulo: ”Porque também a nós foram anunciadas as boas novas, como se deu com eles...” (Hebreus 4:2). Todavia, sublinharemos uma pequena diferença. Antes da morte de Cristo no Calvário, o santuário foi usado como uma parábola (Hebreus 9:9), como uma sala de aula para explicar aos israelitas as boas novas da salvação. Onde encontraremos a Cristo como réu, como Advogado de defesa e como Juiz no Velho Testamento? Adentremos no santuário e percebamos a Jesus nos mínimos detalhes.

A) O pátio do santuário.

Era o lugar freqüentado pelos pecadores, a nave da igreja nos dias de hoje.

Também era o local do sacrifício ou da morte substitutiva. Ali, no altar do holocausto, quem deveria morrer era o pecador, o réu. Todavia, a morte de um animal era aceita em lugar do pecador, como uma oferta pelo pecado.

Levítico 1:4 - E porá a mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação”.

Em Números 5:5-8, no caso de um crime doloso ou voluntário ou premeditado, o ofensor é orientado a confessar seu pecado a Deus, fazer plena restituição ao ofendido acrescido da quinta parte e oferecer um carneiro expiatório. O animal sugerido não é o bode expiatório como no dia da expiação! Em Levítico, nas ofertas pelos pecados, também encontramos a confissão (Levítico 5:5), a restituição e o acréscimo da quinta parte ao ofendido (Levítico 6:2-5) e o carneiro expiatório (Levítico 5:16 e 18; 6:6). Neste, conhecemos outros animais expiatórios, com o sangue dos quais se alcançava o perdão dos pecados por ignorância ou culposo: o novilho expiatório (Levítico 4:20), o bode expiatório (Levítico 4:26), cabra ou cordeira expiatórias (Levítico 4:35), rolas ou pombinhos expiatórios (Levítico 5:7 e 13). Os animais eram aceitos como expiatórios no lugar do pecador.

Conclusão das ofertas pelos pecados: “assim, o sacerdote fará expiação por ele, no tocante ao seu pecado, e este lhe será perdoado” (Levítico 4:26). Esta era a expiação diária! E não devemos confundi-la com expiação anual do dia da expiação (Levítico 16).

Como é impossível que sangue de touros, bodes e carneiros remova pecados (Salmos 49:7; Hebreus 9:12; 10:4 e 11), os israelitas acreditavam na verdadeira oferta pelo pecado (Salmo 103:3; 130:3, 4 e 8; Isaías 53:10). Eles criam que “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29) é Cristo. Ou seja, o pátio, o altar do holocausto e a morte substitutiva apenas simbolizavam o calvário e a cruz, onde Cristo se ofereceu a Deus como oferta pelo pecado, em lugar do ser humano pecador (Hebreus 10:10 e 12; I Pedro 1:18 e 19).

Deste modo concluímos que quando o próprio Cristo afirmou que “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10:45) referiu-se a essa obra realizada aqui na terra como “cordeiro ou oferta pelo pecado da humanidade”. O rei se fez réu! Basta olhar no santuário.

B) o lugar santo.

Pessoalmente, o pecador não tinha acesso a este compartimento.

Entre o pecador que ficava orando lá no pátio (Lucas 1:8-10) e o Deus perdoador que se manifestava no lugar santíssimo (Êxodo 25:22; Levítico 16:2; Números 7:89) era necessário a intermediação de um sacerdote. Ele trazia o sangue do animal expiatório para dentro da tenda da congregação (Levítico 4:5-7, 16-18) ou o aplicava sobre os chifres do altar do holocausto (Levítico 4:25, 30 e 34) – como este altar se encontrava no pátio, o sangue não era trazido para o lugar santo, parte da oferta deveria ser comida pelo sacerdote (Levítico 6:26 e 30; 10:17 e 18) – contaminando diariamente o santuário com as transgressões dos filhos de Israel. Paulo nos fala de uma contínua mediação sacerdotal: “Ora, depois de tudo isto assim preparado, continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes, para realizar serviços sagrados” (Hebreus 9:6).

Um animal morto e um sacerdote vivo que intercedia em prol dos pecadores! Essa dupla exigência visível no ritual diário ou contínuo do santuário foi plenamente cumprida por Jesus.

Jesus morreu por nós, aleluia! No entanto, Ele não é tão somente “o Cordeiro que foi morto” (Apocalipse 5:9 e 10). Paulo diz que “se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo estão perdidos” (I Coríntios 15:17 e 18). Que me perdoem os que não acreditam nesta afirmação paulina: Tanto a morte quanto a vida de Cristo beneficiam o pecador. Cristo é o Cordeiro que sofreu a morte no pátio, no altar do holocausto; mas também, é o único sacerdote vivo que intercede diante do Pai em favor do pecador (Hebreus 7:25; 9: 15 e 24).

Deste modo concluímos que quando Paulo confirmou que “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, o homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos” (I Timóteo 2: 5 e 6), ele se referiu à dupla exigência do santuário: a obra de pagamento do resgate do pecador (ritual do pátio) e a obra de intercessão sacerdotal em favor do pecador (ritual do lugar santo). O rei que se fez réu, também se fez mediador entre Deus e os homens.

C) O lugar santíssimo ou santo dos santos.

O santíssimo era o local da habitação de Deus (Êxodo 25:8). Somente o sumo sacerdote tinha acesso a este compartimento (Hebreus 9:7), e poderia entrar uma única vez ao ano.

Cada dia, a justiça ou a lei de Deus que estava dentro da arca (Hebreus 9:3-5; Êxodo 25:21) condenava o pecador à morte. Em contrapartida, o amor e a misericórdia de Deus eram vistos na tampa da arca, símbolo da propiciação contínua de Cristo em favor do israelita (Romanos 3:25). Cada vez que a fumaça do incenso subia, ultrapassava a parte superior do véu, entre os querubins se podia ver o brilho entre os querubins – símbolo da aprovação divina. Ou seja, o sacerdote somente apresentava o incenso (Lucas 1:9), quem de fato conseguia adiar a pena de morte do ser humano era o propiciatório, Jesus Cristo.

Anualmente, no dia da expiação ou do perdão (Levítico 16 e 23:26-32), ou o israelita era absolvido pelo Juiz, ou era condenado pela justiça expressa na lei de Deus. O vistoriador de corações se aproximava de um israelita: “Porque toda alma que, nesse dia, se não afligir será eliminada do seu povo” (Levítico 23:29). Ou o amigo Jesus dizia no tribunal: “deixa-a ainda este ano” (Lucas 13:8), ou ele mesmo era o justo Juiz que condenava os pecadores.

Esse perdão ou cancelamento de pecados não acontecia com o ritual diário? Por que confessar (Levítico 16:21) e perdoar de novo?

No ritual diário, os israelitas tinham as penas de morte adiadas pela transferência dos pecados para o santuário. Assim, santuário ficava maculado com as impurezas dos israelitas. Ouçam o próprio Deus falando com Moisés (Levítico 16:1) sobre as transgressões dos israelitas que contaminavam o santuário.

       LEVÍTICO 16:16 - Assim, fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel, e das suas transgressões, e todos os seus pecados...”.

       LEVÍTICO 16:19 -  “Do sangue aspergirá, com o dedo, sete vezes sobre o altar, e o purificará; e o santificará das impurezas dos filhos de Israel”.

       LEVÍTICO 16:30 - “Porque, naquele dia, se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados, perante o Senhor”.

       LEVÍTICO 16:34 -  “Isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação uma vez por ano pelos filhos de Israel, por causa dos seus pecados”.

Vejam como o Velho Testamento trata dessa questão do perdão da iniqüidade, da cobertura do pecado, do apagar das transgressões, da purificação dos pecados (Salmo 32:1 e 2; 51: 1, 2, 7 e 9; 85:2; Isaías 44:25).  E ainda tem gente que acha que no Velho Testamento o homem era salvo pelas obras. Através do ritual do santuário, onde existia uma expiação diária e outra anual, “Deus procura ensinar-nos que aquele sangue, um sangue todo suficiente, precisa ser apresentado no santuário, primeiro para cobrir os pecados, e então para apagá-los. Por isso é que há dois compartimentos no santuário. Não se trata apenas de um pouco de geografia ou cronologia. Há duas mediações definidas do sangue do Salvador, ambas indispensáveis. A primeira tarefa é lançar os pecados lá, a segunda é removê-los de lá. A primeira tarefa é cobri-los; a segunda é apagá-los” – E o santuário será purificado, W. D. Frazee Revista Adventista, junho/1975, página 07.

Por isso, era necessária a purificação do santuário. A expiação diária adiava a execução do transgressor transferindo os pecados para o santuário. No dia da expiação ou expiação anual, acontecia a limpeza desses registros de fracassos dos israelitas. “Os pecados confessados não são perdoados em definitivo no momento em que os confessamos. Há muitos que se arrependem do seu arrependimento, e que demonstram pela persistência no pecado que seu arrependimento não era genuíno” – A purificação do santuário, S. J. Schwantes – Revista Adventista, junho/1984, página 41.

Existe, de fato, o cancelamento do perdão? Ou esta idéia é mais uma invenção patenteada pelos Adventistas? Foi Cristo que trouxe à tona essa questão, na parábola do credor impassível. O perdão que não foi repassado para o próximo foi cancelado (Mateus 18:23-35). A dívida foi perdoada nos versos 27 e 32 (cancelamento do pecado), mas não foi apagada (houve o cancelamento do perdão). E o pecador foi entregue “aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida” (verso 34). Que dívida? A que já havia sido perdoada, mas não apagada.

Outro modo de se entender o perdão condicional é você ouvir o assim diz o Senhor, no que tange ao julgamento final:

Existem nomes que não serão riscados do livro da vida: O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida...” (Apocalipse 3:5). Ninguém nasce com o nome no livro dos salvos. Pelo contrário, todos os homens nascem como filhos da ira (Efésios 2:3). E para ter o nome escrito no livro da vida, é preciso nascer de novo (João 3:3 e 5). Um novo registro de nascimento é feito no cartório de registros celestial. Como diz o hino: “Há um novo nome lá glória”. Quem não quiser ter o perdão cancelado, tem que perseverar até o fim.

Existem nomes que serão riscados do livro da vida: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim” (Êxodo 32:33). Esses também já possuíram uma certidão de nascimento no reino de Deus. Já desfrutaram a paz que só o perdão divino pode trazer. Mas, não estão imunizados contra a perdição eterna. Num segundo momento, Jesus “riscará de seu livro” os nomes de rebeldes e cancelará o perdão outrora outorgado. “Mas, desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniqüidade, fazendo segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso, viverá? De todos os atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá” (Ezequiel 18:24).

Quem está com a razão? Os que concordam com o cancelamento do perdão proposto por Cristo? Ou os filósofos de plantão que dizem “uma vez salvo, estarei salvo para sempre”? “Somente no juízo que precede a segunda vinda de Cristo é que será determinado à luz do registro de toda vida, se o arrependimento de cada um foi autêntico, se o indivíduo perseverou na vereda cristã até ao fim. São os que perseveram até ao fim que serão salvos (S. Mat. 24:14)” – A purificação do santuário, S. J. Schwantes – Revista Adventista, junho/1984, página 41. Se você será perdoado em definitivo ou terá o perdão cancelado dependerá exclusivamente da avaliação que será feita no juízo preliminar. Terminadas suas missões de Cordeiro, Intercessor e Juiz, Cristo dirá: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se” (Apocalipse 22:11).

Deste modo, concluímos que quando Jesus frisa que “o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o julgamento” (João 5:22), Ele se referiu à função de Juiz dos vivos e dos mortos (I Timóteo 4:1) para a qual está plenamente habilitado: ”porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17:31). Outra vez, a ressurreição é um atestado de acreditação, de qualidade total do Filho do Homem.

Após longa introdução, examinaremos as profecias de Daniel 8 e 9 à luz do ritual do santuário. Primeiro, vamos à história. E que coincidência! Até os animais – o carneiro e o bode – eram utilizados nos sacrifícios do Antigo Testamento.

O que Daniel viu (Daniel 8:1)? E como Gabriel explicou (Daniel 8:15 e 16)? Outra vez, Daniel descreve os reinos humanos e fala de Jesus Cristo com muitas informações adicionais.

a)  Daniel viu um carneiro com dois chifres. Gabriel disse que se tratava dos reis da Média e da Pérsia (Daniel 8:3 e 20).

b)  Em seguida, ele viu um bode peludo, o rei da Grécia (Daniel 8:5 e 21).

·         Que destruiu os dois chifres do carneiro (Daniel 8:7).

·         Que possuía um chifre grande entre os olhos, o primeiro rei – Alexandre, o grande (Daniel 8:5 e 21).

·         A partir do chifre grande saíram quatro chifres notáveis, que significa a divisão do império de Alexandre em quatro reinos menos poderosos, sob o comando de Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu (Daniel 8:8 e 22).

Esteja atento à seguinte mensagem deixada por Gabriel em:

Daniel 8:22 -O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão deste povo, mas não com a força igual à que ele tinha”.

Em texto parecido:

Daniel 11:4 -  “Mas, no auge, o seu reino será quebrado e repartido para os quatro ventos do céu; mas não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o poder com que reinou, porque o seu reino será arrancado e passará a outros fora de seus descendentes”.

Quem é mais poderoso e quem é inferior? O chifre grande sobrepuja o chifre pequeno ou se dá o contrário? Por acaso Antíoco é maior do que Roma pagã e Roma papal? O chifre grande tornou-se um chifrinho perto do crescente chifre pequeno. Mas alguns intérpretes acham que Antíoco é mais poderoso do que Alexandre, o grande.

c)   Daniel viu um chifre pequeno (Daniel 8:9): Que se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa (Daniel 8:9). Refere-se ao Crescimento horizontal, ou expansão em direção a outros reinos humanos. Daqui a pouco você verá como Roma impediu o crescimento de Antíoco para o sul.

Que cresceu até atingir o exército dos céus. Alguns foram lançados por terra (Daniel 8:10). Refere-se à Inimizade contra o povo de Deus desenvolvida por todo reino humano.

·         Que se engrandeceu até ao príncipe deste exército (Daniel 8:11).  Refere-se ao Crescimento vertical ou inimizade contra Deus, ou expansão em direção ao reino eterno de Cristo.

·         Que profanou o santuário, de onde tirou o sacrifício diário ou contínuo e estabeleceu a abominação desoladora (Daniel 8:11 e 13). Que deitou a verdade por terra e prosperou (Daniel 8:12). Refere-se à Inimizade contra as verdades divinas que emanam do santuário e que foi desenvolvida ao longo do tempo.

Esteja atento às seguintes mensagens. Primeiro, a ponta pequena deitou por terra alguns do exército dos céus (verso 10), o lugar do santuário (verso 11) e a verdade (verso 12). Segundo, o exército dos céus e o sacrifício diário lhe foram entregues devido às transgressões (verso 12). Que transgressões? Continue estudando!

d)  Depois, Daniel viu um anjo perguntando a outro:Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados? Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (8:13 e 14).

Esteja atento às seguintes mensagens. Primeiro, reitera-se que o santuário e o exército foram entregues à ponta pequena a fim de serem pisados. Segundo, esta é uma visão que fala do sacrifício diário e da transgressão assoladora.

Terminadas as cenas, Daniel procurou entendê-las (Daniel 8:15).

Gabriel lhe disse quem era o carneiro, o bode, o chifre notável e suas quatro divisões. Mas, Gabriel não explicou tudo. Alguns segredos estratégicos, que só os sábios entenderão (Daniel 12:10), ficaram escondidos.

O que ficou obscuro nessa explicação?

Gabriel não disse quem era o chifre pequeno (Daniel 8:23-25). Apenas teceu novamente alguns comentários acerca das ações daquele rei, porém não revelou a sua identidade a Daniel.

·         Um rei de feroz catadura e especialista em intrigas (Daniel 8:23). Babilônia, outrora, já fora classificada por Moisés como uma “nação feroz de rosto” (Deuteronômio 28:50).

·         Um rei dotado de poder sobrenatural que destruirá os poderosos [crescimento horizontal] e os santos [inimizade contra o povo de Deus] (Daniel 8:24).

·         Um rei que fará prosperar o engano e enganará a muitos que vivem despreocupadamente [crentes mais ou menos] (Daniel 8:25).

·         Um rei orgulhoso que se atreverá a lutar conta o Príncipe dos príncipes [crescimento vertical], mas será quebrado sem esforço de mãos humanas (Daniel 8:25).

Gabriel também não explicou as duas mil trezentas tardes e manhãs e sua relação com o santuário assolado e sem o sacrifício diário. Limitou-se a dizer que a visão se referia a dias mui distantes (Daniel 8:26).

Daniel recebeu uma explicação parcial da visão ora estudada. Daí a conclusão: “Espantava-me com a visão, e não havia quem a entendesse” (Daniel 8:27 - grifos acrescidos).

Por isso me delonguei falando sobre o santuário.  É impossível entender Daniel 8 e 9 sem o entendimento de um santuário assolado, de um sacrifício contínuo em desuso e de um santuário purificado ou restaurado. Quero ser compreendido até por aqueles que nunca ouviram falar de SANTUÁRIO e por quem não tem idéia do que vem a ser o sacrifício contínuo e a purificação do santuário.

Nesse contexto, convido-os a visitar:

ü       O santuário assolado nos dias de Daniel.

ü       O santuário assolado nos dias de Antíoco e Judas Macabeus.

ü       O santuário assolado nos dias de Tito e outros imperadores (Roma pagã) e do papado (Roma papal).

O santuário assolado nos dias de Daniel.

O capítulo oito (ano 550 a.C.) terminou e Daniel ainda não possui o entendimento da visão.

O capítulo nove (ano 539 a.C.) começa com Daniel pesquisando minuciosamente a Bíblia. Onze anos depois, ele afirma ter entendido alguma coisa sobre o santuário e Jerusalém assolados.

Daniel 9:2no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos”.

No meio do capítulo, Daniel menciona a assolação do santuário.

Daniel 9:17 -Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o rosto, por amor do Senhor”.

Até aqui, Daniel tinha razão!

De fato, o profeta Jeremias mencionara duas vezes o tempo de permanência de Israel no cativeiro em Babilônia, tempo este em que o templo ou santuário e a cidade permaneceriam em ruínas.

Jeremias 25:11 - Toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos”.

Jeremias 29:10 -  “Assim diz o Senhor: Logo que se cumprirem para Babilônia setenta anos atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar”.

O nome do libertador já fora anunciado em outro livro profético. E não seria um israelita, como Moisés. Tratava-se de um gentio crente no comando divino.

Isaías 45:13 -  “Eu, na minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e libertará os meus exilados, não por preço nem por presentes, diz o Senhor dos Exércitos”.

Chegado o tempo de cumprimento da profecia, o Senhor despertou o espírito de Ciro para o cumprimento das profecias de Jeremias e de Isaías (II Crônicas 36:22; Esdras 1:1). Daniel foi o instrutor bíblico que explicou a Ciro (Daniel 1:21; 6:28) como Deus destrancou as portas de Babilônia e do sucesso para aquele rei (Daniel 45:1-3). “Tomando o rei conhecimento das palavras que prediziam mais de um século antes do seu nascimento, a maneira pela qual Babilônia deveria ser tomada; ao ler a mensagem dirigida pelo rei do Universo... (Isaías 45:5, 6, 4 e 13), o seu coração foi profundamente movido, e ele se determinou cumprir sua missão divinamente indicada. Ele libertaria os judeus cativos; ele os ajudaria a restaurar o templo de Jeová” – Patriarcas e Profetas, página 536.

Medite na confissão de Ciro.

II Crônicas 36:22 e Esdras 1:1 - “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém...”.

Antes, porém, de se publicar o edito real de libertação os escravos, Daniel raciocinara que devido às transgressões e rebeliões (Daniel 9:4-15), Deus iria prolongar o tempo da maldição escrita na lei de Moisés (Daniel 9:11 e 13). Em vez de setenta anos, o tempo do cativeiro se prolongaria por dois mil e trezentos anos. Daí, a petição para que a profecia se cumprisse imediatamente: “não te retardes” (Daniel 9:19). “Ó Senhor, que tu cumpras as bênçãos profetizadas por Jeremias, mas não se cumpram as maldições mostradas na visão que tive”.

O que significa essa maldição da lei de Moisés?

Os livros de Crônicas e Jeremias explicam a escravidão como uma conseqüência dos pecados do rei, dos sacerdotes e do povo (II Crônicas 36:12-20).  Fala das abominações que contaminaram a casa do Senhor. E, em seguida, uma parte da lei de Moisés que não foi obedecida é citada em associação com os dias da desolação.

II Crônicas 36:21Para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram”.

Jeremias 34:12-22 - Leia todo texto.

As abominações geraram as desolações da cidade e do templo. Durante os setenta anos de desolação, os sacrifícios de animais deixaram de ser oferecidos e a terra repousou nos seus sábados. Essa lei de Moisés, que trouxe maldição ao povo judeu, é mais bem compreendida com a leitura do livro de Levítico. Se os israelitas transgredissem os mandamentos (Levítico 26:14), seriam castigados sete vezes mais (Levítico 26:18, 21, 24 e 28). E, agora, atenção!

Levítico 26:31-35 -  “Reduzirei as vossas cidades a deserto, e assolarei os vossos santuários, e não aspirarei o vosso aroma agradável. Assolarei a terra, e se espantarão disso os vossos inimigos que nela morarem. Espalhar-vos-ei por entre as nações e desembainharei a espada atrás de vós; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas. Então, a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos; nesse tempo, a terra descansará e folgará nos seus sábados. Todos os dias da assolação descansará, porque não descansou nos vossos sábados, quando habitáveis nela”.

Levítico 26:43 - Mas a terra na sua assolação, deixada por eles, folgará nos seus sábados; e tomarão eles por bem o castigo da sua iniqüidade, visto que rejeitaram os meus juízos e a sua alma se aborreceu dos meus estatutos”.

Noutras palavras, enquanto moravam em Canaã, os israelitas desrespeitaram o mandamento do ano sabático (Levítico 25:1-7) e do ano jubileu (Levítico 25:8-28). Resultado: a terra só descansou quando foram para Babilônia.

Como foi calculado esse período de setenta anos de cativeiro? “... A contagem é feita na base de um ano de exílio para cada ano sabático durante o qual a terra esteve privada de seu repouso. Em outras palavras, se cada um dos 70 anos de exílio representa um ano sabático, deve ter havido 490 anos de rebelião durante os quais os filhos de Israel deixaram de observar as leis e estatutos de Deus” – Profecias de tempo de Daniel 9:2 – Jean Zurcher – Revista adventista, Junho/1991, página 14.

As abominações geraram assolações que deveriam durar setenta anos. “Com fé fundada na segura palavra da profecia, Daniel pleiteou do Senhor o imediato cumprimento dessas promessas. Suplicou que a honra de Deus fosse preservada” – Profetas e reis, página 533 e 534.

Daniel, todavia, estava equivocado. Os dois mil e trezentos dias associados à assolação do santuário (Daniel 8:14) não estavam relacionados àqueles setenta anos já vividos pelos escravos hebreus.

O santuário assolado nos dias de Antíoco e Judas Macabeus.

Antíoco Epifânio.

Trata-se de um ex-rei selêucida que introduziu a cultura grega e impôs um culto idólatra na terra e no santuário dos judeus. O santuário foi assolado. Porcos e animais imundos tornaram-se oferendas de primeira linha no altar profanado. Estabeleceu-se o abominável da desolação. À semelhança de Babilônia, um decreto de morte para o povo de Deus foi estabelecido. Fabricaram estátuas, aboliram o culto ao Deus verdadeiro, e o pacto da circuncisão (Gênesis 17:9-14) fez diferença entre quem obedecia a Deus ou ao rei.

I Macabeus 1:63 e 64 -E as mulheres que circuncidavam seus filhos eram cruelmente mortas, segundo a ordem do rei Antíoco, e penduravam os meninos pelo pescoço em todas as casas onde os achavam, e trucidavam os que os tinham circuncidado”.

Atenção para o contexto em que isto se deu.

I Macabeus 1:40 e 41 -E os habitantes de Jerusalém fugiram por causa deles, e a cidade tornou-se morada dos estrangeiros, e tornou-se estranha aos seus naturais, e seus próprios filhos a abandonaram. O seu santuário ficou desolado como um ermo, os seus dias de festa transformaram-se em pranto, e os seus sábados em opróbrio, as suas honras em nada”.

Que retrato sombrio! Talvez seja por isso que Antíoco ainda viva e reine na mente de renomados teólogos. No entanto, considero que nem o helenismo, nem a intolerância religiosa provocaram tanta assolação quanto o estrago promovido por Antíoco na interpretação bíblica atual.

Nos dias da escravidão em Babilônia e Medo Pérsia, a cidade e o santuário também estavam assolados por causa dos ídolos abomináveis (Jeremias 7:30; Ezequiel 8:3, 5, 10, 14 e 16). O povo de Deus encarou pelo menos dois decretos de morte; impuseram-se restrições à liberdade religiosa (Daniel 3:4-6; 6:6-9). Contudo, esse não foi o cumprimento da profecia de Daniel 8:13 e 14.

Nos dias de Antíoco e Judas Macabeus, nem a cidade e nem o santuário foram destruídos. Jerusalém passou a ser habitada por estrangeiros; no templo não mais se ofereciam sacrifícios expiatórios pelos pecados, mas se ofereciam quaisquer animais imundos. A abominação desoladora estava no lugar santo. Concomitantemente, havia um decreto de morte para quem obedecesse a lei de Deus desobedecendo, assim, a lei de Antíoco. Contudo, os dois mil e trezentos dias, aqui, não se cumpriram.

Vamos aos fatos, à prova dos nove.

Daniel 8:13 e 14 - “Até quando durará a visão...? Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”.

Caso o chifre pequeno, que estabeleceu a abominação desoladora, fosse mesmo Antíoco Epifânio, Daniel não passaria no teste de um profeta verdadeiro. Por quê? Porque a duração da visão em que se observou a profanação e a purificação do santuário seria de 2300 dias, e este número não se encaixa nos dias de Antíoco Epifânio. O Deus de Daniel não deixa dúvidas acerca de quem é um falso profeta.

Deuteronômio 18:21 e 22 - “Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele”.

Então, ou Daniel seria um falso profeta, ou os teólogos renomados da atualidade que insistem em ressuscitar Antíoco são falsos professores.

Como cheguei a esta conclusão? Lendo os livros históricos (apócrifos da Bíblia Católica) dos Macabeus.

O relato da purificação do templo e da restauração do culto por Judas Macabeus está registrado em I Macabeus 4:36-59 e em II Macabeus 10:1-8. Três versos serão aqui transcritos:

I Macabeus 4:52 e 53 - “E no dia vinte e cinco do nono mês chamado mês de Casleu, do ano cento e quarenta e oito, levantaram-se antes do amanhecer, e ofereceram sacrifício, conforme a lei, sobre o novo altar dos holocaustos que tinham construído”.

II Macabeus 10:5 -  “E aconteceu que, naquele dia em que o templo tinha sido profanado pelos estrangeiros, nesse mesmo dia foi purificado, no dia vinte e cinco do mês de Casleu”.

Grave bem a data da purificação do santuário ou o suposto fim dos 2300 dias: dia 25/09/148. Antíoco começara “a reinar no ano cento e trinta e sete do reino dos gregos” (I Macabeus 1:11).

        Quanto tempo o templo ficou profanado com o abominável da desolação? Quando o edito de intolerância religiosa, emitido por Antíoco, entrou em vigor?

       I Macabeus 1:57 -  “No dia quinze do mês de Casleu, no ano cento e quarenta e cinco, o rei Antíoco colocou o abominável ídolo da desolação sobre o altar de Deus; por toda parte se edificaram altares em todas as cidades de Judá”.

       I Macabeus 1:62 - E no dia vinte e cinco de cada mês sacrificavam sobre o altar (idolátrico), que estava oposto ao altar (do Senhor)”.

Salve essa outra data no seu banco de dados: O decreto de Antíoco entrou em vigor no dia 15/09/145. Seria esta o começo dos 2300 dias?

Se for assim, o período compreendido entre as duas datas – dia 15/09/145 até dia 25/09/148 – perfazem um total de três anos e dez dias ou 1090 dias, tempo este em que o sacrifício diário foi tirado e a abominação desoladora estabelecida. Insisto com a seguinte idéia: Daniel é um falso profeta? Ou os teólogos estão equivocados na sua interpretação?

Se você discorda do uso dos livros apócrifos de Macabeus, sugiro o historiador hebreu Flávio Josefo: “No dia vinte e cinco do mês de Casleu, que os macedônios chamam Apeleu, acenderam-se as luzes do candelabro, incensou-se o altar, colocaram-se os pães sobre a mesa e ofereceram-se holocaustos sobre o novo altar. Isto se deu no mesmo dia em que três anos antes o templo tinha sido indignamente profanado por Antíoco e abandonado. Tudo isso se havia passado no dia vinte e cinco do mês de Apeleu no ano cento e quarenta cinco e na Olimpíada cento e cinqüenta e três; essa renovação se fez no mesmo dia do ano cento e quarenta e oito e da olimpíada cento e cinqüenta e quatro, como o Profeta Daniel tinha predito, quatrocentos e oito anos antes, dizendo clara e distintamente que o templo seria profanado pelos macedônios” – História dos hebreus/ obra completa/ Primeira Edição/ I parte, livro décimo segundo, capítulo 11, página 291 – Flávio Josefo – Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro/RJ, 1992.

Conferiram as datas? Viram as similaridades.

Ainda bem que o livro não foi publicado pela Casa Publicadora Brasileira dos Adventistas.

 Na tentativa de encaixar os dados numéricos, alguns teólogos ladinos menosprezam a interpretação do Gênesis. Moisés diz que a expressão “tarde e manhã” significa um dia inteiro (Gênesis 1:5, 8, 13, 19, 23 e 31). Os renomados doutores dizem que “tarde e manhã” significa tão somente a parte clara do dia, o que reduziria esse tempo para 1150 dias inteiros. De igual modo, faltam sessenta dias para qualificar a exatidão da profecia, do profeta e do professor.

Como o Deus que inspirou Daniel não erra, sugiro a avaliação de outra data – a da primeira investida de Antíoco contra o santuário e os judeus. Uma nova chance para Antíoco Epifânio!

I Macabeus 1:21E, depois de ter assolado o Egito, no ano cento e quarenta e três, Antíoco voltou, e marchou contra Israel”.

      Não tenho o dia e o mês precisos do ato supracitado. A minha sugestão é que analisemos as duas hipóteses abaixo:

       Se a invasão selêucida se deu no dia 01/01/143, esse novo marco aumentaria em pelo menos um ano, oito meses e quinze dias ou 615 dias o tempo de profanação e assolação do santuário. Somados aos 1090 dias anteriores já se atingiria 1705 dias, número ainda distante das duas mil e trezentas tardes e manhãs.

       Se a invasão selêucida aconteceu no dia 30/12/143, os 256 dias a mais acrescidos aos 1090 dias resultariam em apenas 1346 dias de desolação. Um número além dos 1150 dias e aquém das 2300 tardes e manhãs (dias inteiros).

Fiquei fã do Flávio Josefo porque, mesmo jogando no time dos que interpretam a profecia de Daniel 8 com Antíoco Epifânio, ele não escondeu a verdade. Aliás, deu um tiro no pé.  Tenho dois motivos para pensar assim.

·         Com suas datas, ele esclarece como ninguém que os 2300 dias não se encaixam nos dias do império grego – ver alguns parágrafos atrás.

·         Ademais, ele removeu a minha dúvida sobre o avanço de Antíoco para o sul, para o Egito. Em I Macabeus 1:21, lemos que “depois de ter assolado o Egito, no ano cento e quarenta e três, Antíoco voltou, e marchou contra Israel”. De fato, essa bolha de crescimento logo se desfez. E Josefo explica como se deu a derrota de Antíoco no Egito. “A profunda paz de que Antíoco gozava e o desprezo que ele tinha pela pouca idade dos filhos de Ptolomeu, que os tornava incapazes de tomar conhecimento das coisas, fê-lo conceber a idéia de conquistar o Egito. Declarou-lhe guerra, e entrou no país com um poderoso exército; foi diretamente a Pelusa, enganou o rei Filopator, tomou Mênfis e marchou para Alexandria, para se apoderar da cidade e da pessoa do rei. Mas os romanos declararam-lhe que lhes fariam guerra, se eles não se retirassem para seu país; ele foi obrigado a abandonar essa empresa, como já dissemos em outro lugar. O temor de se meter numa guerra contra os romanos obrigou o rei Antíoco a abandonar a conquista do Egito” – História dos hebreus/ obra completa/ Primeira Edição/ I parte, livro décimo segundo, capítulos 6 e 7, página 286 e 287.

       Sobre a subordinação de Antíoco aos romanos, adiciono as idéias de dois outros historiadores para que você se posicione ao lado da verdade.

A primeira faz parte de uma entrevista com o Prof. Yeshayáhu Gafni da Universidade Hebraica de Jerusalém, pesquisador de História do Povo de Israel na época do Segundo Templo. Podemos acessá-la, na íntegra, no endereço eletrônico: www.chabad.org.br/datas/chanuca/cha006.html  - 32k.

Em 168 A.E.C., Antíoco chegou aos portões de Alexandria. Exatamente nesta época, os romanos derrotaram o Império Macedônio na Grécia e enviaram um cônsul a Antíoco, no Egito, com um ‘conselho amigável’: retornar à Síria. Antíoco tentou ganhar tempo e respondeu ao cônsul: ‘Pensarei no assunto’. O cônsul romano desenhou um círculo no chão em volta dos pés de Antíoco e disse: ‘Pense aqui, dentro deste círculo’. A honra de Antíoco fora rebaixada, mas o medo do poderio de Roma era mais forte. Reuniu seu exército e retornou para casa”.

Em seguida, extraímos parte do texto Egito: o berço do ideal imperial, publicado numa revista virtual de história (www.klepsidra.net/klepsidra16/egito-12.htm ). Neste, o autor Danilo José Figueiredo, um mestrando em História Social da USP-SP, amplia nossas idéias sobre as limitações de Antíoco.

As tropas Romanas eram de fato as melhores do mundo Antigo e, sendo assim, conseguiram expulsar Antíoco IV Epifânio do Egito e recuperar o que havia sido perdido. Porém, todo o Império internacional que Ptolomeu I Sóter e Ptolomeu III Evergeta haviam conquistado havia sido reduzido a zero (restando apenas Chipre para o Egito). Os Ptolomeus passavam a depender de Roma e ficavam restritos ao governo do próprio Egito.

       Não há comparação entre Antíoco e Nabucodonosor, Ciro, Alexandre o grande, os Césares e os papas.

     Pensando nos sinceros, sugiro um outro exercício de números para testar a veracidade da interpretação com Antíoco Epifânio.

      Daniel 11:31 - Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora”.

     Daniel 12:11 -  “Depois do tempo em que o sacrifício diário for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil e duzentos e noventa dias”.

      Use as datas supramencionadas para verificar o óbvio: os 1290 dias superam em duzentos dias o tempo de profanação (1290-1090=200). A teoria de que as 2300 tardes e manhãs correspondem a 1150 dias cai por terra.  Ou Daniel está equivocado com o tempo de profanação, ou os intérpretes contemporâneos precisam rearranjar seus cálculos para transformar os 1150 dias em 1290 dias.

      Transcrevo a seguir o pensamento de Antônio Neves de Mesquita sobre essa profecia. “Os algarismos referentes ao tempo em que o costumado sacrifício seria tirado e posta a abominação são simbólicos. Podem ter qualquer relação com o tempo de Antíoco, quando ele colocou um altar pagão na entrada do templo em Jerusalém, profanando, assim, o templo, que ficou fechado até os dias da vitória dos Macabeus, quando foi reconsagrado. Jesus se refere a certo tempo e fatos em Mateus 24:15. Pode referir-se ao tempo dos romanos, quando tudo foi destruído, porém cremos que não. Pode também referir-se ao tempo do anticristo “ - Estudo no livro de Daniel, Editora JUERP, página 92.

       Ouça este diálogo imaginário que criei baseado no texto grifado acima.

      Jesus disse: “Quando a abominação desoladora estiver no lugar santo, os romanos destruirão a cidade e o santuário. Então, eu os aconselho que fujam”!

       O dispensacionalista retrucou: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira! Creio que a abominação desoladora já se cumpriu nos dias de Antíoco. Eu não creio que os romanos cumprirão este papel”.

Os dispensacionalistas estão equivocados. Os dois mil e trezentos dias associados à assolação do santuário (Daniel 8:14) não estavam relacionados àqueles mil e noventa dias de profanação do santuário dos dias de Antíoco.

O santuário assolado nos dias de Tito e outros imperadores (Roma pagã) e do papado (Roma papal).

Mais de dois mil e quinhentos anos já se passaram desde a morte de Daniel; portanto, nossa compreensão das profecias já aumentou.

Daniel ainda “não podia compreender a relação dos setenta anos do cativeiro como preditos por Jeremias, para com os dois mil e trezentos anos que nessa visão ouvira o visitante declarar que mediariam até a purificação do santuário” – Profetas e Reis, página 533.

Estudou a Bíblia, orou e, em resposta, Gabriel veio para remover as dúvidas sobre a visão que tivera (Daniel 9:21-23). “Qual visão? Só pode se tratar da visão do capítulo oito, pois a primeira parte do capítulo nove não contém nenhuma visão. Ora, foi justamente a visão do capítulo anterior que o profeta não entendera completamente, e que o anjo só em parte havia explicado. Em particular, ficara por explicar o ponto de partida do período profético das 2300 tardes e manhãs” – Siegfried J. Schwantes / As 2300 tardes e manhãs, Revista Adventista 07/1984, página 40.

Daqui para frente estudaremos como Gabriel interpretou as 2300 tardes e manhãs. Tal qual um professor, que tira dúvidas de um aluno, ele passeou pela história futura da humanidade e pontuou as datas e fatos mais importantes na história do santuário. O que Gabriel explicou para Daniel?

a) Ele explicou que o povo não permaneceria cativo por 2300 anos, como Daniel vinha pensando. Disse que, aos setenta anos de escravidão profetizados por Jeremias, seguir-se-iam setenta semanas (de anos) de graça para o povo judeu e a cidade de Jerusalém, “para fazer cessar a transgressão” (Daniel 9:24). Outra boa notícia trazida por Gabriel: Em breve, Jerusalém e o templo seriam reedificados, se bem que em tempos angustiosos (Daniel 9:25).

À semelhança de Noé que pregou cento e vinte anos de graça para os antediluvianos (Gênesis 6:3), Daniel pregou um tempo extra de graça, uma prorrogação de quatrocentos e noventa anos da misericórdia divina para o povo judeu. Ou seja, as desolações de Jerusalém e do templo vistas por Daniel não se referiam às do seu tempo; ainda estariam por vir.

Esdras, que viveu pouco tempo depois de Daniel, documentou o ressurgimento da nação. Segundo ele, Israel é fruto da graça e da misericórdia de Deus.

Esdras 9:8 e 9 -  “Agora, por um breve momento, se nos manifestou a graça da parte do Senhor, nosso Deus... porque somos servos, porém, na nossa servidão, não nos desamparou o nosso Deus; antes, estendeu sobre nós a sua misericórdia, e achamos favor perante os reis da Pérsia, para nos reviver, para levantar a casa do nosso Deus, para restaurar as suas ruínas e para que nos desse um muro de segurança em Judá e em Jerusalém”.

]          Ageu, o profeta que estimulou a reconstrução do templo, fez a seguinte predição: “... a glória desta última casa será maior do que a primeira” (Ageu 2:7-9). No final das setenta semanas de anos destinadas à reorientação espiritual do povo judeu, Jesus Cristo, o desejado de todas as nações, veio ao novo santuário em carne e osso para ensinar seu povo sobre o plano da salvação.

            Agora, a má notícia.

           O que Jesus Cristo encontrou durante vistoria a que fez no templo judeu? Todo aquele ritual do santuário ainda impregnava a salvação pela fé na mente de um judeu? Não! Aquela que deveria ser uma casa de oração de todos os povos se transformara num supermercado da fé (Marcos 11:17). Jesus teve que purificar o santuário (João 2:13-17).

         “Os próprios sacerdotes que ministravam no templo haviam perdido de vista a significação do serviço que realizavam. Deixaram de olhar, para além do símbolo, àquilo que ele significava. Apresentando as ofertas sacrificais, eram como atores num palco. As ordenanças que o próprio Deus indicara, tinham-se tornado o meio de cegar o espírito e endurecer o coração. Deus não poderia fazer nada mais pelo homem por meio desses veículos. Todo sistema devia ser banido” – O desejado de todas as nações, página 32. Neste caso, os sacerdotes levitas deveriam ser trocados por um sacerdote da ordem de Melquisedeque (Hebreus 7:11).  Depois de tanta encenação, a lei cerimonial caducou! Cristo, dentro de poucos dias, decretaria a falência do sistema sacrifical. “Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente, há também mudança de lei” (Hebreus 7:12). Outra explicação para a revogação da lei cerimonial é a “sua fraqueza e inutilidade” (Hebreus 7:18).

       b) Gabriel explicou que depois das sessenta e duas semanas seria morto o Cristo (Daniel 9:26). Mais adiante, até marcou a data em que os sacrifícios e ofertas de manjares cessariam: na metade da última semana (Daniel 9:27). Com relação ao santuário terrestre, não foi Nabucodonosor, nem Antíoco, nem Tito quem provocou a maior assolação.  A assolação definitiva, que durará para todo sempre, foi capitaneada por Cristo. Na sua morte, o véu do templo se rasgou (Mateus 27:51), e todo ritual do santuário terrestre caiu em desuso.

      “Com ruído rompe-se de alto a baixo o véu interior do templo, rasgado por mão invisível, expondo aos olhares da multidão um lugar dantes pleno da presença divina. Ali habitara o shekinah. Ali manifestara Deus Sua glória sobre o propiciatório. Ninguém, senão o sumo sacerdote, jamais erguera o véu que separava esse compartimento do resto do templo. Nele penetrava uma vez por ano, para fazer expiação pelos pecados do povo. Mas eis que esse véu é rasgado em dois. O santíssimo do santuário terrestre não mais é um lugar sagrado” – O desejado de todas as nações, página 727.

       A filial do santuário celestial estava antiquada e não mais atendia às necessidades de seus usuários. E não foi fechada para balanço, mas em definitivo. Para que matar cordeiros diariamente, quando o verdadeiro sacrifício fora oferecido uma vez por todas (Hebreus 9:26-28)? Para que reconstruir um templo e recomeçar a matar animais, se tudo isto já caducou? Da cruz em diante, nunca mais a glória de Deus brilhou sobre o propiciatório. Apenas o santuário celeste continua em atividade.

        c) Gabriel também deixou claro que depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido (Cristo), e “já não estará” (Daniel 9:26). “E já não estará” o quê? Você sabe dar explicação para está frase ininteligível? Na tradução católica, leio o seguinte:

       Daniel 9:26:E, depois das sessenta e duas semanas, será morto o Cristo, e o povo que o há de negar não mais será seu...”.

       Que povo haveria de negar o Cristo? O povo judeu.

       Volte para o verso vinte e quatro.

      Daniel 9:24 -  “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão...”.

       Na tradução católica, leio o seguinte:

      Daniel 9:24 -  “Setenta semanas (de anos) foram decretadas sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa, a fim de que a prevaricação se consuma”.

      O que significa prevaricar? Confira num dicionário. Prevaricar é “faltar ao dever, ou deveres do cargo ou ministério”. E o povo judeu não fez o dever de casa para com Deus. Escolheram um afastamento progressivo dAquele que os libertara do Egito e de Babilônia e que poderia libertá-los do Império Romano, do império do pecado.

     Volte ao capítulo oitavo. É-nos dito que o chifre pequeno surgiria no auge da prevaricação. Unanimidade e intimidade com o pecado seriam marcas registradas da nação rebelde. Não seria num período em que um Judas Macabeus mobilizaria toda a nação em direção ao reino de Deus.

      Daniel 8:23 -  “Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á...”.

       Na tradução católica, leio o seguinte:

      Daniel 8:23 -  “E, depois do seu reinado, quando tiverem crescido as iniqüidades, levantar-se-á...”.

      Farei um breve resumo desse crescimento das iniqüidades ou da prevaricação do povo judeu.

        Primeiro: No Sinai, fizeram uma aliança com Deus (Êxodo 19:5-8; 24:3-7) que foi ratificada com sangue:

       Êxodo 24:8 -  “Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez convosco a respeito de todas estas palavras”.

       A obediência aos estatutos premiava os israelitas com bênçãos sem medida (Levítico 26:3-13; Deuteronômio 28:1-14). A prevaricação conferia maldições (Levítico 26:14-46; Deuteronômio 28:15-68).

          Segundo: Do bezerro de ouro (Êxodo 32) até o cativeiro babilônico a prevaricação só piorou, “até que não houve remédio algum” (II Crônicas 36:14-16). Nem mesmo a promessa de um mundo onde os ímpios seriam castigados e os bons seriam sempre agraciados com um seguro total de qualidade de vida fez o povo judeu escolher a obediência ao Deus libertador.

        Terceiro: Retratos-falados da prevaricação feitos por testemunhas oculares são vistos em Daniel 9:4-14, Esdras 9, Neemias 9 e em vários outros textos do Velho Testamento. Ouçam a confissão de Esdras:

       Esdras 9:6 -  “Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face, meu Deus, porque as nossas iniqüidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus”.

        Quarto: Chegada a plenitude do tempo, as palavras dos profetas não mais surtiam efeito. Aí veio o próprio Filho de Deus, o desejado de todas as nações, que ilustrou o problema de Israel na parábola dos lavradores maus (Mateus 21:33-46). Quando a medida da iniqüidade como nação já estava quase cheia (Mateus 23:32), Jesus pronunciou a sentença final.

           Mateus 21:43 e 45 -  “Portanto vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos... Os principais sacerdotes e fariseus, ouvindo estas parábolas entenderam que era a respeito deles que Jesus falava”.

       E o pior? Cristo declarou que o reino seria retirado logo, logo. Seria o fim das setenta semanas de graça destinadas ao povo judeu, anunciadas por Gabriel.

        Mateus 23:33-36 -  “Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração”.

Essa “presente geração” é a mesma que, alguns dias mais tarde, assumiu publicamente a culpa pela morte de Cristo: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos” (Mateus 27:25). Que ironia! Aquele povo que por meio do ritual do santuário anunciava diariamente a vinda e morte do Salvador condenou o Messias à crucifixão. “Que ironia brutal! Os próprios animais que simbolizavam o sacrifício de Cristo estavam sendo vendidos pelos sacerdotes por preços exorbitantes! Com o objetivo de lucro, eles sufocavam as gloriosas lições do evangelho, corporificadas nos serviços do santuário” – Sua maravilhosa cruz – Lição da escola sabatina dos adultos, edição do professor, primeiro trimestre/2005, página 78.

       Por este motivo, na celebração da ceia, Jesus firmou a sua nova aliança com muitos (Daniel 9:27). E o sangue que ratificou aquela aliança não era de cordeiro, como no Sinai, mas o sangue do próprio Cristo.

      Mateus 26:27 e 28 -  “Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da (nova) aliança, derramado em favor de muitos, para a remissão de pecados”.

        Quinto: O ato final de prevaricação foi o apedrejamento de Estevão. Este nos legou um resumo do retorno de Israel para o Egito (Atos 7:39ú.p.). Ouça o seu parecer sobre este problema.

       Atos 7:51 e 52 -  “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos”.

      Os judeus rejeitaram ao Pai (I Samuel 8:6 e 7), rejeitaram ao Filho (Mateus 27:25) e, finalmente, rejeitaram ao Espírito Santo (Atos 7:51 e 52).

        Sexto: Paulo não economiza palavras para dizer que a prevaricação se completou.

     I Tessalonicenses 2:14-16 -  “Porque também padecestes, da parte dos vossos patrícios, as mesmas coisas que eles, por sua vez, sofreram dos judeus, os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são adversários de todos os homens, a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida de seus pecados. A ira, porém, sobreveio contra eles, definitivamente”.

     Eles encheram a medida de sua iniqüidade como nação. A prevaricação se completou. Os ramos naturais da oliveira (os judeus) foram quebrados, todavia, permaneceu a possibilidade de serem reenxertados como indivíduos (Romanos 11:11-24). Basta olhar o surgimento do cristianismo! Cristo escolheu doze judeus, reenxertou muitos outros, e o evangelho se disseminou pela Judéia, Samaria e atingiu os confins da terra (Atos 1:8). Ou seja, o tempo dos gentios começou pelos judeus.

      d) Gabriel, sem enrolação, deixa claro, em Daniel 9:26 e 27, quando se daria o surgimento da abominação desoladora e as desolações da cidade e do santuário que Daniel viu. Comparemos as traduções.

     Edição revista e atualizada no Brasil:Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido, e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e as ofertas de manjares; sobre as asas das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele”.

     Tradução católica – a partir da vulgata:E, depois das sessenta e duas semanas, será morto o Cristo, e o povo que o há de negar não mais será seu. E um povo com o seu capitão, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário; e o seu fim será uma ruína total, e, depois do fim da guerra virá a desolação decretada. E (o Cristo) confirmará com muitos a sua (nova) aliança durante uma semana; e no meio da semana fará cessar a hóstia e o sacrifício; e estará no templo da abominação da desolação; e a desolação durará até à consumação e até ao fim (do mundo)”.

       Foi Tito quem destruiu a cidade de Jerusalém e seu templo.

      No entanto, foi Cristo quem primeiro decretou a falência do santuário terrestre. Ele tornou inútil todo e qualquer sacrifício da antiga aliança.

      Se o santuário terrestre deixou de ser significante após a morte de Cristo, por que as profecias ainda valorizaram a destruição dele por Tito?

       A resposta a essa pergunta exige uma visita ao inacabado templo judeu. Dentro de poucos dias, a morte de Cristo dispensaria quaisquer sacrifícios de animais. Três décadas mais tarde, o templo ora inacabado seria totalmente devastado.

      Daniel nove faz referência a esses dois acontecimentos: a morte de Cristo e a destruição do templo. Antes de sua morte, Cristo aproveitou as obras do templo para repercutir a profecia de Daniel.

       Mateus 24:2 -  “Em verdade vos digo que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada”.

      Mateus 24:15 -  “Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo” ou “no lugar onde não deve estar, então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes” (Marcos 13:14).

        Em Lucas, a predição é ainda mais inteligível.

       Lucas 21:20-22 -  “Quando virdes, pois, que Jerusalém é sitiada por um exército, então, sabei que está próxima a sua desolação... porque estes são dias de vingança, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas”.

      Tudo cooperou para o cumprimento das profecias. As tropas romanas sitiaram e invadiram Jerusalém. Faltava apenas o golpe final, quando o comandante do exército, sem dar explicações, fez com que os seus soldados abandonassem o cerco.

       Como reagiram os cristãos àquela trégua dada por Roma?

       “... Foi a retirada de Céstio que ‘abriu uma súbita e breve fuga’ para aqueles que acreditaram na advertência. ‘Muitos fugiram para as montanhas da Perea, dalém Jordão e outros para as vastidões do Líbano’. Isto ocorreu em 70 d.C.” – Israel foco das atenções mundiais, página 8 – Roy Allan Anderson e Jay Milton Hoffman – Instituto de Herança Judaica, Itapecerica da Serra/SP,

       “De fato, a igreja do segundo século passou visivelmente por uma fase de separação do judaísmo e de libertação de suas tradições judaica. O fato político de Jerusalém terminar por ser derrotada na luta por libertar-se do domínio romano e de a conquista de Jerusalém no ano 70 pelas forças romanas comandadas por Tito haver resultado na destruição do templo e da cidade, sendo seus habitantes exterminados ou banidos, não constitui a razão principal do desaparecimento da linha judeu-cristã – em obediência às profecias, numerosos membros da comunidade judeu-cristã haviam-se posto em segurança na Transjordânia (Pela)” – Descrição do cristianismo, páginas 61 e 62 – Ernst Benz – Vozes, Petrópolis/RJ, 1995.

        Não restam dúvidas! Os cristãos só se salvaram do massacre porque acreditaram que a abominação desoladora mencionada por Daniel e por Cristo era o Império Romano. Conduta em obediência à palavra de Cristo: fugiram de Jerusalém pouco antes do cerco.

        Quem permaneceu na cidade testemunhou uma série de retaliações, patrocinadas pela abominação desoladora, visando conter a insubordinação dos judeus. “Em poucas palavras, quase por toda parte as autoridades julgavam os judeus insociáveis e ingovernáveis, ao passo que eles mesmos suportavam cada vez menos pacientemente a dominação de Roma. Não há margem, assim, para nos surpreendermos com o empenho, atroz de parte a parte, manifestado na sucessão das ‘guerras judias’. Duas desenrolaram-se na Palestina. A primeira durou de 68 a 70 e levou à tomada de Jerusalém por Tito, à pilhagem e destruição da cidade e do templo... As conseqüências disso foram graves. A diáspora aumentou ainda sua área e fragmentou-se, pois numerosos foram os sobreviventes que emigraram da Palestina. Essa se povoou de elementos étnicos novos. No sítio de Jerusalém, ao quais os judeus apenas tiveram acesso um dia por ano, elevou-se uma cidade nova, Élia Capitolina, com um templo de Júpiter Capitolino construído no próprio local do antigo templo; aí celebrou-se o culto imperial e uma estátua de Vênus Astarté foi elevada no Calvário. Os judeus de todo o Império, em substituição ao que antes pagavam para o templo, foram submetidos a uma taxa anual recolhida pelo tesouro público; tratava-se de uma taxa fraca: um didracma, isto é, dois francos franceses de 1914; mas proporcionava um meio de conhecê-los e, por conseguinte, de vigiá-los. Foi-lhes proibida a observância do sabá e a prática da circuncisão...” –  História Geral das civilizações, volume 4, página 197 e 198 – Maurice Crouzet – Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 1994.

O templo e o calvário foram profanados. Jerusalém voltou a ser povoada por estrangeiros, como nos dias de Antíoco. Mas não são essas coincidências que nos interessam nesse estudo. Duas dessas medidas antijudaicas afetaram o dia a dia dos cristãos. E essa é uma das razões porque a destruição de um ultrapassado santuário terrestre foi objeto de profecias bíblicas.

“Foi-lhes proibida a observância do sabá”. Um belo tema, mas que não é o objetivo desse estudo.

“No sítio de Jerusalém, ao quais os judeus apenas tiveram acesso um dia por ano, elevou-se uma cidade nova, Élia Capitolina, com um templo de Júpiter Capitolino construído no próprio local do antigo templo; aí celebrou-se o culto imperial e uma estátua de Vênus Astarté foi elevada no Calvário”. Tire os olhos do templo judeu. O véu do templo já se rasgara. O sacrifício de Jesus na cruz já o tornara insignificante. A assolação patrocinada pela abominação desoladora que nos interessa é a tentativa de se ofuscar o sacrifício de Cristo no Calvário, através do culto imperial. Tanto judeus quantos cristãos foram convocados para adorar o opressor em vez do Salvador.

Ouça a opinião de um especialista recém-saída do prelo: “Os líderes militares romanos usavam a crucifixão como um instrumento para aterrorizar os povos subjugados a fim de submetê-los ao regime imperial. Primordialmente por meio da missão de Paulo, o Cristo crucificado tornou-se o símbolo central do movimento popular que veio a ser o cristianismo. Uma vez que o crucifixo ficou cercado e coberto por várias associações com sacrifício e expiação por pecados, era fácil perder de vista o terror que a cruz originalmente evocava como instrumento de tortura e punição para escravos e povos resistentes ao domínio romano” – Paulo e o império: religião e poder na sociedade imperial romana, página 19 – Richard A. Horsley – Paulus, São Paulo, 2004. A crucifixão como método de persuasão foi substituído pelo culto ao imperador.

Em que consistia o culto ao imperador?

Em Roma, Júlio César foi o primeiro a ser intitulado ‘Divus Julius’, mas não fora adorado. Durante o reino de Augusto, o culto ao imperador tornou-se universal, embora ele próprio não o encorajasse. Posteriormente, no entanto, os imperadores, reconhecendo o valor de tal culto como um laço de união destinado a todo império, insistiram nele e gradualmente tornou-se esta a religião da época. A forma habitual do culto era a de queimar incenso diante de uma estátua do Imperador ou trazer uma vítima a ser sacrificada e, depois do sacrifício, partilhar das oferendas num banquete sacrifical. Nos tempos do Cristianismo primitivo, uma das condições para que os Apóstolos permitissem que São Paulo e seus auxiliares difundissem a fé aos gentios era a de que se abstivessem de comer o que havia sido oferecido aos ídolos. O Cristianismo não admitia que nada nem ninguém partilhasse do culto devido apenas a Deus e, embora dispostos a dar a César o que era de César, recusavam-se a dar-lhe o que pertencia a Deus.

Essa recusa de participar do culto ao Imperador, que se tornara o símbolo da unidade do império Romano, foi uma das causas principais, se não a única, das perseguições subseqüentes” – A dramática história da fé cristã, décima edição, páginas 41 e 42 J. J. Van der Leeuw – Editora Pensamento Ltda., São Paulo/SP, 1995.

As exigências do culto ao imperador expuseram o cristianismo às feras e aos fogos. Ou adoravam a Cristo ou ao imperador! A lealdade a Cristo qualificava os cristãos como desleais ao governo de Roma. Uma tsunami, uma onda gigante de perseguições ceifou a vida de muitos cristãos, e só terminou nos dias de Constantino. No entanto, cada cerimônia destinada à morte de um cristão transformou-se num espetáculo de conversões ao cristianismo. Para cada voz silenciada pelas feras ou pela fogueira, muitas vidas e vozes se levantavam em defesa do cristianismo!

        Perceberam como a abominação desoladora tentou sabotar a primeira verdade que emana do pátio do santuário ou do calvário? Ela se apresentou como uma substituta digna de adoração. E nessa concorrência, o culto ao imperador perdeu! O sangue dos cristãos, de fato, era semente!

Por isso, a abominação desoladora mudou de tática! Roma imperial passou o bastão para Roma papal. Já disseram com sabedoria que “houve troca de surrador; o chicote continuou o mesmo”.

Com a mudança de estratégia, a segunda verdade que emana do lugar santo do santuário – a intercessão sacerdotal contínua somente por meio de Cristo – tornou-se o alvo de ataque da abominação desoladora. Roma papal estabeleceu muitos mediadores entre Deus e os homens. Maria, os santos e os padres dotados de poder para perdoar pecados tornaram-se atravessadores entre o céu e a terra. O sacrifício da missa foi proclamado como equivalente ao sacrifício contínuo de Cristo. Os devotos foram persuadidos a comerem o corpo e a beberem o sangue de Cristo fabricados na missa pelo menos uma vez por semana.

Pela missa e pelo confessionário, a mente dos crentes cristãos é afastada da dependência ininterrupta do ministério de mediação do Salvador em Seu santuário e, mediante essas elaboradas cerimônias, o nome de Cristo e o Seu ministério são obscurecidos e perdidos de vista”.

O completo perdão que Cristo quer dar aos que confiam em sua livre e perfeita justiça foi usurpado por um sistema que, na realidade, toma o lugar do próprio Cristo. Em vez de confiar diretamente em Cristo e no que ele fez por nós, os crentes são ensinados a depender de uma igreja como veículo pelo qual é dispensado tudo o que Cristo nos oferece” – Daniel – Lição da escola sabatina dos adultos, edição do professor, quarto trimestre/2004, página 109.

A última verdade que emana do lugar santíssimo do santuário diz respeito ao papel de Jesus como Juiz – no juízo investigativo ou purificação do santuário. A abominação desoladora chamada Roma papal elaborou um sistema que garantia salvação para todos. Ninguém precisaria ficar reprovado.  Uma matrícula na classe de recuperação ou segunda chamada seria o suficiente. Bastaria fazer penitências, pagar indulgências e, quando não se tivesse acesso a esses benefícios, o purgatório concederia mais uma chance ao pecador. Com muitos atalhos, os padres assumiam o papel de juiz, aplicavam penas alternativas fazendo com que os cristãos esquecessem o verdadeiro Juiz. Era a abominação desoladora assumindo uma função para o qual só Jesus está habilitado (João 5:22).

A abominação desoladora bem que tentou falsificar o verdadeiro Cordeiro, o verdadeiro Mediador e o verdadeiro Juiz. Todavia, houve a restauração do sacerdote e do santuário.

O calendário divino nas profecias de Daniel.

Coloque-se no lugar de um israelita dos dias de Daniel. A cidade santa estava assolada e o santuário outrora imponente destruído. Foram setenta anos sem o esplendor do templo; um período em que o brilho da glória de Deus deixou de se manifestar temporariamente no shekinah. Os sacrifícios ou holocaustos contínuos (diários), do sábado (semanais), das luas novas (mensais) e das festas fixas ou sábados cerimoniais (anuais) deixaram de ser oferecidos. Tal período de castigo já estava finalizando quando veio Gabriel para explicar ao profeta que a terra seria abençoada com setenta semanas (de anos) ou quatrocentos e noventa anos de perdão e graça destinados à reorientação espiritual do povo.

Chama-nos a atenção o fato de que Deus estabeleceu uma data no calendário do santuário para viver entre os homens e ensiná-los pessoalmente o caminho da salvação. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o único Intercessor e o futuro Juiz se tornou um de nós! E o cumprimento exato das datas previstas para o batismo e a morte de Cristo autentica a origem divina das profecias de Daniel (Deuteronômio 18:22). Acompanhe esse calendário profético.

   - As primeiras setenta semanas da profecia nos levam até Jesus Cristo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29; I Pedro 1:18-20; Apocalipse 5:8-10; 13:8), que se ofertou no Calvário em lugar do pecador. Foi este sacrifício descartou definitivamente o santuário terrestre; o véu do templo se rasgou (Mateus 27:51) em duas partes deixando exposto aos olhos da platéia um lugar santíssimo sem o fulgor da presença de Deus.

O ponto de partida das setenta semanas ou quatrocentos e noventa anos (Daniel 9:24) é o decreto da reconstrução de Jerusalém (Daniel 9:25) ordenado por Artarxerxes em 457 a.C. O término das setenta semanas é o ano 34 a.D., ano da rejeição de Israel como nação.

Quatrocentos e noventa anos de graça foram destinados à recuperação do povo israelita.

489 anos + 12 meses.

Início das setenta semanas = Após o edito de artaxerxes que autorizou a reedificação de Jerusalém (outono de 457 a.C.).

456 anos + 03 meses.

Término das setenta semanas = Os judeus foram rejeitados como nação (outono do ano 34 a.D.).

33 anos + 09 meses.

Se você deseja chegar apenas até ao batismo de Cristo, à unção do Príncipe, conforme Daniel 9:25, o cálculo deve abranger apenas sete semanas mais sessenta e duas semanas ou quatrocentos e oitenta e três anos, o que nos leva até o ano 27 a.D.

Quatrocentos e oitenta e três anos separam o edito real e a unção de Cristo no seu batismo.

482 anos + 12 meses.

No outono do ano 457 a.C. saiu o decreto de artaxerxes para restaurar Jerusalém.

456 anos + 03 meses.

No outono do ano 27 a.D. Jesus foi ungido com o Espírito Santo no seu batismo.

26 anos + 09 meses.

Entre o batismo de Cristo (ano 27 a.D.) e a rejeição de Israel como nação (ano 34 a.D.) está a última semana ou os últimos sete anos. Na metade dessa semana, Cristo morreu no calvário (o altar do holocausto no antigo santuário) e tornou obsoleto o ritual do santuário (Daniel 9:27).

No outono do ano 27 a.D. Jesus foi ungido com o Espírito Santo no seu batismo.

26 anos + 09 meses.

Na metade da semana (ano 31 a.D.), Cristo fez cessar os sacrifícios e ofertas de manjares.

30 anos + 03 meses.

Término das setenta semanas = Os judeus foram rejeitados como nação (outono do ano 34 a.D.).

33 anos + 09 meses.

Para que continuar com o antigo rito do santuário?

O povo judeu renegou a Jesus Cristo recusando seu sacrifício no calvário. Os judeus preferiram o sangue de animais – touros, bodes e cordeiros – que não podem remover pecados (Hebreus 10:4). Esses sacrifícios imperfeitos e oferecidos por sacerdotes imperfeitos, ainda que desnecessários, foram ofertados até que veio Tito e destruiu novamente a cidade e o santuário.

- Essa profecia também marcou uma data para a substituição dos sacerdotes humanos imperfeitos pelo único mediador entre Deus e os homens (I Timóteo 2:5; Hebreus 7:25; I João 2:1). Desde a morte e ressurreição de Cristo, nosso fiel sumo sacerdote (Hebreus 2:17; 8:1-3), não mais necessitamos de sacerdotes humanos que adentrem o lugar santo para interceder por nós diante do propiciatório; o próprio filho de Deus assumiu esta tarefa diante do Pai. É Cristo com vestes sacerdotais desempenhando suas funções do lugar santo.

Muitos rejeitaram essa mediação sacerdotal de Cristo e reconduziram sacerdotes imperfeitos – Maria, santos e padres – aos cargos de intercessores entre Deus e os homens, à semelhança do que ocorria no antigo ritual do santuário. Isto contraria os princípios da nova aliança (Hebreus 7:24). Chegando a reforma protestante, voltou-se a pregar acerca do sacerdócio universal de todos os crentes (I Pedro 2:9; Apocalipse 5:9 e 10) e Cristo foi reconduzido à função de único intercessor entre Deus e os homens.

- Finalmente, na profecia dos dois mil e trezentos anos, Deus marcou uma data para começar a purificação do santuário ou juízo investigativo. Desde 1844 a.D., Jesus vem exercendo uma dupla jornada de trabalho no santuário celestial. Ele ainda intercede em nosso favor, usando vestes sacerdotais; porém, assumiu a função de Juiz do tribunal divino (João 5:22).

Após dois mil e trezentos anos o santuário será purificado.

2299 anos + 12 meses.

Edito de artaxerxes sinalizando o início da profecia.

456 anos + 03 meses.

Como o decreto saiu no outono do ano 457a.C. (456 anos inteiros e mais 3 meses), ao subtrairmos dos 2300 anos chegaremos ao outono do ano 1844 a.D.

1843 anos + 09 meses.

       Aquela visão que encenava as lutas entre o carneiro (Medo-Pérsia) e o bode (Grécia), que mostrava o santuário assolado e um longo período de supremacia da abominação desoladora tinha uma data determinada para acabar.

        Daniel 8:13 e 14 -  “Até quando durará a visão...? Até duas mil trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”.

Até quando prevalecerá esse estado de desolação? Quando é que as verdades que emanam do santuário deixarão de ser pisadas? Daniel gravou a resposta, os 2300 anos, na sua memória. Depois disso o santuário será purificado.

O desvio de função ou mau uso do templo fez com que Jesus purificasse o santuário terrestre (João 2:13-17). Pouco tempo depois, a morte de Cristo pôs um ponto final nas atividades do templo terrestre.

Então, responda: Se o santuário terrestre perdeu o seu valor, que santuário precisa de purificação? O que significa a palavra santuário na Bíblia?

Segundo Guilherme Miller, “a palavra santuário está relacionada nas Escrituras a sete diferentes entidades: (1) Jesus Cristo (Is 8:14; Ez 11:16); (2) o Céu (Sl 102:19; 20:2); (3) Judá (Sl 114:2); (4) o templo de Jerusalém (1Cr 22:19; Ex 25:8); (5) o Santíssimo (1Cr 28:10; Lv 4:6); (6) a Terra (Is 60:13; 1Rs 8:27; Ap 5:10; 20:6; Mt 6:10; Ap 11:15; Sl 82:8; 96:6-13); e (7) os santos (1Co 3:16, 17; 2Co 6:16; Ef 2:21, 22)”.

As primeiras cinco dessas entidades foram apresentadas por Miller como santuários que não podiam ‘ser purificados’ (cf Dn 8:14): (1) Cristo, ‘porque não é contaminado’; (2) o Céu, porque ‘não é impuro’; (3) Judá, porque ‘morreu e não é mais uma pessoa’; (4) o templo, porque ‘está destruído’; e (5) o santíssimo no templo de Jerusalém, porque ‘também foi destruído com templo’. Assim restam apenas duas entidades que, de acordo com Miller, ‘podem, ou mesmo requererão purificação’, ou seja, ‘a TERRA e a IGREJA’” – O santuário e as três mensagens angélicas, 4ª Edição revisada, páginas 28 e 29 – Alberto R. Timm – Imprensa Universitária Adventista, Engenheiro Coelho-SP/2002.

Daniel estava enganado quando imaginou que o templo e a cidade de Jerusalém não seriam restaurados no final das setenta semanas, e, sim, no fim dos 2300 anos.

Flávio Josefo erroneamente alimentou seus pensamentos e os de seus discípulos com a idéia de um santuário profanado e purificado nos dias de Antíoco e Judas Macabeus.

Guilherme Miller também se equivocou ao imaginar a purificação da terra e da igreja na segunda vinda de Cristo como a purificação do santuário de Daniel 8:14.

Onde Miller errou? Onde Miller acertou?

Ele acertou quando disse que os homens ou templos do Espírito Santo seriam purificados em definitivo na segunda vinda de Jesus (I Coríntios 15:51-54).

Ele errou ao afirmar que o santuário chamado terra seria purificado na segunda vinda de Cristo, ao passo que a Bíblia diz que será purificado com fogo após o milênio (Apocalipse 20:7-9).

Ele também errou ao imaginar que o santuário celestial também não necessitasse de purificação. Será que ele entendeu o final de Hebreus 9:23?

Hebreus 9:23 -  “Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a ele superiores”.

O que significa a expressão “figuras das coisas que se acham nos céus”? Essa é uma referência ao santuário terrestre (Hebreus 8:5). Se a purificação do antigo santuário e dos imundos exigia a aspersão do sangue de touros e bodes e da cinza de uma novilha (Hebreus 9:13, 19-23; Levítico 16:15 e 16; Números 19), muito mais “as próprias coisas celestiais” exige uma purificação com sacrifícios superiores (Hebreus 9:14 e 23ú.p.). Ou seja; os sacrifícios cerimoniais eram ineficazes para aperfeiçoar aquele que prestava o culto (Hebreus 9:9) e jamais poderiam tornar perfeitos os ofertantes (Hebreus 10:1), mas simbolicamente eram usados na purificação do santuário terrestre. Em contraste com o sangue de bezerros e bodes se encontra um sacrifício superior: o sangue de Jesus Cristo (Hebreus 9:12) é eficaz para purificar a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo (Hebreus 9:14) e para purificar o próprio santuário celestial (Hebreus 9:23). Este é o santuário do qual Cristo se tornou ministro, o “verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu e não o homem” (Hebreus 8:1 e 2). E Paulo nos assegura de que ele necessita de purificação, assim como o santuário terrestre.

Hebreus 10:11 e 12 -  “Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o sacrifício sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”.

Sacrifícios imperfeitos deixaram de ser oferecidos desde que o sacrifício superior foi ofertado (Hebreus 10:2). Um único pronto-socorro que trata do problema do pecado continuou funcionando. Por isso, os Adventistas volveram seus olhos para o santuário celestial e procuraram entender o significado de sua purificação.

Esse santuário celestial é que começou a ser purificado no final das duas mil trezentas tardes e manhãs. A pergunta óbvia que vem a mente é a seguinte: Que contaminação precisa de purificação no santuário celestial?

Minha resposta começa com outra pergunta: O que contaminava ou profanava o santuário do Antigo Testamento e nos dias de Jesus que o tornava necessário uma purificação?

·         Pelas transgressões confessadas pelo povo (Levítico 16:16 e 30).

·         Devido às pessoas cerimonialmente impuras (Levítico 15:31; Números 19:20).

·         Pela profanação ou destruição do santuário por nações inimigas de Deus (salmo 74:3-7; 79:1).

·         Pelos próprios israelitas que introduzem ídolos ou deuses no templo (Ezequiel 23:37 e 38).

·         Pelo desvio de sua verdadeira função ou mau uso do templo, como no caso da purificação do santuário por Jesus (João 2:13-17).

Nem os indivíduos cerimonialmente impuros, nem as nações pagãs, nem os israelitas têm acesso ao santuário celestial pessoalmente. Portanto, não são capazes de contaminar, profanar ou usar mal as dependências do templo.

Resta-nos, pois, a última opção.

Essa purificação do santuário celestial tem tudo a ver com as transgressões confessadas pelos pecadores da terra.

Como os pecados dos israelitas contaminavam o santuário do antigo testamento?

Diariamente, alguns passos eram dados para transferir os pecados dos pecadores para o santuário.

§         Através da confissão do pecador: Pequei! Transgredi a lei de Deus (Levítico 5:5; Num 5:5-8).

§         Por meio da morte substitutiva, onde um animal expiatório morria em vez do pecador (Levítico 1:4; 17:11). Essa é a segunda confissão do pecador: Eu não tenho como pagar esse preço!

§         Pela intercessão ou mediação sacerdotal, onde um sacerdote contaminava o santuário com o sangue do animal expiatório (Levítico 4:5-7, 16-18, 25, 30 e 34) e oferecia incenso (Lucas 1:8-11). Enquanto o sacerdote estava no lugar santo oferecendo o incenso, lá no pátio, o pecador orava confessando pela terceira vez: Um miserável como eu só sobrevive pela misericórdia de Deus!

§         Conclusão do ritual diário: “assim, o sacerdote, por essa pessoa, fará expiação do seu pecado que cometeu, e lhe será perdoado” (Levítico 4:35).

Nessa expiação diária, a pena de morte dos indivíduos era adiada pela transferência dos pecados do penitente para o santuário. Uma vez por ano, no dia de expiação, os pecados que contaminavam o santuário eram removidos para longe do arraial.

Um detalhe importante: No dia da expiação anual, quem confessava os pecados sobre a cabeça do animal não era o pecador, mas o sumo sacerdote que oficiava o ritual da purificação (Levítico 16:21). Nesse dia, o Juiz que se manifestava sobre o propiciatório julgava cada pecador que fizera confissão no decorrer do ano. Era um dia de acerto de contas, quando pessoas eram eliminadas do meio da congregação (Levítico 23:29). Somente pecados confessados e abandonados alcançavam misericórdia. 

        Provérbios 28:13O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que confessa e deixa alcançará misericórdia”.

Ou seja, o perdão era coisa séria e poderia ser cancelado! Não era uma permissão para continuarem pecando.

De igual modo, a purificação em andamento no santuário celestial não depende da confissão do pecador. Cristo – nosso Sumo Sacerdote – é quem confessará o nosso nome diante do Pai (Mateus 10: 31 e 32; Lucas 12:8; Apocalipse 3:5). Diante do Supremo Tribunal Celestial, Cristo poderá ser o Justo Juiz que dará a sentença e apagará nomes do livro da vida (Êxodo 32:33 e 34; Salmo 69:28), ou, então, continuará sendo o Advogado de defesa dos vencedores.

Apocalipse 3:5 - O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”.

Os israelitas que menosprezavam as instruções do dia da expiação e não afligiam os corações eram eliminados do meio do povo.

Os judeus que ignoraram o sacrifício e a mediação sacerdotal de Cristo não puderam usufruir os benefícios da salvação.

Aqueles que hoje andam dizendo: Senhor! Senhor! ...mas não fazem a vontade do Pai que está nos céus serão desmascarados. No grande dia da expiação que estamos vivendo desde 1844 a.D., Cristo não defenderá as suas causas. Seus nomes serão retirados do Livro da Vida do Cordeiro.

Quando cada caso estiver decidido, fechar-se-á a porta da graça.

Apocalipse 22:11Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se”.

É o fim da purificação do santuário!

E se alguém ainda não purificou suas idéias acerca da purificação do santuário recomendo que, em primeiro lugar, aprenda ou recicle seus conceitos sobre o antigo templo do Velho Testamento.

João Marques

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