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Comissão de Nomeações da Associação Geral: O Exercício do Supremo Poder Político na IASD

Por Ervin Taylor e Elwin Dunn

By Adventistas.com

 

 

A recente eleição do novo Sumo Pontífice da Igreja Católica Romana conduziu não-católicos a testemunharem os ritos públicos do processo de seleção que inclui algumas práticas milenares. Talvez o elemento mais importante – como os membros individuais do Colégio de Cardeais votam na eleição papal – é aguardado com expectativa por ser altamente secreto. Sob pena de excomunhão, os eleitores do Papa não divulgam a ninguém para quem deram seu voto.

Uma das razões para esta regra foi a preocupação em isolar o processo de votação das pressões externas sobre os cardeais, levadas a efeito pelos seus reis e outras entidades e poderes políticos durante o período em que a igreja era um personagem político importante no cenário da Europa Ocidental.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem cerca de 140 anos de existência, por isso os principais elementos de sua estrutura política datam do início do século 20.

Ironicamente, dada a instância sarcasticamente anti-católica do primeiro Adventismo, a estrutura organizacional na qual os Adventistas se envolveram em sua relativamente curta história é muito próxima e análoga ao sistema hierárquico Católico Romano. Em adição a isso, o atual sistema de tomada de decisão Adventista nos seus níveis mais elevados de sua burocracia, continua a sustentar uma forte fisionomia dos sistemas políticos existentes na velha União Soviética e as "Repúblicas Populares" (NT: Referência aos sistemas políticos comunistas da China e Coréia do Norte) aliados.

A recente seleção do Presidente da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia – um cargo comparado pelo ex-presidente Neal Wilson a, em termos legais, um "Primeiro Ministro" da IASD – ilustra vividamente como o poder político opera na Igreja Adventista.

Seria necessário utilizar-se de um cientista político por apenas um breve período de tempo e realizar poucas entrevistas para concluir que um dos antros mais críticos da centralização política do poder na IASD é a Comissão de Nomeações da Conferência Geral, um grupo constituído somente a cada cinco anos e ao tempo da Assembléia da CG.

Este corpo nomeia indivíduos para todas as altas posições dos escritórios da CG. Ele se tornou o mais poderoso e, para todos os empregados das unidades burocráticas da CG, o mais temido grupo Este corpo determina quem será mantido em sua posição ou elevado, demitido ou ainda removido completamente dos cargos da CG.

Enquanto seus 196 membros dizem ser "democraticamente" selecionados por uma convenção partidária das grandes divisões da igreja, um lance de olhos nos nomes da atual Comissão de Nomeações da CG mostra curiosas anomalias. Por exemplo, todos os presidentes de uniões da Divisão Norte-Americana são membros da Comissão de Nomeações, o que contrasta dramaticamente com os representantes de outras divisões. Ainda mais interessante é o número de obreiros "aposentados" chamados pela Conferência Geral. Na Divisão Norte-Americana, esses indivíduos são nomeados pela União das Comissões Executivas das Associações – não por qualquer nível mais baixo da organização da igreja. Quando questionou acerca da racionalidade desta "política", a Adventist Today (AT) foi informada de que ela está de acordo com a "política de trabalho", que diz, primeiro, que cada ocupante do nível mais alto da organização da igreja vem do mais próximo nível abaixo e, segundo, obreiros "aposentados" possuem as melhores informações acerca das capacidades dos indivíduos.

Nosso cientista político visitante também observaria um princípio operacional pelo qual a igreja conduz suas "eleições". Este é o procedimento de "eleição" indireta usado pela Comissão de Nomeações como um divisor entre os delegados "ordinários", ou seja, que não integram a elite e os cargos desejados pelos altos oficiais da igreja.

As “Regras Procedimentais” claramente estabelecem  que “Todos os indicados para cargos eletivos ou para pertencerem à Comissão executiva, o serão pela Comissão de Nomeações. Estas indicações impedem nomeações feitas desde  posições mais baixas ou por qualquer outro grupo de pessoas... Somente um nome será apresentado no recinto pela Comissão de Nomeações para cada posição a ser preenchida.” (p. 6)

Sob este sistema, os delegados são conduzidos a votar somente para um único candidato pré-eleito pelo todo-poderosa Comissão de Nomeações.

O poder da Comissão de Nomeações se legitima pelas “Regras Procedimentais”. Este documento estabelece que a Igreja Adventista não é um “corpo parlamentar ou fórum político.... Quando os Adventistas do Sétimo Dia encontram-se para decidir os negócios da Igreja, eles estão se encontrando com Deus... A inclinação e interesses das sessões da igreja e comissões é descobrir...  as recomendações Divinas sobre as questões, planos e registros a serem considerados...  [e o objetivo] destas regras é ordenar e facilitar o cumprimento da vontade de Deus.” (p. 2, edição de 2005).

Tornando o processo político pelo qual a igreja toma suas decisões “sacro”, os líderes da igreja podem argumentar que o que estão fazendo simplesmente é veicular a “vontade de Deus”.

Nosso cientista e observador político também descobrirá rapidamente que isto significa que a elite burocrática trabalha para manter o controle da igreja a cada eleição quinqüenal de seus mais altos oficiais sob um véu de segregação oficial acerca das deliberações da Comissão de Nomeações.

Membros da Comissão de Nomeações têm um “acordo de cavalheiros” – e esta foi a expressão empregada, mesmo quando agora há mulheres na Comissão – que eles não vazarão informações durante as deliberações da Comissão.

Esta segregação facilita a oportunidade dos altos oficiais da CG a influenciarem diretamente, e em alguns casos, dominar o processo de tomada de decisão. As “ Regras Procedimentais” ditam que “a Comissão de Nomeações se reunirá em sessão fechada. Isto não implica que executivos das altas organizações da igreja não possam ser convidados para integraram as reuniões como conselheiros.” (p. 6)

Para testar a vitalidade desse princípio e encorajar a “abertura e transparência” advogada pelos documentos da CG, a Adventist Today pediu permissão para observar e relatar o processo empregado pela Comissão de Nomeações nas avaliações e seleções de candidatos para as posições executivas. Apesar do encorajamento e esforço feito por vários executivos norte-americanos ocupantes de altos cargos, muitos deles eles próprios membros da Comissão, o presidente da CG rejeitou nossa petição.

Falando em nome do Presidente Paulsen, seu assistente pessoal, Orville Parchment assegurou que isso se deveu à necessidade de discutirem questões altamente pessoais, “total segredo e confidência são necessárias para todas as deliberações”. Um pedido individual para a Adventist Today foi feito por um membro da Comissão da Divisão Norte-Americana e outro por um obreiro recentemente aposentado, pertencente a um Comitê local. Esta pessoa foi incitada a demonstrar e manter total confidencialidade como parte de suas responsabilidades como integrante da Comissão.

Apesar das tentativas em manter os detalhes acerca das votações da Comissão secretos, devido ao “acordo de cavalheiros”, esses detalhes das votações circulam amplamente entre os delegados “iniciados”,  no período entre a tabulação do votos e a publicidade dos relatórios pelos representantes da revista Spectrum, o que se dá por e-mails ou publicação no website.

Os Adventistas do Sétimo Dia não possuem “salas reascendendo a fumaça de cigarro” na CG, mas possuem salas com ar puro equivalentes.

Participantes de convenções formais e informais e integrantes de poderosos grupos de interesse tomam a maior parte do tempo útil de vários oficiais da igreja – os “cardeais” adventistas.

Eles ocasionalmente aparecem em público para cumprir cerimônias mas sua função política mais importante junto a CG é garantir que as pessoas “certas” estão sendo eleitas para as posições mais importantes. O controle do patrocínio político, por exemplo, conferindo cargos da igreja ao padrinho político – incluindo a editoração da grande mídia da igreja – é uma das razões pelas quais poderosos grupos de interesse mantém o controle do aparato de tomada de decisões e ainda controlam o fluxo de informações e propaganda endereçada aos leigos.

Enquanto a Adventist Today reconhece como legítima a necessidade de a  liderança da igreja expressar preocupações acerca dos indivíduos que são indicados para as altas funções nas sessões executivas da Comissão de Nomeações, o presente modo de operação desse poderosa Comissão é inconsistente com as necessidades de sua transparência e acompanhamento pelos membros, que justificam a burocracia da Conferência Geral. -- Tradução: VHN.

Fonte: http://www.atoday.com/Story.6+M5ad1eaa931a.0.html

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