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O BEZERRO DE OURO

 

 

 

 “...e disse a Jeroboão: Toma dez pedaços, porque assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei dez tribos.” 1 Reis 11:31.  

A palavra de Deus nos mostra que tudo quanto foi escrito tem o objetivo de nos ensinar algo, e isto se torna eficaz em qualquer experiência dos personagens relatados na bíblia, até mesmo aqueles que nos deixaram um registro de vergonha e de atos desqualificáveis.

Compreendemos, então, que a verdade não omite a parte negativa dos filhos de Deus nem mesmo daqueles considerados, pela própria escritura, como os paladinos da fé, ou os baluartes dos oráculos de Jeová.  

 

A experiência de Jeroboão

Um dos relatos do velho testamento que muito me impressiona, é a historia de Jeroboão filho de Nebate, efraimita de Zereda. Embora não haja muitos detalhes que nos forneça material substancioso, a fim de depuramos toda a sua experiência, podemos avaliar algumas citações peculiares que nos dão margem para aprendermos algo útil para nossa caminhada cristã.  

Enumerando os reacionários ao rei Salomão, a palavra do Senhor faz menção a Jeroboão, em1 Reis 11:26, na seguinte frase: “levantou a mão contra o rei”, a priori poderíamos pensar que o mesmo tenha atentado contra a vida do rei, mas no versículo seguinte (1 Reis 11:28) vemos o rei privilegiando-o, com uma nova função “Ora, vendo Salomão que Jeroboão era homem valente e capaz, moço laborioso, ele o pôs sobre todo o trabalho forçado da casa de José”, isto nos faz lembrar que recentemente os proeminentes escritores da Revista Adventista, utilizaram a expressão “não toquem nos ungidos do Senhor” para referirem-se aos que tem opiniões divergentes da elite dominante da IASD, sem embargo de que jamais tenham atentado contra a integridade física de quem quer que seja.  

O que nos parece mais contemporâneo na história, é que Deus escolheu Jeroboão para corrigir os desvios administrativos praticados nos reinados de Salomão e Roboão, ora isto não deixa duvidas de que, na maioria das vezes, Deus intervém, de forma corretiva, usando a instrumentalidade humana para corrigir erros de outros seres humanos, mesmo que estes tenham sido profeticamente indicados, ou tenham sido ungidos para qualquer que seja o cargo.  

Equivocados estão aqueles que ensinam que quando a liderança se desvia da justiça e dos ensinos da Palavra de Deus, seus liderados não devem esboçar nenhuma atitude de repúdio ou reação, pois Deus haverá de pessoalmente, de forma sobrenatural, corrigir tais procedimentos pecaminosos, ou mesmo se Deus ficar inerte diante de tal situação, ainda haverá um ajuste de contas no dia de juízo, dando-nos a entender que existe uma classe de pessoas na IASD que estão acima da correção da instrumentalidade humana da qual Deus faz uso.  

 

Repetindo Jeroboão

É muito similar a historia vivenciada pela IASD brasileira nestes últimos anos, uma vez que sua cúpula administrativa repetiu a história, principalmente no que diz respeito a erros administrativos, os quais levaram a membresia a questionar até onde iria a sua cumplicidade em permanecer mudos, sem nenhuma reação, apenas aguardando a miraculosa e sobrenatural intervenção Divina, desacompanhada de qualquer participação humana, com a finalidade de pôr fim ao corporativismo, nepotismo, malversação de fundos, politicagem e demais arbitrariedades dominantes no meio do povo adventista.  

Nós que assistimos de camarote, isto é, pela internet, vimos os primeiros “Jeroboões” levantarem as mãos contra os reis do adventísmo brasileiro, ou melhor, alçarem a voz contra os pecados dos “Salomãonitas” e “Roboãonitas”, os quais jamais deram ouvidos aos conselhos dos jovens, e muito menos dos anciãos adventistas.  

Testemunhamos, pela telinha do computador, todo o martírio a que foi submetido o irmão Nicotra, até a sumária exclusão de seu nome dos livros da igreja. Vimos também os estarrecedores episódios vividos pela comunidade adventista de Poá-SP, história esta que, definitivamente, retirou-me toda a confiança que sempre alimentei para com a liderança de minha igreja.  

Pelos olhos da fé víamos, mesmo que de forma invisível, o profeta Aias ungindo aqueles destemidos leigos, a fim de reagirem ao estado caótico de nossa igreja, até mesmo eu, sem sentir a unção do profeta, atrevi-me a expor minhas considerações sobre o momento presente, inclusive, sugerindo a criação de uma Entidade jurídica, para representar e defender os interesses da membresia, mesmo que para isto tivéssemos que recorrer aos tribunais “mundanos”, coisa que, no caso já citado de Poá-SP, a liderança já havia feito.  

 

Novamente erigindo um bezerro de ouro

O erro do Jeroboão bíblico foi o de querer concorrer com o povo para o qual ele era o instrumento de correção, e procurar dar sustento a sua missão, através de coisas palpáveis visíveis abandonando a confiança nos desígnios de um Deus invisível, o qual o havia escalado para aquele empreendimento.  

Nós, os Jeroboões modernos, estamos enveredando no mesmo pecado do Jeroboão bíblico quando deixamos de confiar nas providências de um Deus todo poderoso para sedimentarmos nossa confiança no vil metal.  

Toda e qualquer facção dos adventistas leigos que se institucionalizam tendo como suporte financeiro a cobrança de “dízimos” tão criticado por eles enquanto membros da IASD, estão erigindo um bezerro de ouro tal qual o Jeroboão bíblico.

Sei que ainda é tempo de nos arrependermos e restabelecermos nossa confiança no Todo Poderoso, ainda é possível copiarmos a mordomia bíblica da Igreja do Novo Testamento, onde não havia “dízimos”, mas uma dádiva amorosa e voluntária, a qual fornecia meios para o atendimento aos irmãos necessitados, bem como a missão de evangelizar ao mundo, e jamais serviu para alimentar privilégios da cúpula administrativa da Igreja, ou tornar a igreja um mega empreendimento capitalista.

Heráclito Fernandes da Mota

Membro da IASD - Central João Pessoa (PB)

heraclitomota@superig.com.br

 

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